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Detalhes de outra rede ilegal financiada pelos EUA
contra Cuba
Joaquín Rivery Tur
A firmeza de Cuba e os fracassos
contra a Revolução provocam inquietação na
administração norte-americana. Se o chamado Twitter
cubano foi uma mancada de maior, o governo
norte-americano ainda teima na ideia de achar a
forma de influir na população da Ilha, para tentar
espalhar a peçonha contrarrevolucionária eletrônica
nos ouvidos de tudo aquele que tenha um telefone
celular.
Segundo um artigo publicado pelo
The New York Times, veio à baila que a administração
estadunidense entregou US$ 2,8 milhões a um grupo de
hackers e ativistas e especialistas em programação,
para estes desenvolverem um sistema de redes que
permitisse a pessoas afins aos interesses de
Washington, em diferentes recantos do mundo,
comunicar-se sem a interferência dos seus governos,
mediante a Internet.
O jornal estadunidense garante
que a Zunzuneo foi testada na pequena cidade de
Sayada, na Tunísia. A Agência dos Estados Unidos
para o Desenvolvimento Internacional (Usaid)
“outorgou uma subvenção à New America Foundation
(batizada como uma ONG) para fazer com que essa
plataforma estivesse disponível em Cuba”, disse o
porta-voz da Agência, Matt Herrick, com o qual essa
entidade teima em fazer ações de desestabilização
contra o país socialista do Caribe.
A Usaid entregou US$ 4,3 milhões
para criar este tipo de redes. O software,
denominado Commotion, é um importante redesenho de
sistemas de conexão sem fios, que foram sendo
executados, durante anos, por especialistas da
Europa toda, garante o jornal. Contudo, segundo
expôs o porta-voz, “estamos revendo o programa e não
é operativo para Cuba, neste momento”.
Ora, trata-se de um sistema que
envia, sem serem solicitados, primeiramente anúncios
de publicidade, críticas menores aos programas
sociais, e depois vai intensificando-as, além de
outros métodos, para acabar enviando propaganda
contrarrevolucionária aberta a mentes predispostas
com antecedência.
Aliás, mais tarde estaria
destinada a outras nações latino-americanas, onde os
governos populares estão enfrentando os Estados
Unidos.
George W. Bush travou a guerra
no Iraque baseada nas mentiras. Agora, Obama tenta
concorrer com ele, com o objetivo de verificar a
qual dos dois presidentes podem ser atribuídas mais
simulações.
A melhor forma que Obama achou
para “cumprir promessas eleitorais” foi teimar na
mesma política de Bush, relativamente à espionagem,
protegido por seu grande poder militar e
tecnológico, que na sua passagem causou enormes
escândalos no mundo todo.
A Casa Branca de Obama deu uma
guinada, se virando para a espionagem eletrônica,
segundo diz, para “lutar contra o terrorismo”.
O The New York Times revelou a
aresta oculta no discurso do presidente dos Estados
Unidos, quando autorizou a Agência Nacional de
Segurança (NSA, por suas siglas em inglês), que
tirasse vantagem do achado de falhas de segurança em
programas para servidores da Internet, o que
permitiria revelar as chaves pessoais de milhões de
usuários e, em vez de avisar aos autores do sistema
e ao público, aproveitaram isso para vigiar um
número ainda não determinado de pessoas, empresas e
governos. Em Cuba, o Zunzuneo ainda zumbe nos
ouvidos.
Um editorial do jornal mexicano
La Jornada sublinha que a falha antes mencionada,
conhecida como Heartbleed (Coração sangrante) e
tornada pública há apenas uns dias, permite o roubo
de informação cifrada, armazenada em servidores, com
nomes e senhas de contas no Facebook, Gmail, Google,
Yahoo, Dropbox, Soundcloud e outros serviços das
redes sociais, de intercâmbio de imagens, de música
e blogs.
No teor do expresso por La
Jornada, na enxurrada de revelações acerca das
atividades de vigilância furtiva — e ilegal de
acordo com as legislações de muitos países —
implementadas pelo governo dos Estados Unidos, esta
seria a primeira que envolve diretamente o
mandatário desse país.
Anteriormente, Barack Obama
escondia-se atrás do argumento de que não conhecia
os pormenores (conhecia mesmo!) dos amplos
dispositivos de espionagem desenvolvidos pela NSA,
dados a conhecer depois que o empreiteiro dessa
dependência, Edward Snowden, os filtrasse e se
tornassem públicos.
Por isso, o Escritório Oval da
Casa Branca está rangendo e aparecem gretas. E uma
implicação muito mais grave da informação difundida
pelo The New York Times é que o governo de
Washington, no seu afã de obter, de forma ilícita,
dados confidenciais acerca de indivíduos,
corporações e instituições oficiais (sobretudo de
líderes governamentais populares e da esquerda, os
dois extremos) poderia ter deixado desprotegidos os
usuários da Internet do mundo todo, frente às
atividades de delinquentes cibernéticos, que vieram
se aproveitando da falha de segurança nos servidores
para defraudar, extorquir, substituir identidades,
obter informação para cometer sequestros e outro
sem-número de ilegalidades.
O jornal La Jornada é taxativo
ao afirmar que resulta grotesca a justificação dada
pelo governo estadunidense para justificar suas
ações de espionagem, sobre a base de uma pretensa
preocupação pela segurança nacional quando, para
levar a termo esta vigilância furtiva, abre mão da
segurança dos seus cidadãos, de suas empresas e,
inclusive, de suas próprias dependências do
governo”.
O que
veio fazendo Washington, a julgar pela informação
filtrada, é se aproveitar da zona escura dos erros
de programação e lançar mão dos próprios métodos que
utiliza a criminalidade cibernética, para atacar
suas vítimas. E isso espelha, de maneira
preocupante, mas fiel, a queda moral rumo à qual vai
caminhando o poder estadunidense, nos tempos de
Obama.
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