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Mercosul rumo a construção
da Pátria Grande
Juan Diego Nusa Peñalver
ESTE
31 de julho de 2012 será lembrado para sempre na
história da América Latina e do Caribe, como um
passo de gigante, com a entrada da Venezuela no
Mercado Comum do Sul (Mercosul), na primeira
ampliação dessa união alfandegária nos 21 anos de
sua existência.
Mas
também será lembrado como o fracasso da política
imperial dos Estados Unidos contra a região, que já
não pode dominar a seu antojo, como antanho.
Para
o economista, jornalista, político e sociólogo
argentino Atílio A. Borón, a entrada da Venezuela no
Mercosul, após uma espera de seis anos, constitui,
do ponto de vista geopolítico, a maior derrota
diplomática estadunidense desde o descalabro da Área
de Livre Comércio das Américas (AlCA)
Beatriz Miranda, do jornal colombiano El
Espectador, escreve a respeito disto e define o
acontecimento como um golo estratégico, pois a
entrada da nação andina concede ao bloco maior peso
de poder (econômico e comercial).
Analistas consideram que em termos geopolíticos, a
chegada de Caracas representa a possibilidade de uma
maior inserção do Brasil nos Andes e no Caribe, bem
como o acesso da Venezuela ao atlântico sul. Dessa
forma, o Mercosul vira integração estratégica, cuja
identidade será amazônica, atlântica, caribenha e
andina, além de que haverá uma forte integração
energética.
Sem
dúvida, este passo audaz afetará, a longo prazo, os
interesses dos Estados Unidos na região, pois
impediria a Venezuela assinar um tratado de livre
comércio com esse país, que não renuncia a
reconquistar as riquezas petroleiras da República
Bolivariana.
Não
é segredo que com o potencial energético da
Venezuela (segundo a Opep possui a maior reserva de
petróleo do mundo: 297.570 milhões de barris), o
vigor industrial do Brasil (sexta economia em nível
mundial) e as possibilidades agrícolas da Argentina
e do Uruguai, este espaço de convergência criado em
26 de março de 1991 pelo Tratado de Assunção, para a
livre circulação de bens, serviços e fatores
produtivos entre países, o estabelecimento dum
aranzel externo comum e a adoção duma política
comercial comum, a coordenação de políticas
macroeconômicas e setoriais entre os Estados partes
e a harmonização das legislações para conseguir o
fortalecimento do processo de integração, adquire um
papel estratégico.
Com
certeza, os Estados Unidos não puderam impedir que
esta união alfandegária, integrada agora por Brasil,
Argentina, Uruguai e Venezuela (Paraguai está
suspendida por causa do golpe de Estado parlamentar
express contra o presidente Fernando Lugo) se
fortaleça e promova, consequentemente, políticas
econômicas e sociais soberanas, em correspondência
com os interesses nacionais, afastadas dos ditames
das desprestigiadas instituições financeiras de
Bretton Wood e do antidemocrático Consenso de
Washington.
Para
nada serviu à Casa Branca auxiliar-se da retrógrada,
corrupta e oligarca direita paraguaia, apoiada pelo
Senado desse país sul-americano, para impedir mais
Mercosul e fazê-lo mas atrativo para nações como a
Bolívia, Equador e outros Estados da região.
Washington não pôde deter a inexorável marcha da
história.
Do
Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, o
presidente venezuelano, Hugo Chávez, assinalou a
importância histórica da unidade dos países
latino-americanos para o desenvolvimento
independente de seus povos, onde o Mercosul
representa a plataforma para as mudanças
necessárias.
“Estamos em nossa exata perspectiva histórica, nosso
norte é o sul, estamos onde devimos estar sempre,
estamos onde Bolívar nos deixou pendente para estar
e ser”, segundo expressou o líder bolivariano na
sessão extraordinária do grupo, realizada em
Brasília, capital do Brasil.
Acontece que se vai reconfigurando um balanço que
permitirá a América do Sul falar em condições de
maior igualdade com outros centros de poder, que
como os próprios EUA ou a União Europeia somente
aceitam a subordinação, sujeição e o entreguismo
antinacional ao insaciável apetite de suas
multinacionais.
CONSTRUIR A PÁTRIA GRANDE
Para
os analistas, com a incorporação da Venezuela ao
grupo sul-americano nasceu a quinta potencia
econômica mundial, que se estende da Patagônia ao
Caribe, por quase 13 milhões de quilômetros
quadrados, reúne mais de 270 milhões de habitantes
(70% da população da América do Sul) e conforma um
impressionante e gigantesco bloco com a maior
reserva de petróleo, industrialização pujante e um
enorme potencial para produzir alimentos.
Além
disso, vai dispor dum Produto Interno Bruto (PIB) a
preços correntes de US$3,3 bilhões, equivalente a
83,2% do PIB do Cone Sul Americano e da maior
reserva de biodiversidade e de água doce do planeta,
uma realidade que deverão levar em conta na
geopolítica mundial, por exemplo, o seleto clube das
potencias industriais do Grupo dos Oito (G-8), e
inclusive gigantes emergentes como a China e a
Índia, que têm uma posição mais construtiva nas
relações econômicas internacionais.
O
economista venezuelano Jose Gregório Pina destaca
que se num princípio o país andino oferecia ao
Mercado Comum do Sul somente petróleo e divisas,
“agora o panorama é diferente, pois poderá
desenvolver seu potencial produtivo através duma
relação mais completa com as nações membros do
bloco, que abrange o comércio complementar, uma nova
arquitetura financeira, um investimento regional
interno e livre circulação de pessoas e de postos de
trabalho, e outros”.
Caracas convida às empresas do Mercosul a
participarem da construção de moradias para o povo
venezuelano, com uma meta de três milhões de
unidades familiares, bem como a trabalharem, de
forma conjunta com o Estado para desenvolverem
outros projetos sociais, industriais e agrícolas
para o desenvolvimento do país. A nova Venezuela
quer deixar atrás o modelo em que os EUA a assumiu e
que somente deixou desigualdade social e extrema
pobreza.
Este
esforço estará favorecido com a criação pelo bloco
dum Fundo de Convergência Estrutural para reduzir as
desigualdades entre as nações, no melhor espírito de
solidariedade que deve existir com os menos
desenvolvidos.
“Trata-se duma experiência para reduzir as
desigualdades de nossos países e promover o
desenvolvimento regional equilibrado”, disse durante
a Cúpula Extraordinária a presidenta do Brasil,
Dilma Rousseff, que também informou que essa
instância já aprovou 40 projetos que serão
desenvolvidos na região, com um montante inicial de
US$1,1 bilhões. Uma boa notícia à qual se
acrescentou o anúncio de que o organismo
sul-americano entregará o credito necessário para
desenvolver a economia desta parte do mundo.
PROTEGER O MERCOSUL
É de
esperar que o império não fique de braços cruzados,
como o demonstrou nas suas ações contra os processos
progressistas de Honduras e Paraguai, e que
utilizará seu arsenal para impedir uma América do
Sul unida, próspera e forte, capaz de desafiar sua
hegemonia política e econômica global.
A
voz de alerta foi dada pela presidenta da Argentina,
Cristina Fernández de Kirchner, que instou os países
do Mercosul a criarem “os instrumentos e as
instituições que tornem indestrutível e indivisível
este novo bloco de poder”. A presidenta condenou as
tentativas das nações imperialistas de debilitar a
América do Sul.
O
Mercosul vai em direção a Pátria Grande, à qual
aspiram com todo seu direito os latino-americanos e
caribenhos.
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