| 20 de
Agosto de 2002
Uma aventura inimaginável
em Cuba
• Anualmente, milhares de
escaladores de diversas latitudes viajam a diferentes cantos
do mundo, tentando vencer novos desafios ou abrir novas rotas
• Poucos conhecem que a Ilha mor das Antilhas possui amplas
possibilidades para a prática deste esporte
AHMED VELÁZQUEZ
FOI por acaso que me vi
envolvido em uma aventura inimaginável nesta ilha caribenha:
a escalada. Sempre que ouvia falar acerca do tema, pensava na
Europa, Ásia, América do Norte ou nos países de altas
montanhas cobertas de gelo.
Mas, jamais pensei que nosso
país teria tanto que oferecer a quem em todos lados do mundo
gostam de desfrutar a plenitude das paisagens, do ar puro, das
alturas e da adrenalina em toda sua extensão, atados a
cordas, cintos-cadeirinhas e diferentes acessórios para a
pratica desde esporte.
Em Cuba, a história da
escalada como esporte é relativamente recente. Pequenos
grupos pertencentes à Sociedade Espeleológica Nacional
tinham realizado alguns trabalhos com cordas na zona de
Viñales e Escaleras de Jaruco. Inclusive, faz parte do
treinamento para este tipo de atividade científica.
Em 1997, foram criadas as
condições para adiantar na materialização da pratica deste
esporte. Nesse ano, visitou a Ilha a presidente da Federação
Colombiana de Montanhismo, Alberto Morales e ministrou o
primeiro curso sobre escalada esportiva, deixando inaugurada a
primeira rota na zona de Viñales, na ocidental província de
Pinar del Río.
Depois, alguns
norte-americanos de prestígio neste esporte, como Skip
Harper, Craig Luebben e Armando Menocal, tiraram conclusões
muito sábias: «Se no Caribe todo havia rotas e condições
para escalar, por quê na ilha mor das Antilhas também não
poderia haver?».
Assim, contataram com a
Sociedade Espeleológica de Cuba - que reúne escaladores da
Ilha - e através dela com um reduzido grupo de jovens que com
grande interesse começavam a dar os primeiros passos neste
esporte. Em um breve, mas profundo percurso pelo nosso país,
comprovaram o grande potencial geográfico que possui para a
ascensão de paredes.
O parque nacional turístico
de Viñales foi o escolhido para começar a trabalhar na
abertura de novas rotas. Na atualidade, nessa mesma zona, 200
quilômetros de Havana, há abertas, aproximadamente, cem
novas rotas.
Seria bom acrescentar aqueles
que não conhecem este esporte, que para abrir ou explorar
rotas é necessário preparação e responsabilidade dupla,
pois a segurança daqueles que seguem atrás depende dos
primeiros que abram o caminho.
Na escalada esportiva é
muito importante a cooperação entre os participantes e o
equipamento prévio em cada trajeto. Nesta modalidade
utilizam-se desde a ponta dos dedos das mãos até às dos
pés.
SUBINDO COM ELES
Os escaladores cubanos são
jovens comuns, estudantes ou trabalhadores que amam os
rochedos, a precisão em cada movimento, a tensão de chegar
até uma altura determinada e o desfrute final de dominar a
altura proposta.
Assim foi que conheci o jovem
havanês Aníbal Fernández Cardoso, quem leva 10 de seus 22
anos praticando este esporte. Além de ser presidente e membro
do grupo Laplaz, da Sociedade Espeleológica de Cuba, é
instrutor de socorro nas montanhas. Foi o primeiro cubano
formado com resultados satisfatórios nos Estados Unidos como
guia instrutor de escalada em rochedos, em 2001, durante um
curso que recebeu no EXUM Mountain Guides, em Jackson, estado
de Wyoming. Esta companhia de guias de montanha é a mais
antiga e experiente da América e tem sua sede no Parque
Nacional de Tetons, um equivalente dos Alpes no nosso
continente.
Aníbal comentava-me que a
partir do dia em que foram abertas as primeiras rotas na Ilha
- trabalho onde ele participou - e que aqueles ‘pioneiros’
norte-americanos retornaram a seu país, começou a ser
publicado em diversas revistas especializadas o potencial que
possui nosso arquipélago para aqueles que procuravam lugares
novos para escalar.
«Segundo alguns
especialistas que têm escalado aqui, contamos com o melhor
rochedo calcário da América Latina para a pratica deste
esporte», afirmou Aníbal.
Dessa data em diante têm
estado em Cuba escaladores de todo o planeta e ainda fica
muito por explorar e pesquisar. Ingleses, franceses,
holandeses, italianos, alemães, dinamarqueses,
norte-americanos, espanhóis, australianos... têm sido
testemunhas da bondade do nosso sistema ecológico.
«Eles têm contribuído
muito na nossa preparação e desenvolvimento como
escaladores» - comentou Aníbal - «pois cada vez que
retornam a seu país nos deixam suas experiências e nos têm
doado parte do material básico para uma escalada».
Atualmente, Aníbal ministra
cursos para os interessados em se incorporarem a esta aventura
esportiva e sente-se satisfeito com os resultados obtidos até
o momento.
Da mesma forma pude
compartilhar com Abel Pérez, estudante de Desenho Industrial
e com José Luis Gómez, que além de se dedicar
profissionalmente a trabalhos de alto risco, no seu tempo
livre desfruta juntamente com Yaneisi, estudante de Direito e
sua parceira na vida, do hobby de escalar.
A maior satisfação desta
aventura foi de Rosa Catalá, de caráter alegre e
temperamental, agricultora de origem catalã, que tem visitado
este país em três ocasiões para se reunir com estes jovens
e desfrutar deste esporte. Rosa leva 13 anos praticando este
esporte e tem escalado em aproximadamente numa dezena de
países. Para ela, Cuba tem algo muito especial que não é
capaz de descrever, mas que gosta muito e portanto continuará
nos visitando.
ONDE ESCALAR NA ILHA
Chegar ao arquipélago cubano
não é problema para nenhum viajante. Aqui pode se alojar em
qualquer hotel, embora seja recomendável reservar
previamente. Também estão as opções de motéis e parques
de camping.
A melhor região do País
para desfrutar deste esporte é a província de Pinar del
Río, no oeste do País, principalmente no parque nacional
Valle de Viñales, embora em toda a Serra dos Órgãos haja
território suficiente para equipar e subir outras rotas.
Outras regiões com
possibilidades potenciais para a pratica deste esporte são as
alturas Habana-Matanzas e as Escaleras de Jaruco, no
município Tapaste, província Havana. Também ao centro do
País, no maciço montanhoso do Escambray, embora lá o acesso
seja mais difícil.
Na região leste, na
província Camagüey, temos a Serra de Cubitas e, na parte
mais oriental, o maciço montanhoso da costa sul desde
Santiago de Cuba até Baracoa.
Nalgumas ilhotas como Cayo
Coco e na ilha da Juventude, também existem lugares para
tentar uma aventura desse tipo.
Recomendamos cada escalador
viajar com seu próprio material esportivo, pois no nosso
país há déficit deste tipo de acessórios para alugar.
Em Cuba é garantido o
atendimento médico para casos de emergência , tal como a
comunicação, à exceção dos lugares de difícil acesso.
Como é uma modalidade
recente, alguns agentes de viagens não têm muita
informação a esse respeito, por isso é recomendável que o
visitante se ponha em contato com a Sociedade Espeleológica
de Cuba ou com as autoridades do Ministério da Ciência,
Tecnologia e Meio Ambiente (Citma), para coordenar as
licenças correspondentes, pois a maioria das zonas onde nunca
se tem praticado este esporte estão nos parques nacionais.
A melhor época do ano para
escalar é nos meses de outubro a abril, quando há menos
calor. Em Cuba, a umidade relativa é alta, por isso sentem-se
mais os efeitos do sol, embora quem esteja acostumado a estas
latitudes pode fazer sua aventura em qualquer época do ano.
Nosso rochedo calcário se
caracteriza por ser duro. Abundam as estalactites. Aquela
pessoa que deseje viajar para abrir novas rotas deve fazê-lo
com material de aço inoxidável ou titânio,
fundamentalmente.
Como última recomendação
devemos dizer que a prática deste esporte em Cuba deve se
fazer sem cortar árvores, fazer fogo ou deixar detritos.
SOCIEDADE ESPELEOLÓGICA DE
CUBA
Ersilio Vento Canosa,
presidente.
Héctor Pérez, delegado para
a cidade de Havana.
Na capital: Rua 9ª # 8402, /
84 e 86, município Playa (53-7) 202 50 25 / (53-45) 24 24 13
(fax) (53-7) 881 58 40.
|