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Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

I N T E R N A C I O N A I S

Havana. 8 de Agosto, de 2012

SÍRIA: no colimador dos
Estados Unidos

Angie Todd

EM 20 de julho, o Conselho de Segurança da ONU aprovou uma extensão final de mais 30 dias de sua missão especial na Síria, acompanhada de exigências da França, Grã-Bretanha e Estados Unidos de mais sanções contra o governo de Bashar al-Assad sob o capitulo sétimo da Carta das Nações Unidas, que daria luz verde ao ansiado caminho dessas potências para o uso da força ao estilo líbio e a uma rápida mudança de regime em Damasco.

Como é conhecido, o ex-secretário-geral da ONU e enviado especial para o conflito, Kofi Annan, renunciou ao mandato de mediador entre as partes enfrentadas, outorgado pela organização internacional, devido à situação criada.

Os esforços de Annan de pôr fim à violência no país por meio dum plano de seis pontos fracassaram e sua função de mediador foi uma missão impossível desde o início.

A escalada dos atos de violência dos grupos armados impediu ao governo do presidente al-Assad aceitar o cessar-fogo e retirar o exército das cidades prejudicadas pelo conflito, como acontece nos últimos dias em Alepo, situada muito perto da fronteira com a Turquia.

As manifestações inicialmente pacíficas na Síria na procura de reformas internas, que tiveram lugar em março de 2011 foram imediatamente manipuladas pelo Ocidente para desestabilizar e provocar uma guerra civil nessa pequena nação.

Acontece que a intenção aberta de Washington e de seu fiel aliado do regime sionista de Israel é impor um governo dócil a seus desígnios para o Oriente Médio em seu conjunto.

E para isto, utilizam mercenários, que infiltraram na Síria do Egito, Líbano e Turquia, patrocinados por alguns dos Estados-membros do Conselho de Corporação do Golfo e pelos próprios Estados Unidos. Para o sucesso de seus planos reinventaram um falaz e artificial autodenominado Conselho Nacional Sírio, que nada tem a ver com as forças opositoras internas desejosas de construir pacificamente um melhor país.

A maioria dos partidos políticos sírios de oposição respaldaram a decisão do presidente al-Assad de organizar um referendo para reformas constitucionais, seguido de eleições para a Assembleia Nacional em maio de 2012, em meio dum estado de guerra em cidades como Homs.

Apesar do conflito, 51,62% da população votou para eleger 250 legisladores pertencentes a 12 partidos políticos, sete novos aceitos em agosto de 2011.

Era esperado que a oposição pró-ocidental recusasse participar desse processo de arranjo político, dada sua intenção de derrocar o governo al-Assad pela via armada e a impossibilidade de atingir seus objetivos em términos eleitorais. Tal é sua deslegitimação no seio da sociedade. O Partido Socialista de Ba’ath, do governo, conseguiu 60% dos votos.

A missão da ONU, iniciada em 16 de abril último, coincidiu com um incremento dos ataques violentos, inclusive contra seus próprios veículos, perpetrado por grupos mercenários, que recusam sua presença no país.

Contudo, o objetivo original da administração de Barack Obama e seus aliados da OTAN de reeditar o roteiro da Líbia na Síria não avançou, segundo o plano pela resistência da maioria dos sírios e do exército nacional, unido à aguda divisão das facções armadas da oposição por cotas de poder.

Não menos importante foram as duas vezes que a Rússia e a China usaram seu poder para o veto no Conselho de Segurança da ONU para fazer com que fracassasse nessa instância a aprovação da intervenção militar externa contra a Síria, e os esforços diplomáticos de Moscou e de Pequim para encontrar uma solução política razoável, o qual irritou muito o Departamento de Estado e especialmente  sua secretária Hillary Clinton.

A operação para provocar a queda da Síria esteve acompanhada duma brutal guerra midiática de preparação da opinião pública internacional, manobra que se intensificou nos últimos 16 meses, com acusações de horripilantes chacinas de civis cometidas por terroristas e atribuídas às forças governamentais nas cidades de Homs, Houla, Alepo e na periferia de Damasco. Inclusive, atribuem infundadamente ao exército sírio intenções de utilizar armas químicas, com vistas a escalar o conflito.

Imediatamente depois da renúncia de Kofi Annan como enviado especial se filtrou na mídia norte-americana a autorização do presidente Obama de US$50 milhões, para a compra de armas destinadas aos grupos violentos e de ajuda financeira para as organizações não governamentais (ONGs) contrárias a Damasco.

A demissão de Annan ocorreu em meio aos esforços do exército sírio de restaurar a ordem em Alepo e nalgumas cidades de Damasco, ao deslocamento de refugiados por causa da violência para a Turquia e de chamamentos imediatos das potências ocidentais para impor um suposto corredor aéreo humanitário para “proteger” a população síria.

Mas não se pode esquecer que a zona de exclusão aérea na Líbia, sob o amparo das Nações Unidas, facilitou os indiscriminados bombardeios da OTAN ali, responsáveis pela morte de 600 mil pessoas inocentes e 180 mil feridos.

Por tal motivo, muitos analistas consideram que a missão observadora da ONU faz parte dum exercício cínico de Washington e seus aliados num virtual teatro de guerra, algo espantoso dada suas implicações na criação dum clima para a possível destruição da Síria e da paz no Oriente Médio.
 

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