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Cuba aumenta produção de fármaco para
tratar da Hepatite C crônica
• O esforço permitirá maior cobertura
terapêutica nacional com o PEG-Heberon, desenvolvido
pelo Centro de Engenharia Genética e Biotecnologia
de Havana
Lilliam Riera
UM número cada vez maior de pacientes cubanos que
padecem de hepatite C crônica poderá ter os
benefícios do tratamento com PEG-Heberon, um fármaco
desenvolvido pelo Centro de Engenharia Genética e
Biotecnologia (CIGB) de Havana, que inclui melhoras
tecnológicas para incrementar a capacidade produtiva
deste fármaco.
A informação foi dada ao Granma Internacional
pelo especialista clínico de Heber Biotec S.A.,
Doutor em Ciências Hugo Nodarse Cuní, quem afirmou
que o aumento da produção permitirá entregar ao
sistema nacional de saúde o medicamento necessário
e, desta forma, conseguir maior cobertura
terapêutica.
PEG-Heberon é o nome comercial do interferon
alfa-2b peguilado, um fármaco cubano com
propriedades similares a outros produtos de seu tipo
que se comercializam no mundo, especificamente para
o tratamento da hepatite C crônica.
Segundo explicou o chefe do Departamento de
Oncologia e outros projetos, da Direção de Pesquisas
Clínicas do CIGB, Nodarse Cuní, a semelhança
biológica foi demonstrada por estudos que avaliaram
seu comportamento no organismo e os mecanismos de
sua ação, além de outros sobre segurança biológica.
O biofármaco foi desenhado para reduzir o número de
aplicações parenterais no paciente e conseguir que
se mantenham os níveis estáveis do remédio no
sangue, o que significa maior e melhor controle da
doença.
Este resultado tem sido possível porque Cuba conta
com a tecnologia necessária e uma experiência
acumulada em mais de 30 anos na produção de
interferon.
Primeiramente, conseguiram o interferon alfa
leucocitário natural, a partir do sangue de
doadores, e depois, mediante técnicas de engenharia
genética, os interferones alfa-2b e gamma
recombinantes.
Seria bom lembrar que com a obtenção do interferon
em sua forma natural (leucocitária), em 28 de maio
de 1981, cientistas cubanos tornaram realidade uma
ideia de Fidel e deram o primeiro passo no
desenvolvimento da biotecnologia no país.
Desde dezembro de 2009, o PEG-Heberon tem um
registro sanitário outorgado pelo Centro para o
Controle Estatal de Medicamentos, Equipamentos e
Dispositivos Médicos (Cecmed), que inclui seu
emprego na hepatite crônica dos tipos B e C, sendo
esta última a indicação mais distinta.
Soube-se que num futuro o registro poderia
estender-se a seu emprego na terapia do melanoma
(lesão tumoral), uma indicação reconhecida no mundo
para o interferon peguilado.
Em 2010, o remédio entrou no quadro básico de
medicamentos, composto por 888 fármacos essenciais,
e no ano seguinte iniciou sua aplicação no sistema
nacional de saúde, para ser distribuído em nível
hospitalar, de forma gratuita para o paciente.
“Um esforço conjunto do CIGB e do Ministério da
Saúde Pública permitiu, em 2011, começar seu uso,
como parte de uma terapia combinada com ribavirina,
em três hospitais de Havana, experiência que depois
continuou sendo aplicada em outros centros médicos
do país”, explicou o especialista clínico.
No tratamento da hepatite C crônica, a injeção
subcutânea dum bulbo de 180 microgramas de
PEG-Heberon semanal, se combina com a administração
diária, via oral, do remédio antiviral ribavirina,
em doses ajustadas periodicamente ao peso corporal
do paciente.
A duração do tratamento pode flutuar entre 12 e 72
semanas, em dependência do genótipo viral (forma de
se apresentar o vírus) do paciente e do resultado
das avaliações relativamente à diminuição do vírus
no sangue.
Nodarse Cuní afirmou que, do ponto de vista
clínico, o tratamento combinado com o emprego do
PEG-Heberon e ribavirina resulta 27% mais efetivo na
eliminação do vírus da hepatite C crônica no sangue,
que o conseguido com a monoterapia de interferon
alfa convencional.
Segundo as estatísticas disponíveis, até o ano
2014, mais de 800 doentes com hepatite C crônica já
foram tratados em Cuba com o PEG-Heberon, mas esse
número tem aumentado, na medida em que a nação
conseguiu dispor de maior capacidade em seus
laboratórios para o diagnóstico e acompanhamento
evolutivo do tratamento.
O especialista clínico adiantou que se realizam
trâmites em vários países para conseguir o registro
sanitário do PEG-Heberon, o que permitiria sua
exportação a mercados estrangeiros.
No ano passado, o produto recebeu o Prêmio Nacional
de Saúde e em 2012 o de Inovação Tecnológica,
entregue pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e
Meio Ambiente.
Igualmente, soube-se que o PEG-Heberon estará
presente na Feira Internacional de Havana, que terá
lugar em novembro próximo, como parte da pasta da
Heber Biotec S.A.
Esta empresa é uma das nove
importadoras-comercializadoras que possui
BioCubaFarma, grupo da Indústria Biotecnológica e
Farmacêutica, surgido em 27 de novembro de 2012 e
que o ano passado se tornou no maior exportador de
bens da Ilha.
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