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M a i s   I n f o r m a ç õ e s

Havana. 13 de Agosto de 2012

Parabéns, René!

Dália González Delgado

NALGUM canto dos Estados Unidos, René González Sehwerert está completando, sexta-feira, 13 de agosto, 56 anos. Depois de passar 13 aniversários no cárcere, hoje também não poderá estar com toda sua família

Diz sua mãe, Irma, que ele não lhe dá muita importância às datas convencionais, porque "não os acostumei a isso". Irma sempre fala em plural quando se refere a René, como se ele e seu irmão Roberto fossem a mesma pessoa.

René nasceu em 13 de agosto de 1956, em Chicago. Depois do triunfo da Revolução sua família retornou a Cuba.

Perguntei a Irma como comemoravam os aniversários quando crianças, pensando que me falaria de bolo, festa, palhaços, etc, mas me respondeu que seus filhos mesmo passavam essa data numa trincheira que numa safra açucareira. "Imagine só, era eu sozinha com eles dois. Se queria fazer Revolução tinha que leva-los para qualquer lugar".

Irma nos conta isto como se houvesse algo mau nesse sacrifício. "Uma vez perguntei para eles se não sentiam rancor por mim, por esse motivo, e René me disse que fiz muito bem, e que a melhor decisão que tomei foi tirá-los dos EUA quando ainda eram criança, tirá-los dessa sociedade".

"Nós não acostumávamos a comemorar datas específicas, pois essas datas são puramente comerciais. E isso não significa que os aniversários passassem inadvertidos. Jamais faltou o beijo, o carinho, e sempre cantávamos os Parabéns. Mas nenhum dos meus filhos sofreu nunca porque não houvessem presentes".

"Durante todos estes anos de ausência sempre me liga o dia 13, muito cedo. O telefone soa às 7h00 e eu sei que é ele" .

Irma conta que os dias especiais para sua família eram aos sábados. "Esse dia todos os amigos de René e de Roberto iam para a casa, à noite. Minha casa era o lugar de reuniões. Fazíamos uma festa com limonada ou refrigerante, não como são agora. Mas tudo era muito agradável. Esses eram os verdadeiros aniversários".

"Depois, quando trocamos de casa para o povoado de Cotorro, o dia sagrado era o domingo, porque almoçávamos e depois fazíamos uma sobremesa de quatro ou cinco horas, falando de política, dos problemas do mundo, da situação em geral".

Durante nosso breve diálogo, Irma repete uma e outra vez que "René era uma criança muito nobre".

"Quando o castigava, não se dormia até que não lhe dava um beijo e o perdoava, e então ele me dizia que não ia fazer mais".

"Digo que era nobre, mas isso não quer dizer que fosse tolo. Ele sempre teve um alto sentido da justiça, e eu o admirava muito por isso. Numa ocasião brigou com outros meninos para defender um vizinho porque estavam zombando dele, e a zombaria é uma coisa muito feia".

Enquanto escutava o reconto da infância de René, pensava no orgulhosa que deve estar Irma por ter educado seus filhos dessa forma, onde seu exemplo forjou as vidas de "meus garotos". Entretanto, eu sentia orgulho de ter diante de mim uma mulher assim, da qual somente podem sair homens de luta.

Neste 13 de agosto também é seu dia, por trazer ao mundo um herói de carne e osso. Por tal motivo, vamos comemorar, não só hoje, o nascimento desse humano extraordinário que é René González Sehwerert.
 

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