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Havana. 19 de Maio, de 2011

Desvelos no arquipélago
Jardines de la Reina
• Um cientista da província Ciego de Ávila fala das pesquisas empreendidas no arquipélago Jardines de la Reina, o mais conservado dentre os que rodeiam Cuba

Ortelio González Martínez

CIEGO DE ÁVILA.— Quando o Doutor em Ciências Biológicas, Fabián Pina Amargós chegou pela primeira vez ao arquipélago Jardines de la Reina, não imaginou que, passados mais de 15 anos, este lugar faria parte de seu hábitat cotidiano.

Nessa paragem do sul de Cuba teve que se proteger de tempestades, cozinhou com lenha, mergulhou rodeado de tubarões e aprendeu da experiência e dos conhecimentos dos pescadores, esses homens humildes que transmitem ensinamentos em cada encontro.

Junto a alguns pesquisadores estrangeiros e de várias instituições cubanas, está debruçado no estudo mais pormenorizado que jamais se tenha realizado nesse ecossistema, formado por mais de 600 ilhotas e rochedos, ao longo de 135 quilômetros, desde Cayo Bretón, na província de Ciego de Ávila, até Cabeza del Este, na província de Camagüey.

A ideia de acometer estes trabalhos surgiu em meados da década de noventa do século passado, pois esta era uma das áreas menos conhecidas do arquipélago cubano. No ano 1996, foi declarada Zona Sob Regime Especial de Uso e Proteção (ZBREUP: reserva marinha ou de pesca) o que oferecia a possibilidade de avaliar o efeito da referida medida nas populações e ecossistemas, especialmente nos peixes dos recifes coralinos.

"O estudo, afirma Fabián, chama-se ‘Efetividade da reserva marinha de Jardines de la Reina na conservação da Ictiofauna’. Esse arquipélago é o mais conservado dentre os que rodeiam a Ilha Grande, devido ao isolamento geográfico (grande distância dos assentamentos ou populações), histórica baixa pressão pesqueira, se for comparado com outros lugares de Cuba e do mundo, e a proteção recebida desde o ano 1996 como ZBREUP, e desde 2010 como Parque Nacional.

"Durante as pesquisas, aprendemos que os hábitats coralinos são relativamente similares ao longo desse arquipélago, não constituindo um fator regulador importante da abundância ou tamanho dos peixes.

"A criação da reserva marinha teve um impacto significativo na diminuição do efeito das capturas sobre as populações de peixes dentro da área protegida.

"Demo-nos conta que a mobilidade detectada flutua em cada espécie, e as diferenças em vários indicadores populacionais e de conduta nas de alto valor econômico, são devidas ao efeito protetor da reserva marinha de Jardines de la Reina.

"Agora, continuamos monitorando o ecossistema, as comunidades, populações e atividades de Jardines de la Reina, determinamos as causas da mortalidade do mangue e fizemos um inventário das praias e da biodiversidade do ecossistema no golfo de Ana María.

"Os estudos concluirão em 2014, mas a pesquisa científica continuará porque é um processo contínuo. Atualmente, desenvolvemos um projeto denominado ‘Aplicação de um enfoque regional para o manuseamento das áreas protegidas marinhas nos arquipélagos do sul de Cuba’, financiado por nosso país e o Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF), implementado pelo PNUD e liderado pelo Centro Nacional de Áreas Protegidas. Somos obrigados a ter estes desvelos cotidianos se queremos preservar a vida em cada recanto da terra, por pequeno que for".
 

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