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I N T E R N A C I O N A I S

Havana. 3 de Maio, de 2012

Sullivan, o chefe dos "agentes secretos" de Obama, "trabalhou" em Cuba, Equador e Angola

Jean-Guy Allard

Barack Obama quer desfazer-se urgentemente do diretor do Serviço Secreto (SS), Mark "Lucky" Sullivan, que supostamente garante sua proteção, antes que faça outra estupidez. Lembrem que durante a Cúpula de Cartagena, estes agentes priorizaram a busca de prostitutas colombianas.

Mark "Lucky" SullivanSullivan foi desmascarado e expulso do Equador, em 2009, pois era o chefe da CIA na embaixada norte-americana em Quito.

Anteriormente se destacara "interferindo" o computador de Raúl Reyes, na Colômbia, organizando o recrutamento de "dissidentes" em Havana e assessorando o terrorista Jonas Savimbi, em Angola.

Recentemente, outros três agentes do SS demitiram de seus cargos federais, somando seis as demissões ou despedimentos, até hoje, por causa do escândalo com as prostitutas colombianas, anunciou Sullivan, que até agora sobrevive ao escândalo.

Entretanto, uma destas jovens colombianas, nomeada Dania, declarou ao jornal The New York Times que foi maltratada pelos norte-americanos. Dania não descarta apresentar uma demanda contra o governo de Barack Obama.

Os sucessos tiveram lugar em Cartagena de Índias, dois dias antes de chegar Obama e, com certeza, estão envolvidos menores de idade.

Um comunicado emitido por Sullivan, anteriormente, anunciou que três agentes foram despedidos: um supervisor aposentou-se, outro chefe foi expulso, e um terceiro "foi aconselhado a solicitar a demissão".

Sullivan, em lugar de renunciar, preferiu sancionar seus "valentes" agentes, que contrataram prostitutas durante a 6ª Cúpula das Américas.

O COMPUTADOR DE RAÚL REYES FOI INTERFERIDO

Sendo diretor da estação CIA no Equador, Mark Sullivan foi expulso, em 18 de maio de 2009, desse país andino. No seu refúgio da avenida Avigiras, ao norte de Quito, trabalhava sob o enganoso título de primeiro-secretário da embaixada dos EUA, dirigindo o grupo de agentes de inteligência, ocultos entre os 185 empregados estadunidenses da embaixada ianque.

Poucos dias antes, já tinham aconselhado seu colega Armando Astorga de fazer as malas, Astorga, "agente especial sênior da embaixada", pertencia ao Department of Homeland Security dos Estados Unidos (Segurança Interna) que coordenava suas ações com a CIA.

Por sua vez, Sullivan orientava diretamente as atividades da Unidade de Investigações Especiais da Polícia (UIES), um organismo de alto nível que tinha virtualmente acesso a todas as atividades policiais na nação equatoriana. Também coordenava as ações com o DAS (a inteligência colombiana) e as Forças Armadas da Colômbia, em comunicação direta com o chefe da estação CIA na Venezuela, Michael Steere.

O vice-chanceler equatoriano Kintto Lucas assinalava, então, que "nos registros biográficos do Departamento de Estado, não existia referência nem se mencionava a trajetória de Mark Sullivan".

Sullivan e Steere dirigiram a operação que confeccionou os milhares de documentos aparecidos no famoso computador de Raúl Reyes.

ASSESSOR DA UNITA DE JONAS SAVIMBI

Anteriormente, Sullivan tinha assessorado a organização União Nacional para a Independência de Angola (Unita), cujo chefe, Jonas Savimbi, recebeu muito armamento e dinheiro de seus patrocinadores.

Sullivan representava a inteligência de seu país no Haiti, em 1991, quando do golpe de Estado de 30 de setembro — liderado pelo chefe das Forças Armadas, na época, Raoul Cédras — que derrubou o presidente Jean-Bertrand Aristide, eleito legitimamente.

Também realizou atividades de filtração, suborno e manipulação em Ruanda, quando daqueles arrepiantes eventos, Etiópia, Eritréia e Congo, sucessivamente.

Em Cuba, foi primeiro-secretário político e oficial da CIA na Repartição de Interesses de Havana (SINA) — qualificada de "Estado-Maior conjunto da subversão e da mentira" — onde susbstituiu o chefe Alexander George Gryschuk (alias Hryschuk) nas atividades de espionagem e subversão que se levam a cabo a partir desse edifício.

No Equador, o nível de controle da embaixada sobre a atividade policial no país era propriamente escandaloso. Funcionários da embaixada dos EUA controlavam os bens e os mecanismos de logística da polícia e de sua unidade de elite.

Desmascarado no Equador, Sullivan terminou sendo nomeado chefe na outrora prestigiosa guarda pretoriana de Obama, cujos agentes se diferenciam melhor por seus óculos ao estilo Matrix e seus ternos de gerentes de funerária.

Para Ronald Kessler, veterano jornalista e escritor que alertou o Washington Post do acontecido na Colômbia, as ações dos homens de Sullivan não têm precedentes.

"A vergonha que causaram e o fato de que os agentes estavam totalmente fora de linha frente ao que se espera deles, não tem comparação na história", declarou numa entrevista com El Tiempo, de Bogotá.
 

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