Granma Internacional Digital
VERSÃO SÓ TEXTO

Havana. Cuba. Ano 17. quarta-feira, 11 Fevereiro
de 2015


“Fidel é Fidel”, catálogo de fotografias será apresentado na Feira do Livro

O catálogo da exposição de fotografias e audiovisuais Fidel é Fidel, do documentarista e fotógrafo Roberto Chile, será apresentado sexta-feira (13), na Sala Nicolás Guillén do complexo Morro-Cabañá, no âmbito da 24ª Feira Internacional do Livro.

Trata-se duma seleção de fotografias do comandante-em-chefe Fidel Castro a cor e em branco e preto, captadas por Chile entre 2006 e 2012.

Patrocinado pelo Fundo Cubano de Bens Culturais, o catálogo estará acompanhado dum DVD que contém uma seleção de audiovisuais onde se “mostra ó líder histórico da Revolução cubana agasalhado pela multidão e privilegiado pelo amor de muitos, além das fronteiras de Cuba”.


...................................................................................................................................................................

Cuba advoga na ONU pela implementação efetiva da agenda pòs-2015

Nações Unidas. — Cuba defendeu nas Nações Unidas a criação de mecanismos dirigidos a materializar e rever o cumprimento dos objetivos de desenvolvimento sustentável que integrarão a agenda pós-2015.

Uma das lições aprendidas das metas do milênio é que sem os meios de execução necessários, resulta impossível fazer realidade os planos de desenvolvimento, assinalou o embaixador alterno da Ilha, Oscar León, no debate de alto nível para discutir as vias de implementação do novo marco de progresso global, informou a PL.


...................................................................................................................................................................

Com o nome da Pátria bem alto

Os jogadores do time Vegueros de Pinar del Rio, vencedores da Caribbean Series, retornaram na segunda-feira, 9 de fevereiro a Cuba e receberam uma saudação especial do presidente Raúl Castro, transmitida pelo primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, Miguel Díaz-Canel Bermúdez.

 O time Vegueros de Pinar del Rio, vencedor da Caribbean Series, retornou à Pátria ao meio-dia da segunda-feira, 9 de fevereiro

 Os jogadores foram recebidos no terminal aéreo pelo primeiro vice-presidente do Conselho de Estado e de Ministros, Miguel Díaz-Canel Bermúdez; por Olga Lídia Tapia, do secretariado do Comitê Central do Partido; pelo titular do Comitê Olímpico Cubano, José Ramón Fernández, bem como líderes da União dos Jovens Comunistas e diretivos da Federação Cubana de Beisebol.

 Vários dos jogadores declararam a sua satisfação por terem conseguido a vitória, em um ambiente difícil, devido ao constante assédio dos inimigos de Cuba.

 Miguel Díaz-Canel disse que era uma vitória importante para o presente e o futuro do beisebol nacional e a mais importante na última década. E acrescentou que trazia uma saudação especial para todo o time de parte do general-de-exército Raúl Castro Ruz, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros.

 Antonio Becalli, presidente do Instituto Nacional de Esportes, referiu-se a que na seleção predominou o espírito coletivo, que tornou possível enfrentar o assédio que sofreram os jogadores. Houve irmandade e fidelidade ao povo, que vibrou com a atuação dos jogadores. (Redação Esportiva do jornal Granma).


...................................................................................................................................................................

Vegueros mostra o aroma do campeão

A 57ª Caribbean Serie de Beisebol já tem um novo campeão: o time Vegueros de Pinar del Rio. A seleção cubana exibiu uma demonstração espetacular nos dois jogos finais, após um desempenho fraco na etapa de classificação. Rebatidas oportunas de Yulieski Gurriel e de Frederich Cepeda, junto aos arremessos de Yosvani Torres, Livan Moinelo e Héctor Mendoza, foram as chaves do triunfo do Vegueros para os Tomateros de Culiacán.


...................................................................................................................................................................

Machado Ventura recebe delegação do Partido Nacional do Povo da Jamaica

No decurso do encontro houve uma ampla troca sobre o trabalho de ambas as organizações políticas na atual conjuntura, bem como sobre a complexa situação internacional

 O segundo secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba, José Ramón Machado Ventura, recebeu na tarde da quinta-feira, 5 de fevereiro, uma delegação do Partido Nacional do Povo (PNP) da Jamaica, que visita Cuba a convite do nosso Partido. A delegação foi presidida pela senhora Angela Brown-Burke, vice-presidenta do Partido, senadora e prefeita de Kingston desde 2012.

 No decurso do encontro houve uma ampla troca sobre o trabalho de ambas as organizações políticas na atual conjuntura, bem como sobre a complexa situação internacional. Referiram-se aos laços históricos que unem nossos povos e partidos, e o contexto atual da região caribenha.

 Angela Brown-Burke expressou o seu agradecimento pela valiosa informação e as atenções recebidas nos encontros que a delegação que preside teve anteriormente com o chanceler Bruno Rodríguez Parrilla; a vice-presidenta da Assembleia Nacional do Poder Popular, Ana María Mari Machado e durante a visita que efetuaram à província Artemisa.

 Participaram também na entrevista Noel Arscott, vice-presidente do PNP, parlamentar e ministro do Governo Local e Desenvolvimento Comunitário; Anthony Hylton, vice-presidente do PNP, parlamentar e ministro da Indústria, Investimentos e Comércio; e Paul Burke, secretário-geral do PNP. Pela parte cubana marcaram presença José Ramón Balaguer Cabrera, do secretariado do Comitê Central e chefe do Departamento das Relações Internacionais, e outros funcionários do Partido.


...................................................................................................................................................................

 

Havana prestes para sua Feira do Livro
• A República da Índia será o País Convidado de Honra, e será dedicada aos escritores Olga Portuondo e Leonardo Acosta, prêmios nacionais das Ciências Sociais e de Literatura

Madeleine Sautié Rodríguez

Um total de 27 títulos sobre a Índia e da literatura deste país estarão terminados para a 24ª edição da Feira Internacional do Livro Havana 2015, que será inaugurada em 12 de fevereiro na Fortaleza de San Carlos de La Cabana, para concluir em 22 deste mês e continuar até abril pelo resto da Ilha.

Assim o informou em reunião com a imprensa o vice-presidente do Instituto Cubano do Livro, Juan Rodriguez, responsável pela produção editorial do evento.

Junto a uma exposição representativa da cultura da Índia, que inclui cinema, artesanato, teatro, dança e literatura — 16 editoras da índia apresentarão livros — um amplo programa acadêmico e cultural protagonizará o festejo.

...................................................................................................................................................................

Fidel é um fora de série

Randy Perdomo García, presidente da Federação de Estudantes Universitários
(FEU), da Universidade de Havana

Fotos: Cortesia do autor

TUDO começou com uma ligação de Fidel ao Gabinete da Federação dos Estudantes Universitários (FEU), da Universidade de Havana, no dia 22 de janeiro, às 21h20 horas. Embora fosse precedida de um anúncio acerca do momento que me deparava, aquela voz, tantas vezes escutada de longe, foi empolgante ao senti-la tão próxima.

 “Randy, como você vai?”

 “Comandante, eu estou bem. Não posso acreditar que esteja conversando com o senhor”.

 Ele riu a agradeceu “a mensagem que você me fez chegar. Li-a várias vezes”. Referia-se ao nosso projeto de comemorar os 70 anos do seu ingresso na Universidade com uma jornada de amor e compromisso. Percebe-se seu entusiasmo quando anuncia uma surpresa e me convida a uma conversa pessoal no dia seguinte.

 Mas nessa mesma noite conseguimos falar um pouco mais: por volta de 50 minutos. Sua voz soa tão imediata, como se os dois estivéssemos sentados no Salão dos Mártires, que ele recordou várias vezes, por ter sido o lugar de reuniões em sua época na FEU,

 “Já são 70 anos da minha entrada na Universidade, que se completarão em 4 de setembro”, diz-me.

 Conversamos com alegria, como dois colegas da turma: ele, com sua simplicidade impressionante, tentando que eu me sentisse em igualdade de condições. Eu, da minha parte, sem poder me explicar totalmente a sorte extraordinária que me fazia viver esse instante único. Ainda, estava irrequieto e preocupado, ao pensar como ia responder o “bombardeio” de interrogantes ao qual sempre tem acostumados aos seus interlocutores este conversador audacioso.

 Ele quis saber acerca das faculdades da Universidade e da Casa Estudantil, o que tinha sido antes de se converter na Casa da FEU, a quem pertenceu, em que ano ocorreu a mudança. Eu tentava responder tudo, ciente de que nós nunca estamos totalmente prontos para ter todas as respostas que exige um diálogo dessa índole. Não era um teste e, ao mesmo tempo era isso. Eu precisava transmitir muito em nome da juventude universitária, e essa pressão estava aí, embora o espírito da conversa quase que me fazia esquecer tudo.

 Ele interessou-se pela situação atual de todas as carreiras da Universidade, e ao falar sobre a Faculdade de Física, antigamente a de Arquitetura, falou empolgado de José Antonio Echeverría. Expliquei-lhe que a Faculdade de Física está agora no edifício Varona e me interrompeu: “O prédio de Pedagogia!”, disse e ai mesmo começou a indagar acerca das salas de aulas.

 E justamente quando eu comecei a transpirar de novo, por causa do temor de não ter todas as respostas, Fidel lançou a interrogante que eu menos esperava: “Vem cá, Randy, qual é o número de cadeiras que tem uma sala de aulas nesta Faculdade de Física?” E eu, naturalmente, fiquei sem palavras. Estava espantado por essa curiosidade infinita e a necessidade e anseios dele por saber, até o mínimo pormenor, como funciona o mundo.

 Explico-lhe que o edifício é compartilhado por estudantes de diferentes nacionalidades que aprendem espanhol em Cuba: chineses, norte-americanos, vietnamitas. Então precisa: “Não posso acreditar! Chineses também? E me lembra com detalhes os programas desse acordo com a República Popular da China.

 “E como é organizado o Conselho Universitário do edifício Varona, ao ter a carreira de Física e os estudos para aprender espanhol?”, insiste. Comento-lhe que isso é provisório, até serem terminadas as obras no edifício de Física. Então, o Varona será o centro de convenções da Colina universitária.

 Afinal consigo comentar-lhe acerca das atividades da jornada que os estudantes universitários preparamos para comemorar o 70º aniversário da entrada de Fidel à Universidade. Antecipo-lhe nossa ideia de subir também ao Pico Turquino.

 “Ótimo, Randy, estejam prontos. Quando a gente se encontre de novo contarei anedotas da nossa experiência na Serra.”

 Não quero guardar nenhum detalhe e ainda lhe comento que visitaremos a casa onde ele nasceu. Responde com um silêncio longo, que quebra para me perguntar como vão meus estudos de Filosofia, em que ano estou da carreira e o que pensa minha família do que faço.

 Depois, ele quer conhecer como é que se organiza a FEU na Universidade. Descrevo-lhe o apoio do Reitor e da Universidade no melhoramento das condições de vida e da infraestrutura, das residências estudantis, das faculdades e do aperfeiçoamento do Estádio Universitário, conhecido pelo pessoal da Universidade como o SEDER.

 Com uma precisão que espanta, Fidel detalha cada lugar desse estádio universitário, quando lhe informo de todos os preparativos para os Jogos Caribe. Percebe-se que conhece a Colina universitária como a palma de sua mão. Poderia dizer-se que sabe onde fica cada pedra dessa casa de altos estudos.

 Também mostra interesse pela Aula Magna, pela organização da atividade pelo 162º aniversário do nascimento de José Martí, o concerto do pianista Frank Fernández e o lançamento da convocatória para comemorar os 70 anos de sua entrada à Universidade.

 Na despedida “um abraço” e “amanhã a gente se vê”. E fico quase hipnotizado. Ainda meu sonho não acabou de tornar-se realidade.

FIDEL NÃO ESTÁ NO TELEFONE

 Sexta-feira, 23 de janeiro. Quase está na hora de começar o encontro mensal do Conselho da FEU da Universidade de Havana, no Salão dos Mártires da Colina universitária. Peço desculpas por não poder estar presente. Garanto aos colegas que nos próximos dias a Universidade de Havana será palco de uma notícia de alegria para nosso povo todo e de transcendência mundial.

 Despeço-me de Henry, o secretário da União dos Jovens Comunistas (UJC), na Universidade, que alguns anos antes também teve a honra de conversar com o Comandante.

 Aqueles que me vão levar até onde está Fidel são muito pontuais. Motoristas muito amáveis, que sabem reconhecer meu nervosismo e me acalmam, evidentemente solidarizados com a minha tensão, diante da perspectiva do meu primeiro encontro pessoal com Fidel. conversam sobre as nossas respectivas províncias: eles são de Santiago de Cuba e eu de Matanzas.

 Pouco tempo depois, o carro para e eles me soltam as palavras que eu estive esperando com desespero e contenção: “Já você está na casa do Comandante”. E eu saio pronto para viver o que poderá ser, com certeza, um dos meus instantes mais transcendentais. E afinal não será um instante. Porque falarei com Fidel durante mais de três horas.

 Na porta do jardim espera Dália, sua esposa. Entrego-lhe uma flor que recebe com agradecimento especial e me acompanha até uma porta de cristais, uns poucos metros mais na frente. Atrás, espera o Comandante.

 “Randy — cumprimenta-me de forma jovial — vamos ver se afinal você é parecido com Echeverria...!”.

 Começa a conversa desta tarde com Fidel. E já não está ao telefone, mas sim a poucos metros, como se fosse meu companheiro habitual nas conversas. Tento controlar minha emoção para poder guardar com precisão cada fato.

 Mostra-me a compilação das suas Reflexões e refere-se a algumas delas, lendo ideias ou páginas inteiras. Conta-me que é uma coleção da qual foram editados uns 500 exemplares, que são acompanhados de um catálogo com desenhos do pintor Rancaño.

 O tempo corre enquanto revemos muitos temas. Tento flagrar todos os detalhes de sua grandeza, não tiro os olhos da figura dele. Ele, convocando-me sempre ao conhecimento, conduz a conversa. Não deixo de pensar acerca da forma em que as circunstâncias da Serra — da guerra — e os desafios atuais podem moldurar tão especialmente um homem.

 Comenta-me sobre astronomia, dos observatórios no mundo. Insiste na necessidade do desenvolvimento das ciências como a única forma em que a inteligência predomine, da relação dessas matérias com a economia e a qualidade da formação destes profissionais nas universidades.

 Ainda, fala com muito entusiasmo da doação ao Zoológico Nacional de Cuba, das espécies de animais trazidas da Namíbia e seu interesse na nova prática da transferência desses animais.

 Teima na sua chamada de atenção acerca da produção de alimentos para os seres humanos e animais e me mostra fotografias dos campos de plantas com as quais experimenta. Mostra-me várias sementes, falando do custo e da sua importância; da situação do combustível.

 Sobre a mesa de trabalho há dezenas de papéis com notícias da imprensa recopiladas em uma pasta. Enxergo de perto e verifico seu lendário interesse de estar informado de tudo, tanto dos acontecimentos nacionais como internacionais.

 Detém-se particularmente na leitura de informações recentes, com uma infografia da cadeia Rusia Today, acerca de qual foi a nação que mais contribuiu para a derrota da Alemanha, em 1945. Durante anos, a maioria dos europeus reconhecia que tinha sido a URSS. Mais recentemente os dados se inverteram e se dá a proeminência aos Estados Unidos.

 Mas também falamos dele, dos seus exercícios físicos diários, da alimentação correta. Continuo sem acreditar que eu estou ao lado do homem que mais fez, no sentido de atingir relações de justiça entre os homens e descobria a maravilha de antever, a partir da recordação do passado, o que é o futuro.

 Ainda ele tem bem gravado que eu sou da província Matanzas. Não ia deixar passar isso tão fácil. Então me pede que lhe conte como funciona a prática dos esportes na minha cidade natal. Sem me dar tempo demais para pensar, inquire acerca das perspectivas do time de beisebol de Matanzas, sob a condução de Victor Mesa, e da alegria e a emotividade que consegue incutir no Campeonato Nacional desse esporte. Depois, refere-se a outros times presentes neste campeonato e ao desafio de ser de Matanzas e estar na capital, que muito defende o time Industriales. Rimos os dois. E eu admiro esse amor pelo esporte que ele sempre mostrou.

 Depois, fala das revoluções que se estão produzindo contra a filosofia dominante e me conta que não se pode deixar de acreditar nelas, pois cada revolução acaba renascendo. Em um momento especial refere-se à Venezuela e fala com grande emoção de Hugo Chávez e de Nicolas Maduro.

 Também comenta sobre a Nicarágua e o empenho de Daniel Ortega e sua esposa no desenvolvimento dessa pequena nação.

 Voltando ao tema da nossa Universidade, mostro-lhe um catálogo e percorremos no mapa todos os lugares que ele frequentava: o café da Faculdade de Direito — conta me alguns detalhes de sua construção e situação — outros lugares significativos para ele, e me pede que lhe conte acerca das Faculdades da Colina e das que atualmente estão fora delas. Lembra dos tempos desafiantes de sua formação e dos encontros históricos com os estudantes universitários, depois do triunfo revolucionário.

 Ao mostrar-lhe uma série de desenhos dedicados a ele, pergunta-me quem os fez. Respondo-lhe que é um estudante, também chamado Randy, com o sobrenome Pereira, que estuda no quarto ano de Comunicação. Então, ele sente interesse de saber onde nós imprimimos os cartazes e as camisetas, pois eu estava envergando uma com o símbolo dos Jogos Caribe.

 Não vou partir sem deixar-lhe como recordação uma fotografia de Henry, atual secretário da UJC da Universidade, e outra da Indira, que trabalha na Direção de Extensão Universitária, aqueles dois jovens que lhe entregaram, em 2010, aquela fotografia onde aparece Fidel e que diz: “Aqui me tornei revolucionário...”· Leio a convocatória lançada por ocasião dos 70 anos de sua entrada na Universidade, comentando-lhe acerca dos convidados que virão e a forma em que temos concebido a atividade.

 Também damos uma olhada a um exemplar do jornal Resumen Latinoamericano, dedicado aos Cinco. Empolgado, fita os olhos nos rostos de René, Fernando, Tony, Gerardo e Ramón, detalhando as características mais significativas de cada um dos Heróis.

 Quase que parece que estou saindo. Mas ele retoma a conversa sobre as novas formas de contestar algumas doenças, entre elas a diabetes, com a produção de alguns alimentos naturais; da relação de Cuba com a África, da contribuição à independência dos seus países, o fim do apartheid e da atual contribuição de médicos cubanos à luta contra o Ébola. E agradeço internamente que ainda não acabe este momento.

 Finalmente, mostra-me algumas páginas de temas que está estudando neste momento. Entre eles, um sobre o Banco Central de Cuba com os custos dos alimentos, metais básicos e preciosos, do açúcar, energia, taxas de juros.

 Ele não me deixa ir sem que ponha no reprodutor de DVD um disco que eu levei como presente, com as imagens da recepção dos estudantes da Universidade aos estudantes norte-americanos do Cruzeiro Semestre no Mar, que visitaram nosso país no mês de dezembro.

 Mostra interesse de saber como foi com nossos colegas norte-americanos e indaga acerca do programa de atividades. Ao enxergar as imagens... não sei por quê vejo um Fidel diferente, muito mais próximo do que pensava. A imagem de uns estudantes norte-americanos sem camisetas, que tinham escrito a palavra CUBA no peito, o fazem passar o seu momento mais alegre e entusiástico.

 Chega o instante de partir. Despedimo-nos primeiramente ao estilo tradicional. Depois, ele quer conhecer um modo mais atual. Mostro-lhe então um jeito que nós ensaiamos muitas vezes com nossos parceiros, mais juvenil e diferente. Com muita insistência acabou aprendendo. E o praticou várias vezes até que finalmente nos dissemos “Até logo”.

 Caminho novamente por minhas ruas e penso naquilo que acabei de viver. Levo-me com intensidade esse Fidel cheio de vida que conversou comigo, de forma animada e inteligente. Com a simplicidade que eu imaginava, mas com essa capacidade infinita de surpreender.

 Penso em um escritor e acho uma frase que pode resumir o que penso. Se a verdadeira grandeza o homem só a pode conseguir no Reino deste mundo, não posso menos que ver a grandeza nele, que ultrapassou o escalão mais alto da espécie humana, para se transformar em lenda.

 Vários dias depois, a emoção ainda faz meus olhos se encharcarem. Continuo vendo ele em frente de mim, tão vivo, com muita energia e clareza, zombando com essa vitalidade daqueles que pretendem fazer crer que já não está. Ainda posso pensar nele, coçando a barba, analisando sei lá quantas coisas.

 Ele não deixou de ser estudante universitário. Em um ambiente familiar e cordial, com seu olhar mais além das aparências, aproximou-me do seu infinito caudal de inteligência. E eu quase fico espantado, ao ver o muito que me resta por aprender e estudar. Agradeço-lhe então por me ter revelado essa verdade e munir-me de um guia para entender como conduzir-me pelo inexplorado, com curiosidade e bom juízo.

 Ter ocupado boa parte do tempo dele é a maior honra que já recebi. Pela nossa FEU e nossa Universidade de Havana é que vivi essa oportunidade excepcional. Foram várias noites sem dormir por causa da alegria, dos desejos impacientes de voltar a conversar com ele...

 Implícito em tudo, mais além do que ele possa dizer, vai o ensinamento da humildade, da confiança em nós, no futuro da Pátria. A certeza de que este encontro é a continuidade de mais deveres, de mais compromisso.

 Fidel continua em uma marcha constante, ao compasso de nosso tempo, como símbolo imperecível, como eterno jovem universitário. Não posso flagrar tudo em palavras, pois ainda estou acreditando que isso foi um sonho. A essência dos milagres é difícil de apanhar, ainda que tentemos muito. Fidel é um fora de série.

...................................................................................................................................................................

Asseguradas condições materiais para as eleições parciais
• Além da constituição e capacitação das comissões eleitorais em todos os níveis, trabalha-se nos planos de asseguramento do processo

Arlin Alberty Loforte

CUBA prontifica-se para as eleições parciais que terão lugar em 19 de abril próximo e, desde setembro do ano passado, o Conselho de Estado acordou criar comissões de trabalho nas províncias, com o objetivo de garantir as bases organizativas e materiais do processo.

Além da constituição e capacitação das comissões eleitorais em todos os níveis, trabalha-se nos planos de asseguramento do processo, que incluem as comunicações, transporte, segurança informática, e outros recursos necessários como modelos, canetas, urnas, murais e computadores.

 Em uma conversa com a imprensa, a presidenta da Comissão Eleitoral Nacional (CEN), Alina Balseiro, assegurou que “estamos em melhores condições para enfrentar as eleições e acrescentou que o Artigo 18º da Lei Eleitoral estabelece que uma vez convocadas, os organismos da Administração Central do Estado e as organizações em todos os níveis, têm a obrigação de apoiar o processo eleitoral para garantir seu bom sucesso”.

 A presidenta do CEN comentou que devemos conseguir a presença em massa do povo à indicação dos candidatos, “quando a comissão eleitoral da circunscrição prepara bem sua assembleia e adorna o lugar onde será realizada, sem dúvida há mais motivação para ir a esse encontro e eleger aqueles que consideramos nos podem representar como delegados da circunscrição”.

 Ainda, estão sendo criadas as condições para a comprovação das listas de eleitores, que serão publicadas nos dias 16 e 17 de março, no qual desempenharão um papel fundamental os Comitês de Defesa da Revolução.

...................................................................................................................................................................

Machado Ventura recebeu o secretário-geral do Partido Comunista da Espanha

O segundo secretário do Comitê Central do nosso Partido, José Ramón Machado Ventura, recebeu quinta-feira (29) o secretário-geral do Partido Comunista da Espanha, José Luis Centella, que visita nosso país a convite do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba.

Durante o encontro houve um amplo intercâmbio sobre o trabalho de ambas as organizações políticas, bem como sobre a complexa situação internacional, nomeadamente a crise global no velho continente e o papel dos partidos comunistas e de esquerda.

Centella elogiou o retorno a Cuba dos três heróis antiterroristas e a decisão do restabelecimento das relações diplomáticas entre Cuba e os Estados Unidos.

...................................................................................................................................................................

Desenvolver a unidade na diversidade, a atuação coesa e o respeito às diferenças continuará sendo nosso primeiro propósito e uma necessidade ineludível
• Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro na 3ª Cúpula da Celac, Costa Rica, em 28 de janeiro de 2015)

(Versões estenográficas do Conselho de Estado)

Estimado presidente Luis Guillermo Solís;

Estimadas Chefas e Chefes de Estado ou de governo da América Latina e o Caribe;

Estimados chefes de delegações e convidados que nos acompanham:

 Nossa América entrou numa época nova e está avançando, depois da criação da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em seus objetivos de independência, soberania sobre seus recursos naturais, integração, construção duma nova ordem mundial, justiça social e democracia do povo, pelo povo e para o povo. Existe hoje um compromisso com a justiça e o direito dos povos superior ao de qualquer outro período histórico.

 Juntos, somos a terceira economia em nível mundial, a zona com a segunda maior reserva petroleira, a maior biodiversidade do planeta e com uma elevada concentração dos recursos mineiros globais.

 Desenvolver a unidade na diversidade, a atuação coerente e o respeito às diferenças continuará sendo nosso primeiro propósito e uma necessidade iniludível, porque os problemas do mundo se agravam e persistem grandes perigos e fortes desafios que transcendem as possibilidades nacionais e, inclusive, subregionais.

 Na última década, as políticas econômicas e sociais e o crescimento mantido, nos permitiram enfrentar a crise econômica global e tornaram possível uma diminuição da pobreza, o desemprego e a distribuição desigual das receitas.

AS PROFUNDAS TRANSFORMAÇÕES POLÍTICAS E SOCIAIS LEVADAS A CABO EM VÁRIOS PAÍSES DA REGIÃO TEM TRAZIDO A DIGNIDADE A MILHÕES DE FAMÍLIAS QUE SAÍRAM DA POBREZA

 As profundas transformações políticas e sociais levadas a cabo em vários países da região trouxeram a dignidade para milhões de famílias que saíram da pobreza.

Mas a região da América Latina e o Caribe é ainda a mais desigual do planeta. Em média, 20% dos lares com menores receitas recebe 5% das receitas totais; 167 milhões de pessoas ainda sofrem pela pobreza, um em cada 5 menores de 15 anos vive na indigência e o número de analfabetos supera os 35 milhões.

 Metade dos nossos jovens não tem ensino secundário ou nona classe, mas no setor de menos receitas 78% não completa esse nível de ensino. Dois terços da nova geração não chegam à universidade.

 Crescem as vítimas do crime organizado e da violência que ameaçam a estabilidade e o progresso das nações.

 O que pensarão as dezenas de milhões de marginalizados sobre a democracia e os direitos humanos? Qual sua opinião sobre os modelos políticos? O que opinarão acerca das leis eleitorais? Por acaso é esta a sociedade civil que tomam em conta os governos e as organizações internacionais? O que diriam se fossem perguntados sobre políticas econômicas e monetárias?

 Pouco têm que mostrar à nossa região, nestes aspectos, muitos dos Estados industrializados onde metade de seus jovens estão desempregados, a crise cai sobre os trabalhadores e os estudantes aos que se reprime, enquanto se protege os banqueiros, se impede a sindicalização, se paga salário inferior às mulheres por trabalho igual, se aplicam políticas desumanas contra os imigrantes, cresce o racismo, a xenofobia, e extremismo violento e tendências neofascistas, e onde os cidadãos não votam porque não têm alternativa para a corrupção da política ou sabem que as promessas eleitorais se esquecem muito rápido.

 Para atingir a chamada inclusão social e a sustentabilidade ambiental, teremos que criar uma visão própria dos sistemas econômicos, os padrões de produção e consumo, a relação entre o crescimento econômico e o desenvolvimento e, também, sobre a eficácia dos modelos políticos.

SERÁ DEVER FUNDAMENTAL A SOLIDARIEDADE E DEFESA DOS INTERESSES DO CARIBE E, NOMEADAMENTE, DO HAITI

 Devemos superar as fendas estruturais, garantir educação gratuita e de qualidade, cobertura universal e gratuita de saúde, previdência social para todos, igualdade de oportunidades, devemos conseguir o exercício pleno de todos os direitos humanos por parte de todas as pessoas.

 Dentro destes esforços, será dever fundamental a solidariedade e defesa dos interesses do Caribe e, especificamente, do Haiti.

 Torna-se necessária uma nova ordem econômica, financeira e monetária internacional, onde tenham cabimento e prioridade os interesses e necessidades dos países do Sul, onde não prevaleçam os que impõem a concentração do capital e o neoliberalismo.

A Agenda de Desenvolvimento pós-2015 deve oferecer soluções aos problemas estruturais das economias da região e gerar as mudanças que levem ao desenvolvimento sustentável.

 Também é imprescindível construir um mundo de paz, sem o qual é impossível o desenvolvimento, regido pelos princípios da Carta das Nações Unidas e do Direito Internacional.

 A assinatura pelos chefes de Estado e governo do Proclama da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, significou um passo histórico e oferece uma referência para as relações entre nossos Estados e com o resto do mundo.

EXPRESSAMOS ENÉRGICA CONDENAÇÃO ÀS INACEITÁVEIS E INJUSTIFICADAS SANÇÕES UNILATERAIS IMPOSTAS À REPÚBLICA BOLIVARIANA DA VENEZUELA

 A solidariedade em Nossa América será decisiva para fazer avançar os interesses comuns.

 Expressamos enérgica condenação às inaceitáveis e injustificadas sanções unilaterais impostas à República Bolivariana da Venezuela e à contínua intervenção externa para criar um clima de instabilidade nessa irmã nação. Cuba, que conhece todas essas histórias muito bem, por tê-las padecido durante mais de 50 anos, reitera seu firme apoio à Revolução Bolivariana e ao governo legítimo liderado pelo presidente Nicolás Maduro Moros.

 Juntamo-nos à República da Argentina no seu pedido das Ilhas Malvinas, Georgias do Sul e Sandwich do Sul e dos espaços marítimos circundantes. Apoiamos a nação sul-americana e a sua presidente Cristina Fernández, que enfrenta os ataques dos fundos especulativos e as decisões de cortes subornáveis, que violam a soberania desse país.

Reafirmamos a solidariedade com o povo e governo do Equador, que preside Rafael Correa, em apoio a suas demandas de reparação pelos danos ambientais provocados pela multinacional Chevron na Amazônia equatoriana.

 Como temos dito noutras ocasiões, a Comunidade estará incompleta enquanto faltar Porto Rico. Sua situação colonial é inaceitável e seu caráter latino-americano e caribenho não admite lugar para a dúvida.

 No processo de paz da Colômbia, são significativos os acordos atingidos pelo governo e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo, na mesa de conversações que tem lugar em Havana. Nunca antes tínhamos avançado tanto no rumo de atingir a paz. Cuba, em sua condição de garante e sede destas conversações, continuará oferecendo as facilidades necessárias e contribuindo, no possível, para o fim do conflito e a construção de uma paz justa e duradoura na irmã Colômbia.

 Daremos total apoio, como até agora, ao justo reclamo dos países do Caribe de reparação pelos danos da escravidão e o colonialismo, bem como somos opostos à decisão de privá-los de recursos financeiros imprescindíveis, com pretextos tecnocráticos, ao pretender considerá-los de renda média.

 Saudamos os ótimos progressos atingidos no Fórum da Celac-China e nos vínculos da região com o grupo Brics.

 Reiteramos a preocupação pelas enormes e crescentes despesas militares impostas ao mundo pelos Estados Unidos e a OTAN, bem como a tentativa de estender a agressiva presença desta até as fronteiras com a Rússia, com a qual temos históricas e fraternais relações, mutuamente proveitosas. Declaramos oposição enérgica à imposição de sanções unilaterais e injustas a essa nação.

 A crescente agressividade da doutrina militar da OTAN e o desenvolvimento de guerras não convencionais, que já têm tido devastadoras e de graves consequências, ameaçam a paz e a segurança internacionais.

 Para Cuba, o princípio de igualdade soberana dos Estados e de autodeterminação dos povos é irrenunciável.

 A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas deve usar suas faculdades para preservar a paz e a segurança internacionais, ante a dúbia moral, excessos e omissões do Conselho de Segurança.

 Não deve esperar mais para aceitar a Palestina como membro total, à qual expressamos nossa solidariedade. Deve cessar o veto no Conselho de Segurança que garante a impunidade dos crimes de Israel.

 A África, onde também estão nossas raízes, não necessita conselhos nem intromissão, mas sim transferência de recursos financeiros, tecnologia e tratamento justo. Sempre defenderemos os interesses legítimos das nações, com as quais lutamos ombro a ombro contra o colonialismo e o apartheid e com as quais mantemos fraternais relações e cooperação. Nós sempre vamos lembrar sua invariável solidariedade e apoio.

A POLÍTICA EXTERIOR DA REVOLUÇÃO CUBANA CONTINUARÁ SENDO FIEL AOS SEUS PRINCÍPIOS

 A voz de Cuba defenderá sem descanso as causas justas e os interesses dos países do Sul e será leal aos seus objetivos e posições comuns sabendo que Pátria é Humanidade, A política exterior da Revolução cubana continuará sendo fiel aos seus princípios.

Estimadas e estimados colegas:

 Em 17 de dezembro passado, retornaram à sua Pátria os lutadores antiterroristas cubanos Gerardo Hernández, Ramón Labañino e Antonio Guerrero, que junto a Fernando González e René González são para nós motivo de orgulho e exemplo de firmeza.

 O presidente dos Estados Unidos reconheceu o fracasso da política contra Cuba, aplicada durante mais de 50 anos e o completo isolamento que trouxe para o nosso país; o dano que o bloqueio provoca ao nosso povo e ordenou a revisão da inclusão, obviamente injustificada de Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo internacional.

 Nesse dia, ainda, anunciou a decisão de restabelecer as relações diplomáticas dos Estados Unidos com nosso governo.

 Estas mudanças são resultado de quase século e meio de luta heróica e fidelidade aos princípios do povo cubano. Foram também possíveis graças à nova época que vive nossa região e ao sólido e valente reclamo dos governos e povos da Celac.

 Tem sido uma reivindicação para Nossa América que agiu em estreita unidade, em prol desse objetivo, na Organização das Nações Unidas e em todos seus âmbitos.

 Começando pela Cúpula da ALBA em Cumaná, Venezuela, os debates realizados, em 2009, na Cúpula das Américas, em Porto Espanha, Trinidad e Tobago, levaram o presidente Obama, recentemente eleito, a anunciar um novo começo com Cuba.

 Em Cartagena, Colômbia, em 2012, produziu-se uma forte discussão com uma exigência unânime e categórica contra o bloqueio, ocasião que incitou um importante dirigente norte-americano a se referir à mesma como o grande fracasso de Cartagena ou o desastre — foi o termo exato — debatendo-se acerca da exclusão de Cuba destes eventos. Equador, como protesto, tinha determinado ausentar-se. Venezuela, Nicarágua e Bolívia expuseram que não participariam de outra Cúpula sem Cuba e receberam o apoio do Brasil, Argentina e o Uruguai. A Comunidade do Caribe assumiu a mesma postura. O México e as restantes nações se pronunciaram da mesma forma.

 O presidente panamenho, Juan Carlos Varela, antes da tomada de posse, fez saber com determinação que convidaria Cuba, com plenos direitos e igualdade de condições, à 7ª Cúpula das Américas e assim fez. Cuba declarou logo que participaria,

 Isso demonstra a certeza de José Martí quando escreveu que “um princípio justo, do fundo de uma gruta, pode mais que um exército” (Aplausos).

 Expresso a todos os presentes a mais profunda gratidão de Cuba.

 Aos 188 Estados que votam contra o bloqueio nas Nações Unidas, aos que fizeram similar reclamação na Assembleia Geral, Cúpulas e Conferências internacionais a todos os movimentos populares, forças políticas, parlamentos e personalidades que se mobilizaram incansavelmente com esse objetivo, agradeço-lhes sinceramente em nome da Nação.

 Ao povo dos Estados Unidos que manifestou crescente oposição à política do bloqueio e hostilidade, de mais de cinco décadas, também reitero nosso agradecimento e sentimentos de amizade.

 Estes resultados demonstram que governos que têm profundas diferenças podem achar solução aos problemas mediante um diálogo respeitoso e intercâmbios, baseados na igualdade soberana e a reciprocidade, em benefício de suas respectivas nações.

 Como já afirmei reiteradamente, Cuba e os Estados Unidos devemos aprender a arte da convivência civilizada, baseada no respeito às diferenças entre ambos os governos e na cooperação em temas de interesse comum, que contribua para a solução dos desafios que enfrentam o hemisfério e o mundo.

 Mas não se deve pretender que, para isso, Cuba tenha que renunciar aos seus ideais de independência e justiça social, nem abrir mão de um só dos nossos princípios, nem ceder um milímetro na defesa da soberania nacional.

 Não nos deixaremos provocar, mas também não aceitaremos nenhuma pretensão de aconselhar nem fazer pressão relativamente aos nossos assuntos internos. Nós temos ganhado este direito soberano, com grandes sacrifícios e ao preço dos maiores riscos.

 Acaso podem ser restabelecidas as relações diplomáticas sem se reatarem os serviços financeiros da Secção de Interesses de Cuba e seu Gabinete Consular em Washington, cortados em consequência do bloqueio financeiro? Como explicar o restabelecimento das relações diplomáticas sem que Cuba haja sido retirada da Lista de Estados patrocinadores do terrorismo internacional? Qual será, daqui em diante, a conduta dos diplomatas estadunidenses em Havana, respeito à observância das normas que estabelecem as Convenções Internacionais para as Relações Diplomáticas e Consulares? Isso é o que a nossa delegação disse ao Departamento de Estado durante as conversações bilaterais da semana passada e serão precisas mais reuniões para tratar destes temas.

 Temos transmitido ao presidente dos Estados Unidos a disposição de avançar rumo à normalização das relações bilaterais, após tenham sido restabelecidas as relações diplomáticas, o que implica adotar medidas mútuas para melhorar o clima entre ambos os países, resolver outros problemas pendentes e avançar na cooperação.

 A situação atual abre, modestamente, para o hemisfério uma chance de encontrar formas superiores e novas de cooperação que convêm às duas Américas. Isso permitiria resolver problemas prementes e abrir novos caminhos.

 O texto do Proclama da América Latina e o Caribe como Zona de Paz constitui a plataforma indispensável para isso, incluído o reconhecimento de que todo Estado tem o direito irrecusável de eleger seu sistema político, econômico, social e cultural, sem ingerência de nenhuma forma por parte de outro Estado, o que constitui um princípio irrecusável do Direito Internacional.

O BLOQUEIO ECONÔMICO, COMERCIAL E FINANCEIRO QUE PROVOCA ENORMES DANOS HUMANOS E ECONÔMICOS E É UMA VIOLAÇÃO DO DIREITO INTERNACIONAL DEVE ACABAR

 O problema principal ainda não foi resolvido. O bloqueio econômico, comercial e financeiro que provoca enormes danos humanos e econômicos e é uma violação do Direito Internacional deve acabar.

 Lembro-me do memorando do subsecretário Mallory, de abril de 1960, que, como não existia uma oposição política efetiva, expunha o objetivo de criar em Cuba fome, desespero e sofrimento para provocar o derrocamento do governo revolucionário. Agora, tudo parece indicar que o objetivo é fomentar uma oposição política artificial por meios econômicos, políticos e comunicativos.

 O restabelecimento das relações diplomáticas é o início de um processo rumo à normalização das relações bilaterais, mas isso não será possível enquanto existir o bloqueio, não seja devolvido o território ilegalmente ocupado da base de Guantánamo (Aplausos), enquanto não acabem as transmissões radiofônicas e de televisão que violam as normas internacionais e não haja compensação justa ao nosso povo pelos danos humanos e econômicos que sofreu. 

 Não seria ético, justo nem aceitável que se pedisse a Cuba nada em troca. Se estes problemas não forem resolvidos, esta aproximação diplomática entre Cuba e os Estados Unidos não faria sentido.

 Também não se pode esperar que Cuba aceite negociar os aspectos já mencionados onde se incluam nossos assuntos internos, absolutamente soberanos.

 Nesta recente negociação conseguiu-se avançar assim porque nos tratamos reciprocamente com respeito, como iguais. Para continuarmos avançando, terá que ser assim.

 Nós temos acompanhado com atenção o anúncio do presidente dos Estados Unidos de algumas decisões executivas para modificar certos aspectos da aplicação do bloqueio.

 As medidas publicadas são muito limitadas. Persiste a proibição de obter créditos, do uso do dólar nas nossas transações financeiras internacionais; impede-se as viagens individuais de norte-americanos sob a licença para os chamados intercâmbios “povo a povo”, estas viagens são condicionadas a fins subversivos e ainda são proibidas as viagens pela via marítima. Continua proibida a aquisição noutros mercados de equipamentos e tecnologias que tenham mais de 10% de componentes norte-americanos e as importações por parte dos Estados Unidos de mercadorias que contenham matérias-primas cubanas, entre muitas outras.

 O presidente Barack Obama poderia utilizar com determinação suas amplas faculdades executivas para modificar substancialmente a aplicação do bloqueio, o que está em suas mãos fazer, ainda sem a decisão do Congresso.

 Poderia permitir em outros setores da economia tudo aquilo que já autorizou no âmbito das telecomunicações, neste caso com evidentes objetivos de exercer influência política em Cuba.

 Tem sido decisiva sua decisão de ter um debate no Congresso com o objetivo da eliminação do bloqueio.

 Os porta-vozes do governo norte-americano têm sido claros em precisar que agora mudam os métodos, mas não os objetivos da política, e teimam nos atos de ingerência em nossos assuntos internos que nós não vamos aceitar. As contrapartes estadunidenses não deveriam propor-se ter um relacionamento com a sociedade cubana como se em Cuba não houvesse um governo soberano (Aplausos).

 Ninguém pode sonhar que a nova política que se anuncia aceite a existência de uma Revolução socialista a 90 milhas da Flórida.

 Quer-se que na Cúpula das Américas do Panamá esteja representada a chamada sociedade civil e isso é o que Cuba desejou sempre. Protestamos por aquilo que ocorreu na Cúpula da Organização Mundial do Comércio em Seattle, nas Cúpulas das Américas efetuadas em Miami e Quebec, na Cúpula da Mudança Climática, de Copenhague, ou quando se reúne o G-7 ou o Fundo Monetário Internacional, em que essa sociedade civil é afastada atrás de cercas de aço, sob uma brutal repressão policial e a dezenas de quilômetros dos eventos.

 É claro que a sociedade civil cubana estará presente e eu espero que não haja restrições para as organizações não governamentais de nosso país que, obviamente, não têm nem lhes interessa ter nenhum status na OEA, mas que contam com o reconhecimento da ONU.

 Espero poder ver no Panamá os movimentos populares e as Organizações Não Governamentais que advogam pelo desarmamento nuclear, as do meio ambiente, as que são contra o neoliberalismo, os Occupy Wall Street e os Indignados desta região, os estudantes universitários e secundaristas, os camponeses, os sindicatos, as comunidades originárias, as organizações que se opõem à poluição do xisto, as que defendem os direitos dos imigrantes, as que denunciam as torturas, as execuções extrajudiciais, a brutalidade policial, as práticas racistas, as que reclamam para as mulheres salário igual por trabalho igual, aquelas que exigem reparação pelos danos das companhias transnacionais.

 Contudo, os anúncios realizados em 17 de dezembro têm provocado o reconhecimento mundial e por isso o presidente Obama recebeu um apoio muito amplo no seu país.

 Algumas forças nos Estados Unidos tentarão fazer abortar este processo que começa. São os mesmos inimigos de um relacionamento justo dos Estados Unidos com a América Latina e o Caribe, são os mesmos que travam as relações bilaterais de muitos países da nossa região com essa nação. São os que sempre fazem chantagens e pressões.

 Sabemos que o fim do bloqueio será um caminho longo e difícil que requererá do apoio, a mobilização e a ação determinada de todas as pessoas de boa vontade nos Estados Unidos e no mundo: da aprovação por parte da Assembleia Geral das Nações Unidas, em sua próxima sessão, da resolução que reclama pôr fim ao bloqueio e, muito particularmente, da ação comum da Nossa América.

 Estimadas Chefas e Chefes de Estado e de Governo:

 Estimados amigos;

 Parabenizamos a Costa Rica, o presidente Solís e ao seu governo pelo trabalho desenvolvido à frente da Celac. Damos as boas-vindas e prestaremos pleno apoio ao Equador e ao presidente Correa, que presidirá a Comunidade em 2015.

Muito obrigado (Aplausos).

...................................................................................................................................................................

Fidel recebe Frei Betto

Em um clima afetuoso, o companheiro Fidel e o destacado intelectual brasileiro Frei Betto tiveram uma conversa amistosa, no decurso da qual abordaram variados temas nacionais e internacionais

 O companheiro Fidel e o destacado intelectual brasileiro Frei Betto tiveram na tarde da terça-feira, 27 de janeiro, uma conversa amistosa, no decurso da qual abordaram variados temas nacionais e internacionais.

 Na conversa, Betto referiu-se ao seu encontro com o papa Francisco, efetuado em 9 de abril do ano passado e  comentou acerca das conferências que ministrou durante a sua presente estada em Cuba.

 A entrevista desenvolveu-se em um clima afetuoso, característico das amplas e fraternais relações existentes entre Fidel e Betto.


Diretor Geral: Lázaro Barredo Medina. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital:
http://www.granma.cu/

Correo-E | Inglés | Francés | Espanhol | Alemán | Italiano |

TEMATICAS de Granma Internacional
[ CUBA ] [
Nossa América ] [ INTERNACIONAIS ] [ CULTURA ] [ ESPORTES ] [ Mais Informações ]

© Copyright. 1996-2015. Todos os direitos reservados. Granma Internacional / Edição Digital. Cuba