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Havana, 6 Agosto de 2014

 

EUA financiam violência na Venezuela

Jorge Legañoa Alonso

SE existia alguma dúvida de que os EUA financiavam os planos violentos da oposição venezuelana, a própria Associated Press, agência de imprensa estadunidense, revelou que o Departamento de Estado e o Fundo Nacional pela Democracia (NED) — organização financiada pelo governo — enviaram aproximadamente US$7,6 milhões a organizações venezuelanas da oposição, durante o ano 2013.

Os documentos aos quais teve acesso a AP revelam que a quantia foi 15% maior à autorizada em 2009. Contudo, esta questão do financiamento do governo dos EUA à oposição da Venezuela data de mais de uma década.

Leopoldo López e María Corina Machado — dois dos líderes opositores que mais incitaram publicamente à violência, em fevereiro passado, para derrubar o presidente Nicolas Maduro — têm um dossiê como colaboradores financiados por Washington. A Fundação Nacional para a Democracia e a Agência Internacional dos Estados Unidos para o Desenvolvimento (Usaid) financiaram os partidos políticos de Leopoldo, Primeiro Justiça e Vontade Popular, e para a suposta ONG Une-te, de María Corina e suas campanhas eleitorais.

A revelação da jornalista Hannah Dreier, correspondente da AP em Caracas, traz à baila o velho padrão de financiamento do governo dos Estados Unidos a grupos violentos na Venezuela, desde o ano 2001, quando milhões de dólares foram entregues a organizações que supostamente eram da "sociedade civil" e terminaram sendo a fonte principal, para executar o golpe de Estado contra o presidente Hugo Chávez, em abril de 2002, que o tirou do poder por um pouco mais de 48 horas.

Depois do fiasco, a Usaid abriu um Escritório de Iniciativas para a Transição (OTI), em Caracas para, juntamente com a NED, injetar mais de US$ 100 milhões que serviriam para enfraquecer o governo de Chávez e financiar a oposição durante oito anos.

O dossiê dos grupos financiados pelos EUA inclui organizações estudantis como JAVU, cujos líderes não se ocultam para incitar à violência, organizando acampamentos opositores nas cidades e protagonizando ações de terrorismo contra os venezuelanos, entre elas a queimada dum centro infantil para crianças de menos de cinco anos.

No início de 2011, depois de ter sido denunciada publicamente por suas graves violações da soberania e das leis venezuelanas, a OTI fechou suas portas na Venezuela e as operações da Usaid contra o país sul-americano foram transferidas para os Estados Unidos. Longe de terminar, o fluxo de dinheiro se incrementou, apesar da aprovação, na Venezuela, da Lei da Soberania Política e Autodeterminação Nacional, nos finais de 2010, que proíbe o financiamento externo a grupos com fins políticos no país.

A Assembleia Nacional venezuelana aprovou a proibição de receber ajuda do exterior, ao revelar-se que a NED tinha financiado o grupo Une-te, de María Corina Machado, que em 2004 organizou uma campanha desapiedada para revocar o mandato de Chávez.

As agências de Washington, a NED, a Usaid, tanto como os grupos opositores venezuelanos que recebem os dólares, continuam violando as leis do país com impunidade. Nos orçamentos nacionais do presidente Barack Obama para as operações internacionais, se tinham incluído entre US$ 5 e 6 milhões para financiar grupos violentos na Venezuela através da Usaid desde 2012. Contudo, a realidade foi superada durante 2013, como revela a AP.

O contexto gerado pela morte do líder bolivariano Hugo Chávez e as aspirações da direita internacional de galgar o poder na Venezuela, custe o que custar, depois da eleição de Nicolás Maduro para continuar o projeto de Chávez, gerou a loucura de uma "saída" antidemocrática, para esse momento, o financiamento do governo estadunidense continuou aumentando, ultrapassando, inclusive, as estimativas.

Outra boa parte das verbas da NED, entre 2013-2014, segundo a pesquisadora Eva Golinger, foi investida em iniciativas e grupos que trabalham com o ambiente da mídia e manipulam a campanha, com o objetivo de desprestigiar o governo do presidente Maduro. Entre eles se incluem Espaço Público, Instituto Imprensa e Sociedade (IPYS), Sem Mordaça e GALI. A campanha para desacreditar o governo venezuelano e o presidente Maduro não tem precedentes.

O certo é que entre os grupos financiados pela NED para o trabalho com os jovens na busca de formar "novos líderes opositores" ante a decadência da oposição, se encontra Forma, uma organização de César Briceño, ligada ao banqueiro venezuelano Oscar García Mendoza.

García Mendoza chefia o Banco Venezuelano de Crédito, que tem funcionado como ponte para o fluxo dos dólares da NED e da Usaid para os grupos opositores, como Une-te, Cedice, Sem Mordaça, Observatório Venezuelano de Prisões e Forma, e outros.

No ano passado, a Bolívia expulsou a Usaid, acusando-a de querer desprestigiar o governo. Recentemente, o Equador também proibiu à Usaid financiar projetos no país. E mais recentemente, as revelações de que Washington criou uma rede social similar a Twitter em Cuba para enfraquecer o apoio a Havana geraram novas suspeitas sobre a ajuda financeira estadunidense.

O Fundo Nacional da Democracia e os US$ 7,6 milhões para a oposição violenta, em 2013, tomou a decisão de omitir os nomes dos destinatários venezuelanos de seus relatórios anuais. Portanto, desde o ano 2010 o Departamento de Estado não identifica publicamente os grupos venezuelanos que recebem fundos, o que deixa aberta a imaginação para onde verdadeiramente vão parar esses fundos secretos.

A porta-voz da NED Jane Riley, disse que a agência oculta os nomes dos destinatários devido ao "clima de intimidação severa, que inclui ameaças de violência física, campanhas de ódio nos meios estatais e represálias legais", uma tímida justificação para aqueles que utilizam o dinheiro do contribuinte estadunidense para subverter a ordem de um país soberano e democrático. (Extraído do Cubahora)
 

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