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C U L T U R A

Havana. 1 de Agosto de 2012

Um amor crônico e divertido

Mireya Castañeda

OS gêneros cinematográficos são muito divulgados. Então compreende-se, perfeitamente, que o cineasta-ator Jorge Perugorría se determinasse a acrescentar uma história de ficção ao documentário que filmou acerca da turnê que fez por Cuba a cantora Cucu Diamantes, residente em Nova York, e nascida sob o nome de Ileana Padrón, no bairro havanense de Párraga.

Para testemunhar os concertos que Diamantes ofereceu em Santiago de Cuba, Bayamo, Gibara, Camaguey, Cabaiguán, Cienfuegos, Santa Clara, Matanzas e Havana, o diretor-roteirista, com certeza, torceu por um road-movie.

Amor crônico (Amor crônico), documentário-musical com ficção incluída, é uma comédia divertida onde, em primeiro lugar, pode desfrutar-se a interpretação, ao vivo, das músicas que conformam Cuculand, o primeiro disco de Cucu Diamantes.

Cucu Diamantes e Andrés Levin, produtor do filme, são os criadores, em 2001, do grupo musical Yerba Buena, onde fundiram ritmos africanos e caribenhos com um toque urbano nova-iorquino, conseguindo uma indicação para o Prêmio Grammy, pela canção President Alien (2003).

Vocalista e escritora principal do grupo, Diamantes iniciou a carreira como solista, em 2009, com o disco Cuculand, com suas próprias canções, e a produção de Levin e Yotuel, do grupo Orishas, que — segundo afirmou a cantora — lhe deu “um som mais pessoal”. Pelo tema Es más fuerte foi indicada para o Prêmio Grammy Latino.

O jornal Los Angeles Times escreveu naquela oportunidade: “A cativante Cucu Diamantes é a voz sedutora que co-fundou... Yerba Buena... seu primeiro disco... é uma mistura de salsa, tango, violão, trip hop e outros sons oscilantes... Diamantes destaca por sua voz doce e fresca, navegando por uma fusão saborosa, ideada para as noites quentes do verão”.

Desse disco são quase todas as canções que Cucu Diamantes interpretou nos concertos que ofereceu em Cuba. Por exemplo: Show me the Money, Alguien, El burrito e Sentimiento, e para o filme escreveu o tema homônimo Amor crônico.

Diretor e cantora ofereceram uma entrevista coletiva, onde foram muito explicativos sobre todos os aspectos do filme.

“Tudo começou, segundo Perugorría,  depois do concerto Paz sem fronteiras que o cantor colombiano Juanes organizou em Havana, em setembro de 2009”, e onde participaram figuras internacionais como Miguel Bosé, Olga Tañón, Danny Rivera, Víctor Manuel, Luis Eduardo Aute, Jovanotti e... Cucu Diamantes, no que seria “um reencontro com suas raízes, seu público natural”.

“A partir daí surgiu a ideia de uma turnê por Cuba, e ela e Levin me pediram minha opinião e pensei que seria muito interessante, com os riscos para sua carreira”, comentou. “Pensei num filme, pois Cucu parece saída dum filme, vive entre a ficção e a realidade. E porque o tema dos artistas cubanos que vivem fora da Ilha e que retornam a Cuba e se reencontram com sua cultura e seu público natural, sempre me tem interessado”.

De fato, seu primeiro documentário, co-dirigido com Arturo Sotto, foi Habana Abierta, sobre o retorno de músicos como Kelvin Ochoa, depois de longas estâncias no exterior. Depois, em 2010, filmou seu primeiro filme de ficção, Afinidades, em co-direção com Vladimir Cruz (continuando o binômio de Morango e Chocolate).

Sobre o road-movie, Perugorría lembrou sua experiência em Guantanamera, com Tomás Gutiérrez Alea-Juan Carlos Tabío, na direção, e Miel para Oshún, de Humberto Solás, pois os dois filmes fazem uma viagem por toda Cuba. “Além disso, queria fazer uma homenagem ao cinema cubano, com o qual tenho uma dívida de gratidão”.

Essa homenagem inclui a participação de figuras reconhecidas da cinematografia cubana fazendo pequenos personagens: Adela Legrá, o próprio Perugorría, Néstor Jiménez, Enrique Molina, Mirtha Ibarra, Mario Limonta, Laura de la Uz, Alberto Pujols, Luis Alberto García e Broselianda Hernández.

Os fãs do cinema cubano acharão hilariante ver Broselianda Hernández fazer de novo aquela cena do filme Memorias del Subdesarrollo quando Daysi Granados canta um bolero; a própria Legrá, coberta pela toalha branca como no filme Lucia, vendendo a Diamantes um girassol no santuário de El Cobre; a Laura de la Uz, de garçonete, perguntando porque razão não ficou em Madagascar, e a Perugorría, re-interpretando sua personagem de Lista de Espera.

Nas últimas cenas também se lembram outros filmes: o clássico Casablanca, pois enquanto Humphrey Bogart dizia a Ingrid Bergman “sempre nos ficará Paris”, a personagem do anão “Guarapo” (Liosky Clavero) que na ficção se apaixona por Cucu, lhe assegura que “sempre teremos Havana”, e à cubana Dolly Back, com seu diretor Juan Carlos Tabío, pronunciando freneticamente o final de Amor crônico.

“Juntei todos esses ingredientes para o filme e digo que num documentário todos padecemos da mesma doença: amor crônico”, concluiu Perugorría.

NO CÉU COM DIAMANTES

“Eu nasci em Párraga, meu nome é Ileana Padrón e moro em Nova York. Gosto de ser eclética na vida e na música”. É a carta de apresentação de Cucu Diamantes, no filme e na entrevista coletiva.

“Para mim, o filme é um projeto muito orgânico, e muito empolgante, este é um filme muito sui generis, pois é uma turnê minha por Cuba, e ao mesmo tempo, mostramos o tesouro que representa esta Ilha, suas raízes, as paisagens cubanas, as pessoas, sua cultura”.

Diamantes queria fazer sua estréia em Havana e assim foi (o filme já está sendo exibido na Ilha) embora fosse apresentado, em março, no South by Southwest, um Festival em Austin, Texas, onde recebeu boas críticas: “Amor crónico não é parecido com nenhum filme, é extremamente criativo e divertido”.

A música, o coração de Amor crônico, contou com a participação especial do trompetista Alexander Abreu, o grupo de rumba Los muñequitos de Matanzas, e Samuel Formell, da orquestra Los Van Van.

Diamantes precisou que somente tiveram um mês de ensaios com o grupo que aparece no filme. “São músicos jovens da Ilha, não é minha banda de Nova York. São extraordinários”.

Amor crônico, de 81 minutos e filmado em apenas 14 dias, integra o musical, os concertos de Cucu Diamantes, e uma comédia tipo road movie, e essa fusão de gêneros seu diretor a consegue com muito ritmo e humor.  

 

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