Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

N o s s a   A m é r i c a

Havana. 3 de Maio de 2011

HAITI
Lucrar com a desgraça
 O que acontece com as ONGs no Haiti?

Amelia Duarte de la Rosa (enviada especial)

NINGUÉM sabe exatamente quantas organizações não-governamentais (ONGs) permanecem atualmente no Haiti. Acontece que, quando há dois anos, o terremoto abriu a fenda à ajuda humanitária, na nação — conhecida como o país das ONGs — já existia o capitalismo do desastre. Centenas destas organizações recorreram ao socorro e com elas suas supostas ajudas benéficas, as quais, hoje, sabemos que jamais chegaram completamente ao povo.

Centenas de ONGs mostraram-se solidárias quando o terremoto de 2010 e muitas delas ajudaram muito em vários setores, mas atualmente se desconhece quantas permanecem no Haiti.
Centenas de ONGs mostraram-se
 solidárias quando o terremoto
 de 2010 e muitas delas ajudaram
 muito em vários setores, mas
 atualmente se desconhece quantas
 permanecem no Haiti.

Contudo, embora não tenhamos dúvida do papel importante que muitas desempenharam na saúde, no ensino e na habitação, porque, para sermos realistas, em etapa de emergência qualquer apoio é bem recebido, a catástrofe somente intensificou a dependência da ajuda internacional e, pior ainda, a presença de ONGs capitalistas, que viram no caos a chance de aumentar os milhões de suas contas pessoais.

A onda de solidariedade que mexeu o mundo era canalida através dessas organizações, que colocaram em seus sites, números de telefone e contas bancárias para que as pessoas efetuassem transferências de dinheiro. Para termos uma ideia, estima-se que foram doados US$ 1,6 bilhão e mais de US$2 bilhões, no total, para a recuperação, nestes últimos anos.

O descontrole, a falta de supervisão dos fundos e a precariedade do país, deram passagem a uma das maiores concentrações de organizações humanitárias per capita no planeta. O impacto do neoliberalismo converteu a ajuda num negócio rentável. Com a bandeira da beneficência, as ONGs assentaram-se em hotéis e casas luxuosas, enquanto a maioria dos habitantes de Porto Príncipe continuava nos campos de refugiados, padecendo as consequências do sismo.

Onipresentes em todo o território, as ONGs ganharam força e notoriedade. Não obstante, após dois anos, seus montantes milionários não estão diretamente ligados às causas de apoio e ajuda humanitária. Seria bom então perguntar-se, quão eficaz tem sido o trabalho das ONGs? , pois o Haiti recebeu apenas um centavo em cada dólar, os outros 99 centavos ficaram nas bolsas dessas organizações.

Um artigo da agência AP, publicado na imprensa local, revela que dos US$ 379 milhões destinados pelos Estados Unidos, 43 centavos em cada dólar foram dirigidos a ONGs ou a organizações internacionais, como Save the Children e o Programa Mundial de Alimentos (PMA). Além de que os principais beneficiários da ajuda norte-americana foram seus próprios militares, enviados durante a emergência.

Igualmente, um estudo do site www.Counterpunch informa que o Fundo Clinton-Bush arrecadou, desde janeiro de 2010, US$ 54 milhões e financiou, com US$ 2 milhões, a construção dum hotel, cujo custo ascendia a US$ 29 milhões. Uma reportagem publicada, em 12 de janeiro de 2012, pela revista Correio Internacional, indica que as ONGs estadunidenses se apropriaram da maior parte do dinheiro oferecido para ajudar o Haiti. Exemplo disto é que a muito conhecida Usaid, empregara menos de 1% dos US412 milhões destinados para a reconstrução.

Por outra parte, a ONU informou que, dos US$ 2,4 bilhões de fundos para operações humanitárias, mais de 30% retornou aos países doadores para pagar a seus cidadãos, envolvidos na resposta depois do desastre.

Tanto dinheiro, com o pretexto da caridade, e somente uma mínima parte chegara a seus verdadeiros destinatários. Em definitiva, quanto recebeu o governo haitiano? Em recentes declarações, o presidente Michel Martelly denunciou que os recursos das ONGs têm sido utilizados para a compra de carros e casas de luxo. Entretanto, dos US$ 5,3 bilhões prometidos a seu governo, somente têm sido transferidos US 1,2 bilhão. Nem sequer o presidente pode especificar onde foram investidos todos esses fundos manipulados pelas ONGs , que supostamente trabalham na reconstrução da nação mais pobre da América.

A atual administração foi categórica e expressou a necessidade de receber os fundos para ter um melhor controle e, caso forem recebidos pelas ONGs, os representantes devem reunir-se com as autoridades, para conhecer as prioridades dos haitianos.

A verdadeira questão está na administração dos recursos arrecadados por estas organizações. O assunto é difícil, mas nada é impossível. Em várias ocasiões, Martelly expressou que o Haiti não quer nada de presente. Para lutar pela soberania, a caridade oportunista não é uma opção.
 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Lázaro Barredo Medina. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2012. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir