O público que ama a leitura aguda
conta com o texto Retrato de uma ausência,
escrito pelos jornalistas cubanos Nyliam Vázquez
García e Oliver Zamora Oria, que destaca a história
de cinco homens culpados injustamente nos Estados
Unidos.
O volume expõe fragmentos de
entrevistas, imagens, fotografias, declarações,
cartas e denúncias; pormenoriza aspectos tanto
éticos como legais e humanos; descreve a dor dos
familiares das vítimas do terrorismo e o otimismo
das esposas, mães, filhos, amigos e pessoas
solidárias com Gerardo Hernández, Ramón Labañino e
Antonio Guerrero.
Com um diálogo loquaz, nas
apresentações realizadas na capital cubana, marcaram
presença os heróis René González e Fernando
González, integrantes do grupo dos Cinco e
libertados após cumprirem na íntegra suas sentenças.
Nas palavras introdutórias, Fernando
destacou: "O leitor deste livro vai encontrar em
suas páginas uma história de luta, de resistência,
sofrimento e também de amor, irmandade e
solidariedade".
Nos parágrafos seguintes fez um
chamamento a não esmorecer na batalha para libertar
seus companheiros ainda presos: "Como indivíduos de
consciência, revolucionários cubanos e pessoas
honestas do mundo todo; seres sensíveis, seja qual
for nossa procedência e país de origem ou de
residência, devemos sentir-nos indignados ante a
arbitrariedade do processo judicial através do qual
eles foram julgados, o tratamento recebido e o
despótico fato de que, depois de 15 anos de terem
sido presos, ainda continuam no cárcere".
O livro está dividido em quatro
capítulos que reúnem passagens da história do
terrorismo contra Cuba, a partida dos Cinco para os
EUA até sua detenção, em 12 de setembro de 1998; o
arranjado e fraudulento processo legal ao qual foram
submetidos, e a crescente solidariedade
internacional pela causa.
O prólogo, escrito pela poetisa
Nancy Morejón, Prêmio Nacional de Literatura,
enfatiza que estes heróis se tornaram "emblema de
resistência transparente, símbolo pátrio que, com
sua insólita energia, têm superado todos os
pressupostos ideológicos conhecidos e que a
solidariedade internacional tem reconhecido como um
fato excepcional da cena política de Ocidente".
Depois de dois anos de profunda
investigação sai à luz Retrato de uma ausência,
que em suas páginas recreia obras do artista
plástico René Rancaño, e fotografias de arquivo do
fotorrepórter Ismael Francisco Arceo, conseguindo
penetrar os sentimentos do leitor, sem lançar mão de
uma linguagem cursi, além dos discursos habituais.
O grande desafio desta obra
testemunhal está em chegar ao público estadunidense,
afastado em sua maioria dos pormenores do caso,
devido ao silêncio informativo da grande imprensa de
seu país.