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I N T E R N A C I O N A I S

Havana. 1 de Agosto, de 2012

Líbia: a “estabilidade” imposta
por Washington


Luis E. López Domínguez

As milícias armadas se apoderaram da Líbia. Após realizar eleições legislativas, primeira tentativa de partilha formal do poder, depois da derrubada e assassinato de Muammar al-Gaddafi, os grupos armados continuam cometendo toda classe de violações, torturas, roubos e assassinatos, enquanto o governo de transição faz pouco para evitá-lo.

Segundo denunciaram várias organizações não governamentais (ONGs), os grupos armados que caçaram o líder líbio, aos que a aviação dos EUA e a OTAN abriram o caminho, estão renitentes a entregar as armas. E continuam cometendo toda classe de atrocidades.

A situação chegou a tal ponto que a Anistia Internacional (AI) foi obrigada a reconhecer a desastrosa situação que vive a nação norte-africana, num relatório intitulado: Império da lei ou império das milícias?

Segundo a AI, aproximadamente 4 mil pessoas se encontram retidas por estes grupos em centros clandestinos, submetidas a fortes torturas e em péssimas condições. Muitas delas foram detidas de forma arbitrária e por tempo indefinido, acrescenta o texto.

Em 12 dos 15 centros de detenção que visitaram, acharam provas de surras e outros abusos. Desde agosto do ano passado, o relatório registra ao menos 20 casos de prisioneiros mortos, após brutais torturas, como a suspensão em posturas dolorosas, descargas elétricas e surras brutais com barras metálicas, paus ou a coronha dos fuzis.

Outras ONGs destacam os milhares de deslocados, após mais de um ano de instabilidade. Em cidades como Tauerga, aproximadamente 30 mil habitantes foram obrigados por estas milícias a abandonar seus lares. Em outros casos, convivem com a população e tomam como reféns mulheres e crianças, como parte das rixas territoriais.

Segundo fontes do governo de transição, existem entre 100 e 300 grupos armados que agrupam ao menos 120 mil homens. As formações mais numerosas estão em cidades importantes como Trípoli, onde se encontram o Conselho Revolucionário e o Conselho Militar. Também são tristemente célebres as Brigadas Zintan e as Brigadas de Misrata. Entretanto, na Cirenaica, uma das mais importantes é a Coalizão de Brigadas Revolucionárias.

A situação se tornou tão instável que o Conselho Nacional de Transição e o governo provisional parecem não querer interpor-se em seu caminho. Muitas vezes alegaram estar em inferioridade, pois aqueles estão melhor armados. Contudo, sua decisão é nula quando se trata de enfrentar o problema. Em maio passado, aprovaram uma lei que ampara todo aquele que tinha cometido crimes de guerra, com o objetivo de proteger a suposta “revolução de 17 de fevereiro”.

Um relatório publicado em 10 de julho passado, pelo Instituto de Pesquisas Estratégicas sobre a África e sua Diáspora, indicou que “as bombas, as mortes, a invasão e ocupação do país não pararam nem um dia só e foi tomando proporções inimagináveis, enquanto a mídia internacional dá a imagem de que tudo terminou. Mas nada terminou, é ao contrário”.

O relatório também aponta que o Ocidente ainda financia alguns grupos armados, sobretudo os que operam na área de Al Kufrah (zona estratégica no sul dos poços de petróleo, perto da fronteira com Chade e Sudão).

Em Al Kufrah — terra onde viveram durante 40 anos, pacificamente, diferentes etnias —, perante a ameaça de serem deslocados, “os líbios que sofreram ataques em suas casas, que continuamente são roubados e muitas vezes assassinados”, compram armas para defender-se. “Nestes momentos, é mais fácil e barato comprar uma bomba ou um antiaéreo ‘made in USA’ do que adquirir produtos básicos para sobreviver”.

Se a população civil sofre do mesmo mal que, supostamente, fez com que fizesse uma revolução, há já 16 meses, por que a OTAN não instaura agora uma nova zona de exclusão aérea.

O cenário líbio é o espelho do que pretendem conseguir em países como a Síria ou Irã, nações independentes negadas a ceder ante a prepotência ocidental e suas pretensões de acabar com todo governo que não seja afim a seu mandato. A Líbia é a estabilidade que Washington e seus aliados querem impor no Oriente Médio.

 

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