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E S P O R T E S

Havana.  6 de Junho, de 2012

Comerciantes do esporte se aproveitam do fustigamento a Cuba
 Operação na República Dominicana desmantela
organização que realizava tráfico de pessoas, com beisebolistas cubanos e seus familiares

Oscar Sánchez Serra

“PRENDIDAS sete pessoas por tráfico de beisebolistas cubanos”. “Detidos por facilitarem saída de beisebolistas cubanos”. “Autoridades desmantelam organização criminosa dedicada ao tráfico de pessoas”. “Procuravam beisebolistas e familiares em Cuba...”

Essas manchetes chamavam a atenção sobre uma operação, no passado fim de semana, na República Dominicana, da Direção Central de Inteligência Delitiva (DINTEL) que, em coordenação com a Procuradoria Geral desse país, desmantelaram um grupo de sete pessoas que se dedicava a estabelecer contato com beisebolistas de Cuba, tirá-los do país, negociar um contrato com as chamadas Major Leagues, do beisebol estadunidense, e obter por isso vultosas quantias de dinheiro.

Apesar das manchetes, da dispersão e da liberdade provisória do grupo, o fato não é novo, persiste a ideia de flagelar, de atacar o beisebol cubano. O acontecido apenas vem confirmar que se mantém o acosso, o roubo de talentos e o ataque a nosso beisebol.

As razões são muito simples: é o esporte nacional, reúne o povo em torno a seu campeonato, transborda emoções, como as que acabamos de viver na final, faz com que floresça a alegria e o orgulho de cubanas e cubanos... e isso incomoda.

O que nos dizem respeito os nomes de Manuel Antonio Azcona, Edgar Mercedes, Héctor Ferreira, Pedro Delgado, Ernesto Guidi, Roberto Rodríguez ou Yuniel Rodríguez, os sete indiciados pela DINTEL e a Procuradoria Geral da República Dominicana?

Nada, eles são os comerciantes que se aproveitam duma política que, favorecida, tolerada e promovida a partir dos Estados Unidos favorece estes fatos delituosos de tráfico de pessoas, amparados, ainda, em legislações imperiais, como a Lei de Ajuste Cubano.

Lembro que em maio de 1999, na entrevista coletiva prévia ao jogo de Cuba frente aos Orioles de Baltimore, naquela cidade norte-americana, em que Luis Ulacia, jogador da seleção nacional respondeu as seguintes perguntas: Os beisebolistas cubanos não gostariam de jogar nas Grandes Ligas? Por que são impedidos disso?

O jogador respondeu: “Nós gostaríamos, sim, mas são vocês (Estados Unidos) que nos impedem. Por que para vir jogar aqui eu tenho que subir numa lancha e entrar no mar, deixar minha família, ou procurar alguém que depois tire por esse mesmo mar meus filhos, negociar com alguém, dar-lhe dinheiro? Por que tenho que difamar meu país e abandoná-lo?".

Os beisebolistas, treinadores e autoridades esportivas cubanas têm, e sabem disso, que aperfeiçoar nosso beisebol, pelo que representa para o país, e que faz parte da identidade nacional deste povo. Contudo, por essa mesma cubanidade nunca seria feito a custas de renunciar a seus princípios.

Este é um país bloqueado, assediado pela potência mais poderosa do planeta, mas como argumentou o comandante-em-chefe Fidel Castro, em 4 de maio de 1999: “… nunca lhe arrebatou um só atleta a um só país do mundo, e nossos professores e instrutores trabalharam por milhares deles, em muitos países”.

 

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