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E S P O R T E S

Havana. 22 de Agosto, de 2012

JOGOS PARAOLÍMPICOS
A glória nas pernas de Omara Durand?


(Harold Iglesias Manresa)

PEQUIM 2008, apesar de apenas contar com 16 anos, muitos olhares se voltaram para Omara Durand. Justamente, 12 meses antes, teve sua estreia no Campeonato Mundial para Deficientes Visuais, disputado em São Paulo, obtendo dois títulos em 100 e 200 metros da categoria T-13 (deficiente visual). Os Jogos Parapanamericanos do Rio de Janeiro, no próprio ano 2007, lhe deparariam mais três coroas, incluindo um recorde continental de 56 segundos, nos 400 metros.

 Então, fez tremer o estádio João Havelange, pelo fato de ter derrotado duas excelentes corredoras anfitriãs: Terezinha Guilhermino, campeã em Mar del Plata 2003, e Indayara Martins, prata e bronze nessa ordem.

Porém, uma lesão nos músculos da coxa direita a privou de brilhar nos Jogos Paraolímpicos de Pequim. Correndo os 400 no Ninho de Pássaro sofreu uma distensão muscular. Isso a afetou psicologicamente e não conseguiu medalha alguma. Mas esse azar não durou muito tempo.

 

OS INÍCIOS...

 

 Natural de Chicharrones, em Santiago de Cuba, aos sete anos começou praticando ginástica e atletismo, mas confessa que sempre foi fã da velocidade. Seu treinador na época era Reinaldo Cascaret, a quem lembra com precisão.

Como você conseguiu repor-se do dissabor de Pequim?

 "Com muita dedicação nos treinos, o apoio da minha família, da minha treinadora Miriam Ferrer e meus colegas da turma. Assim dei tudo em cada sessão, como se fosse a última, até que chegou minha chance, no Mundial de Christchurch, Nova Zelândia, em 2011".

 Ali, sua atuação esclareceu qualquer dúvida, deixando sua marca no estádio Queen Elizabeth II, com um tempo de 54s87, que se converteu na segunda melhor marca nos 400 metros, a só 41 centésimas do recorde mundial, na posse da estadunidense Marla Runyan desde 3 de janeiro de 1995. Para a metade do trajeto seu registro foi de 24s24.

 Isso não seria tudo, definitivamente 2011 foi um ano em extremo bem sucedido para Durand pois, alguns meses mais tarde, se converteu na primeira mulher com uma deficiência física em descer dos 12 segundos no hectômetro, com 11s99, fazendo emudecer o estádio TELMEX, de Guadalajara.

A que você atribui esse excelente tempo?

A preparação durante o ano foi ótima, com competições de alto nível, como o Mundial e um tempo de adaptação à altura em Guadalajara. Miriam me disse que eu estava em muito boa forma, em condições de sair a concorrer e impor um recorde... e foi assim.

 Potencialidades, fraquezas, pressões...

 Todos os atletas vivem sob pressão, é normal. Meu evento forte são os 200 metros, sou melhor na reta final, vou me adaptando à competição na medida en que avança. O ponto fraco... na saída, talvez seja o reflexo da minha personalidade, pois sou dorminhoca, embora não me custe muito acordar cedo para ir treinar. De qualquer forma, tento aproveitar ao máximo as quatro horas de treino e nas competições me transformo.

A vida mais além das pistas?

Estudo psicologia, acabei oi terceiro ano da licenciatura, ler, especialmente Dom Quixote de la Mancha, escutar baladas e atender minha família que tanto me apoia, minha mãe Adys Elías, meu irmão Osmany Durand e meu noivo desde há cinco anos, o lançador de martelo Noleisis Bicet. Boa parte dos meus resultados até agora os devo a eles e a Miriam, que tem sido minha treinadora, mãe, amiga, irmã.

 Para Omara Durand a vida continua, desde já, com a mesma precisão do Big Ben de Londres, conta os segundos que a separam de sua nova cruzada paraolímpica, na qual estarão imersos 4.200 esportistas de 166 países, a partir de 29 de agosto.

 Os 24 esportistas antilhanos estabeleceram seu quartel-general desde o passado dia 7 de agosto em Glasgow, Escócia. Ali Omara, de 1.70 metros de estatura e 58 quilos de peso, aperfeiçoa sua preparação.

 Se tudo correr bem, esperemos um recorde similar ou melhor que o de 11s99 nos 400 metros. Em seu caminho só aparece como a contrária mais difícil a sul-africana Ilse Hayes (12s38 em 100 e 26s35 em 200). Mas isso não é tudo, Omara quer mais... sua consagração total poderia chegar com o triunfo nos 200 metros e nos 400. Contemos os segundos a par dela, a hora H se aproxima.

 

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