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Um amor crônico e divertido
Mireya Castañeda
OS
gêneros cinematográficos são muito divulgados. Então
compreende-se, perfeitamente, que o cineasta-ator
Jorge Perugorría se determinasse a acrescentar uma
história de ficção ao documentário que filmou acerca
da turnê que fez por Cuba a cantora Cucu Diamantes,
residente em Nova York, e nascida sob o nome de
Ileana Padrón, no bairro havanense de Párraga.
Para
testemunhar os concertos que Diamantes ofereceu em
Santiago de Cuba, Bayamo, Gibara, Camaguey,
Cabaiguán, Cienfuegos, Santa Clara, Matanzas e
Havana, o diretor-roteirista, com certeza, torceu
por um road-movie.
Amor
crônico
(Amor crônico), documentário-musical com ficção
incluída, é uma comédia divertida onde, em primeiro
lugar, pode desfrutar-se a interpretação, ao vivo,
das músicas que conformam Cuculand, o
primeiro disco de Cucu Diamantes.
Cucu
Diamantes e Andrés Levin, produtor do filme, são os
criadores, em 2001, do grupo musical Yerba Buena,
onde fundiram ritmos africanos e caribenhos com um
toque urbano nova-iorquino, conseguindo uma
indicação para o Prêmio Grammy, pela canção
President Alien (2003).
Vocalista e escritora principal do grupo, Diamantes
iniciou a carreira como solista, em 2009, com o
disco Cuculand, com suas próprias canções, e
a produção de Levin e Yotuel, do grupo Orishas,
que — segundo afirmou a cantora — lhe deu “um som
mais pessoal”. Pelo tema Es más fuerte foi
indicada para o Prêmio Grammy Latino.
O
jornal Los Angeles Times escreveu naquela
oportunidade: “A cativante Cucu Diamantes é a voz
sedutora que co-fundou... Yerba Buena... seu
primeiro disco... é uma mistura de salsa, tango,
violão, trip hop e outros sons oscilantes...
Diamantes destaca por sua voz doce e fresca,
navegando por uma fusão saborosa, ideada para as
noites quentes do verão”.
Desse disco são quase todas as canções que Cucu
Diamantes interpretou nos concertos que ofereceu em
Cuba. Por exemplo: Show me the Money, Alguien, El
burrito e Sentimiento, e para o filme
escreveu o tema homônimo Amor crônico.
Diretor e cantora ofereceram uma entrevista
coletiva, onde foram muito explicativos sobre todos
os aspectos do filme.
“Tudo começou, segundo Perugorría, depois do
concerto Paz sem fronteiras que o cantor colombiano
Juanes organizou em Havana, em setembro de 2009”, e
onde participaram figuras internacionais como Miguel
Bosé, Olga Tañón, Danny Rivera, Víctor Manuel, Luis
Eduardo Aute, Jovanotti e... Cucu Diamantes, no que
seria “um reencontro com suas raízes, seu público
natural”.
“A
partir daí surgiu a ideia de uma turnê por Cuba, e
ela e Levin me pediram minha opinião e pensei que
seria muito interessante, com os riscos para sua
carreira”, comentou. “Pensei num filme, pois Cucu
parece saída dum filme, vive entre a ficção e a
realidade. E porque o tema dos artistas cubanos que
vivem fora da Ilha e que retornam a Cuba e se
reencontram com sua cultura e seu público natural,
sempre me tem interessado”.
De
fato, seu primeiro documentário, co-dirigido com
Arturo Sotto, foi Habana Abierta, sobre o
retorno de músicos como Kelvin Ochoa, depois de
longas estâncias no exterior. Depois, em 2010,
filmou seu primeiro filme de ficção, Afinidades,
em co-direção com Vladimir Cruz (continuando o
binômio de Morango e Chocolate).
Sobre o road-movie, Perugorría lembrou sua
experiência em Guantanamera, com Tomás
Gutiérrez Alea-Juan Carlos Tabío, na direção, e
Miel para Oshún, de Humberto Solás, pois os dois
filmes fazem uma viagem por toda Cuba. “Além disso,
queria fazer uma homenagem ao cinema cubano, com o
qual tenho uma dívida de gratidão”.
Essa
homenagem inclui a participação de figuras
reconhecidas da cinematografia cubana fazendo
pequenos personagens: Adela Legrá, o próprio
Perugorría, Néstor Jiménez, Enrique Molina, Mirtha
Ibarra, Mario Limonta, Laura de la Uz, Alberto
Pujols, Luis Alberto García e Broselianda Hernández.
Os
fãs do cinema cubano acharão hilariante ver
Broselianda Hernández fazer de novo aquela cena do
filme Memorias del Subdesarrollo quando Daysi
Granados canta um bolero; a própria Legrá, coberta
pela toalha branca como no filme Lucia,
vendendo a Diamantes um girassol no santuário de El
Cobre; a Laura de la Uz, de garçonete, perguntando
porque razão não ficou em Madagascar, e a
Perugorría, re-interpretando sua personagem de
Lista de Espera.
Nas
últimas cenas também se lembram outros filmes: o
clássico Casablanca, pois enquanto Humphrey
Bogart dizia a Ingrid Bergman “sempre nos ficará
Paris”, a personagem do anão “Guarapo” (Liosky
Clavero) que na ficção se apaixona por Cucu, lhe
assegura que “sempre teremos Havana”, e à cubana
Dolly Back, com seu diretor Juan Carlos Tabío,
pronunciando freneticamente o final de Amor
crônico.
“Juntei todos esses ingredientes para o filme e digo
que num documentário todos padecemos da mesma
doença: amor crônico”, concluiu Perugorría.
NO
CÉU COM DIAMANTES
“Eu
nasci em Párraga, meu nome é Ileana Padrón e moro em
Nova York. Gosto de ser eclética na vida e na
música”. É a carta de apresentação de Cucu
Diamantes, no filme e na entrevista coletiva.
“Para mim, o filme é um projeto muito orgânico, e
muito empolgante, este é um filme muito sui generis,
pois é uma turnê minha por Cuba, e ao mesmo tempo,
mostramos o tesouro que representa esta Ilha, suas
raízes, as paisagens cubanas, as pessoas, sua
cultura”.
Diamantes queria fazer sua estréia em Havana e assim
foi (o filme já está sendo exibido na Ilha) embora
fosse apresentado, em março, no South by Southwest,
um Festival em Austin, Texas, onde recebeu boas
críticas: “Amor crónico não é parecido com
nenhum filme, é extremamente criativo e divertido”.
A
música, o coração de Amor crônico, contou com
a participação especial do trompetista Alexander
Abreu, o grupo de rumba Los muñequitos de
Matanzas, e Samuel Formell, da orquestra Los
Van Van.
Diamantes precisou que somente tiveram um mês de
ensaios com o grupo que aparece no filme. “São
músicos jovens da Ilha, não é minha banda de Nova
York. São extraordinários”.
Amor
crônico,
de 81 minutos e filmado em apenas 14 dias, integra o
musical, os concertos de Cucu Diamantes, e uma
comédia tipo road movie, e essa fusão de gêneros seu
diretor a consegue com muito ritmo e humor.
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