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N o s s a   A m é r i c a

Havana. 13 de Agosto de 2012

Mercosul rumo a construção
da Pátria Grande

 Juan Diego Nusa Peñalver

ESTE 31 de julho de 2012 será lembrado para sempre na história da América Latina e do Caribe, como um passo de gigante, com a entrada da Venezuela no Mercado Comum do Sul (Mercosul), na primeira ampliação dessa união alfandegária nos 21 anos de sua existência.

Mas também será lembrado como o fracasso da política imperial dos Estados Unidos contra a região, que já não pode dominar a seu antojo, como antanho.

Para o economista, jornalista, político e sociólogo argentino Atílio A. Borón, a entrada da Venezuela no Mercosul, após uma espera de seis anos, constitui, do ponto de vista geopolítico, a maior derrota diplomática estadunidense desde o descalabro da Área de Livre Comércio das Américas (AlCA)

Beatriz Miranda, do jornal colombiano El Espectador, escreve a respeito disto e define o acontecimento como um golo estratégico, pois a entrada da nação andina concede ao bloco maior peso de poder (econômico e comercial).

Analistas consideram que em termos geopolíticos, a chegada de Caracas representa a possibilidade de uma maior inserção do Brasil nos Andes e no Caribe, bem como o acesso da Venezuela ao atlântico sul. Dessa forma, o Mercosul vira integração estratégica, cuja identidade será amazônica, atlântica, caribenha e andina, além de que haverá uma forte integração energética.

Sem dúvida, este passo audaz afetará, a longo prazo, os interesses dos Estados Unidos na região, pois impediria a Venezuela assinar um tratado de livre comércio com esse país, que não renuncia a reconquistar as riquezas petroleiras da República Bolivariana.

Não é segredo que com o potencial energético da Venezuela (segundo a Opep possui a maior reserva de petróleo do mundo: 297.570 milhões de barris), o vigor industrial do Brasil (sexta economia em nível mundial) e as possibilidades agrícolas da Argentina e do Uruguai, este espaço de convergência criado em 26 de março de 1991 pelo Tratado de Assunção, para a livre circulação de bens, serviços e fatores produtivos entre países, o estabelecimento dum aranzel externo comum e a adoção duma política comercial comum, a coordenação de políticas  macroeconômicas e setoriais entre os Estados partes e a harmonização das legislações para conseguir o fortalecimento do processo de integração, adquire um papel estratégico.

Com certeza, os Estados Unidos não puderam impedir que esta união alfandegária, integrada agora por Brasil, Argentina, Uruguai e Venezuela (Paraguai está suspendida por causa do golpe de Estado parlamentar express contra o presidente Fernando Lugo) se fortaleça e promova, consequentemente, políticas econômicas e sociais soberanas, em correspondência  com os interesses nacionais, afastadas dos ditames das desprestigiadas instituições financeiras de Bretton Wood e do antidemocrático Consenso de Washington.

Para nada serviu à Casa Branca auxiliar-se da retrógrada, corrupta e oligarca direita paraguaia, apoiada pelo Senado desse país sul-americano, para impedir mais Mercosul e fazê-lo mas atrativo para nações como a Bolívia, Equador e outros Estados da região. Washington não pôde deter a inexorável marcha da história.

Do Palácio do Planalto, sede do governo brasileiro, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, assinalou a importância histórica da unidade dos países latino-americanos para o desenvolvimento independente de seus povos, onde o Mercosul representa a plataforma para as mudanças necessárias.

“Estamos em nossa exata perspectiva histórica, nosso norte é o sul, estamos onde devimos estar sempre, estamos onde Bolívar nos deixou pendente para estar e ser”, segundo expressou o líder bolivariano na sessão extraordinária do grupo, realizada em Brasília, capital do Brasil.

Acontece que se vai reconfigurando um balanço que permitirá a América do Sul falar em condições de maior igualdade com outros centros de poder, que como os próprios EUA ou a União Europeia somente aceitam a subordinação, sujeição e o entreguismo antinacional ao insaciável apetite de suas multinacionais.

CONSTRUIR A PÁTRIA GRANDE

Para os analistas, com a incorporação da Venezuela ao grupo sul-americano nasceu a quinta potencia econômica mundial, que se estende da Patagônia ao Caribe, por quase 13 milhões de quilômetros quadrados, reúne mais de 270 milhões de habitantes (70% da população da América do Sul)  e conforma um impressionante e gigantesco bloco com a maior reserva de petróleo, industrialização pujante e um enorme potencial para produzir alimentos.

Além disso, vai dispor dum Produto Interno Bruto (PIB) a preços correntes de US$3,3 bilhões, equivalente a 83,2% do PIB do Cone Sul Americano e da maior reserva de biodiversidade e de água doce do planeta, uma realidade que deverão levar em conta na geopolítica mundial, por exemplo, o seleto clube das potencias industriais do Grupo dos Oito (G-8), e inclusive gigantes emergentes como a China e a Índia, que têm uma posição mais construtiva nas relações econômicas internacionais.

O economista venezuelano Jose Gregório Pina destaca que se num princípio o país andino oferecia ao Mercado Comum do Sul somente petróleo e divisas, “agora o panorama é diferente, pois poderá desenvolver seu potencial produtivo através duma relação mais completa com as nações membros do bloco, que abrange o comércio complementar, uma nova arquitetura financeira, um investimento regional interno e livre circulação de pessoas e de postos de trabalho, e outros”.

Caracas convida às empresas do Mercosul a participarem da construção de moradias para o povo venezuelano, com uma meta de três milhões de unidades familiares, bem como a trabalharem, de forma conjunta com o Estado para desenvolverem outros projetos sociais, industriais e agrícolas para o desenvolvimento do país. A nova Venezuela quer deixar atrás o modelo em que os EUA a assumiu e que somente deixou desigualdade social e extrema pobreza.

Este esforço estará favorecido com a criação pelo bloco dum Fundo de Convergência Estrutural para reduzir as desigualdades entre as nações, no melhor espírito de solidariedade que deve existir com os menos desenvolvidos.

“Trata-se duma experiência para reduzir as desigualdades de nossos países e promover o desenvolvimento regional equilibrado”, disse durante a Cúpula Extraordinária a presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, que também informou que essa instância já aprovou 40 projetos que serão desenvolvidos na região, com um montante inicial de US$1,1 bilhões. Uma boa notícia à qual se acrescentou o anúncio de que o organismo sul-americano entregará o credito necessário para desenvolver a economia desta parte do mundo.

PROTEGER O MERCOSUL

É de esperar que o império não fique de braços cruzados, como o demonstrou nas suas ações contra os processos progressistas de Honduras e Paraguai, e que utilizará seu arsenal para impedir uma América do Sul unida, próspera e forte, capaz de desafiar sua hegemonia política e econômica global.

A voz de alerta foi dada pela presidenta da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, que instou os países do Mercosul a criarem “os instrumentos e as instituições que tornem indestrutível e indivisível este novo bloco de poder”. A presidenta condenou as tentativas das nações  imperialistas de debilitar a América do Sul.

O Mercosul vai em direção a Pátria Grande, à qual aspiram com todo seu direito os latino-americanos e caribenhos.

 

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