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Havana. 14 de Dezembro, de 2011

Carta do Haiti

Amelia Duarte de La Rosa — Enviada especial

CONSERVADA em sua história através dos séculos,Jacmel, capital do sudeste haitiano, fundada em 1698, é uma cidade costeira localizada a 90 km do bulício e agitação de Porto Príncipe. Ainda sobrevivem na urbe, acima dos obstáculos, casas com um projeto semelhante a nossa arquitetura colonial. Diversos estilos, antigos, modernos e rústicos complementam a atmosfera tranquila e fresca de Jacmel. Há muitas coincidências e influências: desde o verão eterno e inclemente até a esplêndida geografia montanhosa e marítima.


Na foto, Rhéza Bouchard escrevendo sua mensagem de agradecimento a Fidel.

Mas chegar a Jacmel por rodovia é esgotador. Ninguém fala no caminho, é como se o silêncio pudesse perceber o risco de uma rota que, durante quase duas horas, se encurva em mais de 300 curvas entre as montanhas. No entanto, a razão da chegada é motivada por um encontro particular. Um Clube de Amigos de Cuba, integrado por umas 30 pessoas da região, mostra sua solidariedade com os cooperadores que trabalham e celebram os 13 anos da Brigada Médica no Haiti.

Criado em 2005, com a primeira graduação de estudantes haitianos em Cuba, o clube teve seus antecedentes num comitê de apoio com os cubanos que viviam na cidade e em Cayes Jacmel, onde está localizado o Hospital de Referência Comunitária. Seus membros manifestam carinho e apoio a nosso povo, falam espanhol, conhecem nossa história e, inclusive, nas suas intervenções, denunciam o bloqueio econômico e a injusta prisão dos Cinco.

O diálogo flui, é gratificante saber que nos querem e nos reconhecem. Rheza Boucard, atual presidenta do clube, assevera que sempre apoiará os cubanos. "Estaremos com os cubanos quando precisam de nós. Apesar de que não falamos o mesmo idioma, os sentimos como irmãos e sabemos que é difícil estar longe da família num país estrangeiro. Agora, pretendemos erigir um centro para compartilhar mais e atendê-los melhor".

Ademais, Rheza confessa que tem muito que agradecer e não é apenas porque está casada com o cubano Armando González, licenciado em enfermagem. "Durante todo este tempo conheci pessoas magníficas, doutores, enfermeiros e colaboradores que nunca esquecerei. Cada vez que olho as fotos me inundo de lembranças. Quisera voltar a vê-los todos", comenta emocionada esta mulher de 61 anos, também enfermeira e que, como muitos haitianos, residiu um tempo em Brooklin, EUA.

Enquanto relata alguns dos bons momentos, algo acontece em Rheza que sua voz começa a entrecortar-se, suas palavras se misturam com o francês, o crioulo e o espanhol. Tento ajudá-la a terminar de falar. Dou-lhe uma folha de papel e peço-lhe que escreva o que quer dizer: "Não sei que palavras usar para agradecer ao comandante-em-chefe Fidel Castro sua coragem, humanismo, bondade e grandeza: Ninguém é como ele! Obrigada do fundo do meu coração"
 

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