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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 4 Dezembro, de 2013

 

Programa Mais Médicos no Brasil
Apostando na vida

LAURA BÉCQUER PASSEIRO

 BRASIL ganha cada vez mais espaço como potência econômica mundial. Contudo, como a maioria das nações do chamado Terceiro Mundo, ainda tem que mudar muito para se desfazer dos efeitos do subdesenvolvimento, forjado na colonização escravista e posteriormente no neoliberalismo. A saúde é um dos setores nos que se tem apostado com força, a partir da tomada do poder por parte do Partido dos Trabalhadores (PT), primeiro com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e depois com a atual mandatária Dilma Rousseff.

 Os protestos populares que tiveram lugar em junho deste ano aceleraram a aprovação de várias medidas que vinham sendo discutidas no Congresso, mas que se tinham defrontado com certa resistência. Entre elas, a de destinar 75% das receitas do petróleo à educação e 25% à saúde, em resposta à demanda da cidadania de melhor cobertura sanitária.

 No mês seguinte estava na mesa a proposta do programa de saúde Mais Médicos, com vista a satisfazer a carência de profissionais do setor, um fenômeno sistêmico que não é exclusivo da medicina e se agravou durante os passados governos neoliberais, mais preocupados pelas receitas do FMI do que pela qualidade de vida da população.

 Mas no caso brasileiro, o problema não só está na falta de pessoal qualificado, mas sim na sua distribuição territorial. Boa parte dos profissionais com que conta o país não exerce sua profissão nas áreas remotas e pobres do interior, majoritariamente do Norte e do Nordeste, aludindo, entre outras razões, à falta de infraestrutura.

 O gigante sul-americano é um dos países com menor densidade médica por habitantes, com só 1,8 médico em cada mil pessoas. As regiões mais afetadas são o Norte e o Nordeste, historicamente atrasadas respeito ao Sul. Assim, os estados que lideram a mais baixa densidade médica são Maranhão (0,58), Amapá (0,76), Pará (0,77) e Piauí (0,92). Entretanto, os estados com maior densidade são: o Distrito Federal (3,46), Rio de Janeiro (3,44), São Paulo (2,49) e Rio Grande do Sul (2,23).

 À concentração de galenos nas zonas mais ricas do Sul, se acrescenta o fato de que a geração de postos de trabalho ali é superior aos profissionais que se formam. Só em 2011 foram criados quase 19 mil postos de trabalho, mas só se graduaram 13 mil alunos de Medicina, de acordo com estatísticas oficiais.

Dados do Ministério brasileiro de Saúde indicam que no atendimento primário mais de 1.900 municípios têm menos de um médico por 3 mil habitantes. Uma investigação do próprio Ministério mostrou que nos municípios do interior e na periferia dos grandes centros urbanos, onde impera a violência, se torna difícil, muitas vezes, o trabalho dos médicos e que mantê-los trabalhando nesses lugares é tamanho desafio.

 A meta do governo é chegar aos 2,7 médicos em cada mil habitantes, mas para isso são necessários 168.424 profissionais da saúde.

 Eis onde começa a desempenhar seu papel o plano Mais Médicos. Este plano propõe, entre outros assuntos, a contratação de especialistas estrangeiros para assistir os cidadãos nas zonas rurais e intrincadas, aonde não chegam os profissionais brasileiros.

 Os galenos contratados de países como Cuba, Espanha, Portugal, Argentina e Uruguai, recebem um curso de adestramento de quatro semanas, prévio ao início de seu trabalho. Estes médicos só poderão trabalhar para o Sistema Único de Saúde (SUS), que recebe orçamento federal, mas é administrado pelas prefeituras.

 Após assinar a lei que instituiu o Mais Médicos, Rousseff ressaltou que passados três meses do andamento da iniciativa, já 4,2 milhões de cidadãos tinham recebido atendimento médico.

 "O Mais Médicos começa a mudar o sistema de saúde da nação e sua implementação significa menos doentes nos grandes hospitais, menos filas, melhor atenção e profissionais menos sobrecarregados", destacou a presidente.

 Também pôs ênfase em que para finais do ano 2013 mais de 3.5 mil médicos estarão incorporados ao programa.

 Contudo, o governo está consciente de que uma iniciativa não resolve o problema. A esse respeito, o ministro brasileiro de Saúde, Alexandre Padilha, comentou que "sabemos que não vamos resolver de imediato os problemas de saúde do país, mas se trata de um passo importante, que conta com o respaldo das pessoas".

 Es por isso que entre as medidas tomadas pelo Governo se encontram a abertura de 2.415 vagas nos cursos de Medicina em 2014, e a de novas vagas nos estados que mais precisarem.

 Apesar de seus nobres propósitos, o Mais Médicos sofreu a resistência de alguns setores do grêmio brasileiro de saúde. Contudo, isso foi superado devido ao forte apoio da população mais necessitada e eixo do projeto, a qual tem defendido seu direito a contar com um atendimento primário de saúde mais decente.

 

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