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Cemitério de Colón: uma joia mundial
Mireya Castañeda
ALÉM
da tristeza inevitável que desperta um cemitério, o
de Colón em Havana provoca admiração. Em seus 57
hectares acumula um conjunto considerável de obras
de arte, com mais de 50 mil mausoléus, capelas,
panteões, galerias ou ossuários.
A
riqueza da estatuária funerária e da diversidade de
estilos arquitetônicos constitui uma das
características mais notáveis deste campo-santo pelo
qual muitos especialistas o situam como um dos três
mais luxuosos e grandes do mundo.
Nessa relação, a necrópole de Colón é precedida
somente pelo cemitério monumental de Staglione
(Gênova, Itália, inaugurado em 1851 e famoso por
suas esculturas) e pelo de Montjuic, em Barcelona,
Espanha (inaugurado em 1883, que guarda os restos de
artistas, como o do músico Isaac Albéniz
(1860-1909); a soprano Victoria de los Ángeles
(1823-1905) e o pintor Joan Miró (1893-1983).
Há
que adicionar o Père Lachaise, de Paris (nomeado
assim em homenagem ao padre François de la Chaise –
(1624 -1709) – confessor do rei Luis XIV). A
importância do campo-santo parisiense, um dos mais
conhecidos do mundo, sustenta, mais que em seu valor
arquitetônico ou suas esculturas, nos ilustres
personagens que nele descansam para sempre.
Alguns nomes para recordar: Guillaume Apolinaire
(1880-1918); Miguel Ángel Astúrias (1899-1974);
Honoré de Balzac (1799-1850); María Callas
(1923-1977); Frédéric Chopin (1810-1849);
Jacques-Louis David (1748–1825); Isadora Duncan
(1877–1927); Georges Méliès (1861-1938); Molière
(1622–¿1673?); Yves Montand (1921–1991); Jim
Morrison (1943–1971); Édith Piaf (1915–1963), e
Oscar Wilde (1854–1900).
Atendendo a essa relevância mundial da necrópole
havanesa (Monumento Nacional), o Gabinete do
Historiador da Cidade projetou e está realizando um
plano geral de conservação e restauração, que já se
pode apreciar.
BREVES DADOS DA SUA HISTÓRIA
Em
1854, o então governador espanhol de Cuba, Marquês
de la Pezuela, projetou a construção de uma nova
necrópole para Havana, ideia que não pode ser
realizada até 1870, quando se deram a conhecer as
bases de um concurso público para sua construção,
ganho pelo arquiteto Calixto Loira Cardoso.
A
primeira pedra foi colocada em 30 de outubro de 1871
e as obras foram concluídas em 2 de julho de 1886,
com uma primeira ampliação em 1934. Sua entrada é um
régio pórtico, de 34 metros de largura e 21 de
altura, obra do arquiteto espanhol Calixto de Loira.
Anos
mais tarde, em 1901, foi coroado com uma escultura
de mármore de Carrara, realizada pelo cubano José
Vilalta de Saavedra, que intitulou As três virtudes
teologais, fé, esperança e caridade, incluindo a
inscrição Janua Sum Pacis, pelo qual o pórtico é
conhecido como Porta da Paz.
As
grades de ferro foram gravadas com as letras C, em
homenagem ao grande navegante, Cristóvão Colombo,
descobridor da Ilha e que disse “é a terra mais
linda que olhos humanos viram”. É uma ironia que o
cemitério seja dedicado ao grande Almirante, repleto
de famosas esculturas, e não tenha uma com seu nome.
Ao
trespassar a gigantesca porta aparece a necrópole,
pensada e construída de forma retangular como um
acampamento romano, com calçadas e ruas numeradas. A
avenida central, entre a capela e o pórtico, foi
batizada, naturalmente Cristóvão Colombo.
ALGUNS LUGARES DE INTERESSE
A
avenida Colón está sendo cuidadosamente restaurada.
Possui dos dois lados alguns desses monumentos e
esculturas que o enaltecem. A primeira de todas, uma
magnífica réplica de La Pietá, de Miguel Angelo, da
Basílica de São Pedro, no Vaticano.
Encontra-se no centro do panteão de don Miguel
González de Mendoza y Pedroso, um ilustre personagem
nascido em Havana, em meados de século 19, no seio
de uma família influente.
Também está o conjunto escultórico dedicado a um
grupo de bombeiros, mortos tragicamente em 1890, em
serviço, no incêndio da Ferreteria Isasi. É uma obra
funerária de uns 10 metros de altura, realizada pelo
escultor espanhol Agustín Querol Subirats.
O
panteão dos bombeiros é coroado por um anjo com um
bombeiro morto nos braços. Este anjo descansa num
pedestal de vários metros de altura, de onde
aparecem brasões e armas dos bombeiros, e quatro
colossais esculturas. Aspecto relevante do monumento
é o fato de que representa aos falecidos com seus
verdadeiros rostos.
Ao
final da avenida Colón está a capela, de forma
octogonal. Na parede do altar, está pintada uma
alegoria sobre o Juízo Final, do mestre José Melero,
primeiro diretor da Academia de Artes de San
Alejandro.
Bem
perto, encontra-se o túmulo mais visitado, o de
Amelia Goira, uma dama da alta sociedade havanesa,
conhecida como A Milagrosa. A jovem de 23 anos
faleceu no momento do parto e sua filha, também. Foi
enterrada com a menina a seus pés. Conta a lenda que
quando a tumba foi aberta, um tempo depois, a menina
estava em seus braços e seu esposo desesperado José
Vicente Adot, regressava cada tarde ao cemitério e a
chamava tocando nas aldabas de bronze. Fez isso até
sua morte, 17 anos depois. Converteu-se em lenda e
centro de peregrinação.
Outras curiosidades podem ser uma lousa talhada com
uma pedra de dominó, o Doble Tres, porque uma anciã
fanática deste jogo perdeu com essa pedra na mão; ou
uma pirâmide egípcia, templos romanos e gregos e
castelos medievais.
A
grandeza da necrópole não se circunscreve a seus
tesouros de mármore, bronze e vitrais; também à
história de pessoas que ali foram sepultadas. Aqui
descansam Leonor Pérez e Mariano Martí, pais do
Apóstolo da independência, José Martí; o dominicano
Generalíssimo Máximo Gómez, que lutou nas duas
guerras independentistas no século 19 e, entre as
figuras importantes da intelectualidade cubana,
Alejo Carpentier,
Nicolás Guillén,
Gonzalo Roig; Ignacio e María Cervantes,
Eliseo Diego,
René Portocarrero;
Juan Marinello;
José Antonio Portuondo,
Hubert de Blanck;
Amelia Peláez.
A
fama da necrópole de Colón, por seus numerosos
monumentos funerários, sua arquitetura, suas
majestosas esculturas, suas decorações art déco e
art nouveau, todos de altíssimo valor artístico, é
lugar imprescindível de todo turista visitante da
cidade. Eles terão um respeitoso olhar para este
parque funerário, museu ao ar livre, certamente, mas
campo-santo para os havaneses.
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