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Havana. 8 de Agosto, de 2012

Identificados os restos mortais do mártir Crescencio Galañena
• Os restos mortais duma das vítimas cubanas da Operação Condor, assassinada pela ditadura militar na Argentina, de 1976 a 1982, foram identificados • Trata-se do jovem revolucionário Crescencio Nicomedes Galañena Hernández • Uma ampliação das notícias relacionadas com estes fatos é oferecida nesta entrevista da jornalista Rosa Miriam Elizalde • Entrevista com José Luis Méndez Méndez, investigador cubano

Rosa Miriam Elizalde

A Equipe Argentina de Antropologia Forense (EAAF) confirmou à mídia, quarta-feira, 1º de agosto, que tinha achado os restos mortais do diplomata cubano Crescencio Nicomedes Galañena Hernández, sequestrado em Buenos Aires, em 9 de agosto de 1976, pela ditadura militar. Os restos mortais de Galañena e de mais duas pessoas, ainda sem identificar, foram achados num prédio próximo ao aeródromo de San Fernando, na periferia da capital bonaerense.

Quem era Galañena? Em que circunstâncias sumiram ele e seu colega Jesús Cejas Arias? Que investigações facilitaram este achado? Com estas e outras perguntas conversamos com José Luis Méndez Méndez, investigador e representante legal da família dos dois cubanos perante as autoridades argentinas. Méndez Méndez é também o autor de Sob as asas do Condor e A Operação Condor contra Cuba, duas referências obrigatórias para ficar perto da história das operações das ditaduras latino-americanas, ao amparo de Washington, na década de 1970 do século passado.

Em que circunstâncias foram sequestrados Galañena e Cejas?

“Eram dois jovens diplomatas cubanos, chegados à embaixada de Cuba na Argentina, em 18 de agosto de 1975: Galañena tinha 26 anos, e Cejas, 22. Em 9 de agosto de 1976, quando se dirigiam a suas moradas foram interceptados por um grupo de ação da ditadura argentina, submetidos apesar da tenaz resistência que ofereceram e levados ao centro clandestino de detenção, tortura e extermínio da Operação Condor, em Buenos Aires, chamado Automotores Orletti. Desde então, ambos estavam desaparecidos”.

Por que se pôde ser provado que ambos estiveram no Automotores Orletti?

“Um sobrevivente argentino, chamado José Luis Bertazzo, soube por meio de dois jovens chilenos, que estavam recluídos em Orletti, que os cubanos tinham estado ali. Também, em 19 de julho de 2004, o repressor chileno Manuel Contreras Sepúlveda confirmou-me, numa conversação que tivemos, em Santiago do Chile, na qual comentou que tinham sido interrogados pelo terrorista de origem cubana Guillermo Novo Sampoll”.

Que vínculos teve a CIA nesta operação?

“Essa agência tornou público um documento secreto, onde se afirma que os chilenos que mencionei tinham estado em Orletti. Um repressor argentino confirmou-me em Paraguai que a CIA recebia os resultados dos interrogatórios feitos em Orletti aos argentinos, uruguaios e chilenos levados ali. Sessenta e cinco deles foram desaparecidos”.

Pessoalmente, o senhor esteve envolvido na busca dos restos mortais dos cubanos, desde 2004, segundo documentou em seus livros, e esteve, inclusive, escavando, junto com as autoridades argentinas, a dois quilômetros do lugar do achado. Como chegou até San Fernando

“Seguimos o sinal de San Fernando, a partir dum comentário aparecido num livro publicado por dois jornalistas norte-americanos, que afirmavam que os corpos dos dois diplomatas cubanos tinham sido colocados em bujões de 55 galões recheios de cimento, e jogados no canal de San Fernando. Em 2009, participei da busca naquele lugar, com mergulhadores argentinos da prefeitura naval. As autoridades argentinas participaram ativamente apoiando esta busca. Desde 2005, seguimos vários sinais, mas confiávamos em que a resposta estava em San Fernando, da maneira que se afirmou agora”.

Quem são os repressores que se associam agora às notícias vinculadas à identificação de Galañena?

“Durante os anos 2010 e 2011, foram julgados vários repressores, pela Causa do Automotores Orletti, e ali estavam vários dos torturadores. Foram julgados por 65 crimes de lesa-humanidade, foram sentenciados e ratificadas as condenas. Agora, está em curso outra causa que processará outros repressores, por delitos ocorridos no Automotores Orletti. O caso do assassinato dos cubanos foi parte do julgamento e por esse motivo também foram sentenciados”.

Identificados os restos mortais de Galañena, que acontecerá agora?

“Depois da identificação rigorosa, feita pelos forenses argentinos e as diligências do sistema judicial a diversas instâncias, aprecio que se informará oficialmente o governo de Cuba e serão iniciados os trâmites para a repatriação dos restos mortais”.

Há possibilidades de encontrar também Cejas?

“A busca de Cejas continua, tanto a histórica como a forense, e temos esperanças de que também será achado.”
 

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