Granma Internacional Digital
VERSÃO SÓ TEXTO
Havana. Cuba. Ano 13 - Quarta-feira
30 de Dezembro
de 2009.
Exigem de Obama libertação dos Cinco heróis
cubanos
Miguel Maury Guerrero
• Olga Salanueva, esposa dum dos Cinco heróis antiterroristas cubanos presos injustamente nos Estados Unidos, liderou nesta capital um reclamo de libertação para estes patriotas ao presidente desse país, Barack Obama.
É hora de que Obama responda por que estão presos homens que lutavam contra o terrorismo; apenas ele pode libertá-los, disse a esposa de René González, na sede do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP).
Num encontro com integrantes do grupo norte-americano solidário com Cuba Global Exchange, Salanueva explicou aspectos do tortuoso caminho legal seguido pela defesa dos Cinco para conseguir novas sentenças de três deles (Antonio Guerrero, Fernando González e Ramón Labañino).
Após relembrar as ações terroristas sofridas por Cuba em cinco décadas, Magalis Llort, mãe de Fernando González, enfatizou o paradoxal da situação de seu filho e de Antonio, René, Ramón e Gerardo Hernández, já que lutavam contra ações desse tipo.
Por acaso vocês não sabem bem quem é Luis Posada Carriles, Orlando Bosch ou Félix Rodríguez, pois, nós sim, porque eles fizeram e continuam tramando ações criminosas contra Cuba, disse Rosa Aurora Freijanes, esposa de Fernando, antes de pedir solidariedade aos presentes.
Sugiro-lhes que se informem sobre este caso e peçam a seus congressistas que se interessem e ajam a favor da justiça, assinalou.
Também se encontravam no ato, a presidenta do ICAP, Kenia Serrano e Mirta Rodríguez e Irma Sehwerert, mães de Antonio e de René, respectivamente.
Global Exchange, que desta vez chegou a Cuba com algo mais de uma centena de integrantes, é uma organização solidária que promove visitas e intercâmbios com expoentes de diversos setores sociais cubanos. (AIN) •
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Por que é o ano 52 da Revolução?
• O jornal Granma recebeu inúmeros telefonemas de leitores com dúvidas acerca de por que será denominado o ano 2010 como Ano 52 da Revolução, quando acabamos de festejar o 50º aniversário do triunfo da histórica epopeia.
Este é um assunto que explicamos outras vezes, mas sempre é necessário esclarecer.
Para esclarecer essas inquietações devemos dizer que o nome utilizado é correto, pois efetivamente a partir deste 1º de janeiro nosso processo revolucionário começará a viver o ano 52 de sua existência, apesar de que o aniversário fechado seja comemorado em igual data de 2011.
Talvez o seguinte exemplo ajude a compreender melhor o assunto. Ao nascer uma criança seu primeiro ano começa a ser contado do próprio momento do parto, ou seja, inclui esse e cada um dos 364 dias seguintes, até completar o calendário dos doze meses. E justo desde esse instante começa a viver seu segundo ano.
Esta lógica indica que no decurso de 2010 estamos no Ano 52 da Revolução.
Certo é que a denominação dos dois últimos anos pode criar confusão, mas quando se analisa a partir da explicação anterior, ela serve para esclarecer anos e aniversários: 2008, foi o Ano 50 da Revolução e 2009, o Ano do 50º Aniversário do Triunfo da Revolução.
O acordo da Assembleia Nacional do Poder Popular é que a denominação dos anos é seguida pelo número consecutivo, salvo se houver algum acontecimento ou comemoração especial que se deseje ressaltar por sua excepcionalidade. Isso foi o que aconteceu com 2009, que teria sido o Ano 51 da Revolução, de não existir a evocação do extraordinário 50º Aniversário do Triunfo. •
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A cultura deixou profundas marcas ao longo do ano
Mireya Castañeda
• UM ano é um lapso aparentemente curto na vida. Quando se trata de apreciar o ocorrido em sua passagem, tão só no âmbito cultural, acontece que deixou profundas marcas na memória de muitos.
Precisamente essa palavra, "muitos", marca a diferença em Cuba. Ao longo dos passados doze meses é o público, o espectador, o leitor, o cinéfilo, o melômano, o dançarino, que se tornou sujeito de qualquer manifestação da arte à qual se deseje fazer referência.
Feiras, festivais, concertos, prêmios, discos, artistas visitantes, confirmam seu significado pela resposta que receberam, e na Ilha somam milhões.
O ano 2009, contudo, esteve exaltado pelos cinquentenários de duas instituições, a Casa das Américas e o Instituto Cubano da Arte e da Indústria Cinematográficas (Icaic).
O CINEMA
Com a entrega, em 24 de março, a Alfredo Guevara, da Ordem José Martí, a mais alta distinção do estado cubano, reconheceu-se a própria trajetória do cinema revolucionário cubano na defesa da obra revolucionária, a transformação da vida espiritual de nosso povo e a conservação da memória histórica.
O presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, general-de-exército Raúl Castro, impôs a condecoração a Guevara, um dos fundadores do Icaic.
Interessante é que, numa pesquisa de 2009, acerca dos cem melhores filmes de cineastas ibero-americanos, Tomás Gutiérrez Alea, Titón (1928-1996) tenha sido exaltado ao número um por seu filme Memórias do subdesenvolvimento (1968), precisamente em seu 40º aniversário.
No ano do cinquentenário do Icaic, as comemorações chegaram ao cume dos momentos com a exposição de longas-metragens, todos duma bem-recebida diversidade temática de gênero e estilos e de realizadores pertencentes a diferentes gerações. A anunciação, do mestre e Prêmio Nacional de Cinema, Enrique Pineda Barnet; O corno da abundância, de Juan Carlos Tabío, e duas óperas-primas, Os deuses quebrados, de Ernesto Daranas e Ciudad en rojo, de Rebeca Chávez.
Depois, no 31º Festival Internacional do Cinema Novo Latino-Americano, optaram por prêmios Coral El premio flaco de Iraida Malberti e Juan Carlos Cremata Malberti, e Lisanka de Daniel Díaz Torres.
O Festival de Cinema é outra coisa. Trata-se de dez intensos dias para ver os melhores filmes da região, os do concurso, mas também mostras de outros países. Na recém-concluída edição, apenas a Seção Sindical incluiu 110 filmes e as Paralelas, mais de 170.
O segredo de seus olhos, o filme mais recente do argentino Juan José Campanella, protagonizada pelos muito conhecidos Ricardo Darín (prêmio Coral de Atuação), Guillermo Francella e Soledad Villamil, foi eleito para inaugurar o encontro e finalmente obteve o Prêmio Especial do Júri.
Já publicamos todos os prêmios, mas algo para lembrar:
A teta assustada, da peruana Claudia Llosa, obteve o primeiro prêmio Coral de ficção e Catalina Saavedra Coral à Melhor Atuação Feminina por A Nana (Chile).
Cuba houve de consolar-se com a maioria dos onze prêmios entregues por instituições e organizações cubanas vinculadas ao mundo da cultura, jornalistas especializados e críticos: Quatro deles foram conferidos a Juan Carlos Cremata pelo El premio flaco.
Do festival destacou também a presença de três norte-americanos, o diretor Curtis Hanson (L.A Confidencial); o presidente da companhia Fox Music Inc., Robert Kraft, que ministrou uma conferência magistral sobre música e cinema, e o guitarrista e compositor Gary Lucas tocando ao vivo, em estréia mundial, sua partitura para o Drácula latino.
Em 2009, também, chegaram a Havana quatro ganhadores do prêmio Oscar, James Caan, Robert Duvall, Bill Murray e Benicio del Toro, o ator porto-riquenho que recebeu o Prêmio Internacional Tomás Gutiérrez Alea, que pela primeira vez concede a União dos Escritores e Artistas de Cuba (Uneac).
Outras duas estrelas de Hollywood viajaram à Ilha para inaugurar a Casa do Cinema do Caribe, Danny Glover e Harry Belafonte.
MÚSICA
Grande protagonista dos passados doze meses foi a música. Apoteótico, sem dúvidas, foi o Concerto Paz sem fronteiras em Havana. A ideia do colombiano Juanes tinha resultado, quando menos, muito polêmica. E, contudo,… estrelas internacionais da balada, o rock, a fusão, o pop, o merengue e o salsa cantaram na Praça da Revolução perante um milhão 150 mil cubanos.
Os nomes? A carismática diva porto-riquenha Olga Tañón; o espanhol Miguel Bosé; Carlos Varela; o próprio Juanes; Silvio Rodríguez; os espanhóis Luis Eduardo Aute e Víctor Manuel; o porto-riquenho Danny Rivera; o grupo de hip-hop Orishas; Cucu Diamantes e o grupo Yerba Buena; o italiano Jovanotti; X Alfonso; o equatoriano Juan Fernando Velazco; Amaury Pérez e Van Van.
Surpresa final para o fechamento. Os Van Van com todos para cantar um tema do inesquecível Compay Segundo, seu Chan Chan, cubaníssimo e universal.
Duas produções discográficas de alto voo artístico Gracias e Juntos para siempre, de Omara Portuondo e Bebo e Chucho Valdés, respectivamente, obtiveram Prêmios Grammy Latino que se entregam nos Estados Unidos, vencendo assim qualquer barreira, não as menores política e até comercial, que por décadas punha em segundo plano a qualidade musical.
O Grammy Latino ao Melhor Álbum Tropical Contemporâneo foi para Omara por Gracias e o segundo, na categoria de Melhor Álbum Latino, foi por Juntos para siempre, gravado por Chucho Valdés e seu pai, Bebo.
Com Gracias, Omara tinha obtido o Grande Prêmio de Cubadisco, junto a Juan Formell e Van Van por Aquí el que baila gana, disco que abre com Chapeando e continua com alguns dos grandes sucessos do grupo, El baile del buey cansa’o, Anda ven y muévete, El negro está cocinando, Marilú, ... peças que fizeram dançar por 40 anos.
Outro acontecimento musical de 2009 foi a 25ª edição do Festival Internacional de Jazz Plaza, que na opinião de seu presidente, Chucho Valdés, mostra ao mundo que Cuba continua sendo a rainha do latin jazz.
Se de mencionar alguns visitantes se trata… os norte-americanos de Kool and The Gang; o afamado grupo mexicano de rock Café Tacuba e o cantor e compositor de passaporte francês, mas de origem universal, Manu Chao.
Da cena musical internacional comoveram as mortes do Rei do Pop, Michael Jackson, que apenas com Thriller, vendeu mais de 41 milhões de exemplares e de Mercedes Sosa, lendária voz da canção latino-americana que fez famosos temas como Gracias a la vida, ou Cuando tenga la tierra…
LITERATURA
Maravilha poder começar com o fato de que se comemorou o 120º aniversário de A idade de ouro, publicação mensal de 32 páginas que tinha como redator exclusivo a José Martí, o Apóstolo da independência cubana.
Mais um aniversário imprescindível de lembrar: Dona Bárbara de Rómulo Gallegos completou 80 anos, a mais famosa das novelas venezuelanas.
Agora vamos falar da Casa das Américas, cuja fundação em abril de 1959 é devida, ante tudo, à visão integradora e latino-americanista de Haydeé Santamaría, heroína do ataque ao quartel Moncada em 1953, da luta clandestina nas cidades e guerrilheira na Serra Maestra.
Então a Casa leva cinco décadas de vincular a Cuba, além do bloqueio, com os países latino-americanos e caribenhos; de difundir o melhor da cultura de nossa América e de aproximar entre si a seus criadores.
No próprio 1959 se convocou ao concurso literário que se chamaria depois Prêmio Literário Casa das Américas, indissoluvelmente ligado já à história da literatura latino-americana e caribenha.
Aos trabalhos da Casa estiveram unidos nomes importantes: Alejo Carpentier, Ezequiel Martínez Estrada, Manuel Galich, Harold Gramatges George Lamming, Juan José Arreola, Julio Cortázar e Mario Benedetti, cuja morte neste ano levou o luto às letras latino-americanas.
Mais uma despedida, a de Cintio Vitier, foi igualmente dolorosa, mas deixou uma obra poética, ensaística e de pesquisa martiana imperecedoura.
Começamos pelo público, e agora chega o momento do leitor. A Feira Internacional do Livro de Cuba, que em sua 18ª edição e com o Chile Convidade de Honra, foi inaugurada pela chefa do Estado chileno, Michelle Bachelet, e pelo presidente cubano, Raúl Castro, em cerimônia na Fortaleza de San Carlos de la Cabaña.
No encontro, o tão reconhecido "ávido" leitor da Ilha, teve a difícil possibilidade de poder selecionar entre mais de mil novos títulos, com seis milhões de exemplares.
A Feira do Livro se tornou o acontecimento cultural mais relevante do ano na Ilha. Uma verdadeira festa para a família, visitada por mais de quatro milhões de pessoas nas cerca de 40 sedes abertas em 16 cidades.
O BALÉ
Não é novo para quem acompanhe o acontecer cultural cubano dizer que o balé não é uma arte de elite na Ilha. Assim que quando chegou a Havana o Royal Ballet de Londres e houve um pandemonium dentro e fora dos teatros, o fato é "normal", igual que em ano de Festival Internacional de Balé.
Para a estréia, The Royal Ballet se decidiu por Chroma, Wayne McGregor; Un mes en el campo, do grande Frederick Ashton, e para a homenagem à assoluta Alicia Alonso Tema y variaciones, que George Balanchine fez para ela e Igor Youskevitch, em 1947. O fechamento, uma espetacular Manon, coreografia de Kenneth MacMillan tornado clássico do século 20, com a espanhola Tamara Rojo e o cubano Carlos Acosta.
Atuou também em Havana a companhia Sasha Waltz and Guests, considerada uma embaixadora da dança contemporânea alemã, como parte dos festejos pelo 50º aniversário de Dança Contemporânea de Cuba.
Em 19 de fevereiro de 1960, apresentou-se a companhia pela primeira vez duas coreografias de Ramiro Guerra com sugestivos títulos, Mulato y Mambí, e Estudio de las aguas, montadas pela norte-americana Lorna Burdsall.
O dançarino e professor Miguel Iglesias rege os destinos de Dança Contemporânea de Cuba há 21 anos, e estimulou a colaboração com o holandês Jan Likens, autor de Folía y Compás; com o argelino Samir Akika, em Nayara, mira pero no toques; com o catalã Rafael Bonachela, coreógrafo de Demon-Crazy e mais recentemente com o sueco Mats Ek, que montou Casi-casa.
Luto para a dança universal foi a morte da prestigiosa coreógrafa alemã Pina Bausch, fundadora da companhia Tanztheater de Wuppertal.
ARTES PLÁSTICAS
O universo das artes plásticas foi copado pela Décima Bienal de Havana, um evento de apreciável convocatória internacional e prestigio consolidado, organizado pelo Centro Wifredo Lam.
A Bienal converteu a cidade numa imensa galeria, mais de cem espaços se somados os do encontro propriamente dito, onde participaram 300 artistas de 54 países, e os dedicados à arte cubana.
A Casa das Américas, por sua parte, denominou 2009 de Ano Cinético, uma tendência que ilustra o sentido de movimento e transformação.
A primeira exposição foi Da abstração… à arte cinética, com artistas da Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Espanha, Hungria, México, Romênia, Cuba e Venezuela e depois, até janeiro de 2010, as exposições individuais da chilena Matilde Pérez, dos argentinos León Ferrari e Rogelio Polesello, do venezuelano Carlos Cruz-Diez, de Luis Tomasello (Argentina-França) e do mestre Julio Le Parc, ainda aberta.
Não podia faltar uma arte de futuro, o Salão e Concurso de Arte Digital, sob a égida do Centro Cultural Pablo de la Torriente Brau, em sua Décima edição.
TEATRO
As artes cénicas tuiveram seu selo definitivo no 13º Festival Internacional de Teatro de Havana, onde mais de 60 grupos, internacionais e nacionais, defenderam diversas propostas estéticas.
Se somadas as encenações de convidados e cubanos puderam ser desfrutados um total de 71 espetáculos em mais de 30 espaços, que não puderam responder, em vagas, ao público que foi vê-los, mais de 75 mil pessoas.
Com certeza, houve muitos espetáculos, prêmios, concertos, feiras e festivais em 2009 e o mais satisfatório, tudo da mais alta qualidade. •
RECUADRO
• O alto significado do título indica por si só que os nomes a mencionar representam o melhor da cultura do país.
Lorna Burdsall (Estados Unidos, 1928): dançarina e coreógrafa, já tinha sido distinguida com o Prêmio Nacional de Dança em 2008. Agora recebe o de Ensino Artístico 2009, "por seu destacado acerto na formação profissional e humana de várias gerações".
Ramiro Guerra: Já possui os prêmios nacionais de Dança e Ensino Artístico, recebeu o de Pesquisas da Cultura
por seus inúmeros textos, essenciais, sobre dança moderna e a forma de dançá-la na Ilha.Ambrosio Fornet: Mereceu o de Literatura. A láurea foi outorgada ao autor de A un paso del diluvio, En tres y dos, La coartada perfecta, e a monografia El libro en Cuba; siglos XVIII y XIX, por "suas valiosas contribuições à cultura nacional nas áreas de ensaio, crítica, edição, estudos literários e do livro, assim como por seu magistério intelectual".
Nelson Domínguez: Conferiram-lhe o de Artes Plásticas. Pintor, escultor e gravador, ele é um dos mais representativos da arte cubana contemporânea. Em sua obra, cheia de alegorias e símbolos, aborda as implicações socioculturais, as interrelações entre o ser humano e demais elementos que compõem o entorno. Criar é para ele "uma necessidade primária".
Carlos Pérez Peña: "Este homem da cena é uma referência iniludível em nossa atividade… Um nome que em si mesmo nos permite repassar escolas e modos de fazer". O júri outorgou-lhe o de Teatro.
Leo Brouwer: Compositor, guitarrista e diretor de orquestra, ele recebeu o de Cinema 2009 por sua fecunda contribuição à linguagem cinematográfica. A obra deste insigne músico está associada a filmes que passaram à história da sétima arte como Memórias do subdesenvolvimento e A última ceia, de Tomás Gutiérrez Alea; Lucía e Cecilia, de Humberto Solás, e outras.
Teresita Fernández: Foi proclamada como Prêmio Nacional de Música "pelo rico catálogo autoral da trovadora, suas contribuições pedagógicas e a apaixonada entrega à canção como portadora de elevados valores humanos". Mi gatico Vinagrito, Tin tin la lluvia, Lo feo, Amiguitos vamos todos a cantar, e outras muitas, fazem parte do patrimônio musical cubano e latino-americano.
Isidro Rolando: Regisseur de Dança Contemporânea de Cuba, dançarino, cantor, coreógrafo, foi o premiado em Dança. Dançou em clássicos como Sulkary ou Panorama e assina peças como El rapto de las mulatas. (Mireya Castañeda) •
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2009
Desenganos, crise e esperanças
Nidia Díaz
• CONCLUIU o ano 2009 e o panorama internacional oferece um interessante leque de conflitos, encruzilhadas, frustrações e situações limites que se misturam com esperanças positivas e desenvolvimentos, tudo em companhia da grave crise econômica global, provocada pelos Estados Unidos, e cujo efeito devastador se espalhou pelo resto do planeta, a partir dos países capitalistas desenvolvidos, causando os maiores estragos nas nações do Terceiro Mundo.
Em meio ao desmoronamento dos indicadores econômicos internacionais e suas consequências sociais, que levaram a um crescimento da pobreza, da fome e das doenças — segundo foi confirmado pelos organismos internacionais e pelas agências especializadas das Nações Unidas, — o ano que terminou também esteve marcado pela continuação das guerras de agressão e pela ocupação militar no Iraque e Afeganistão, estendida perigosamente ao Paquistão, pelo golpe de Estado militar-oligárquico contra o governo constitucional de José Manuel Zelaya, em Honduras e pela instalação de sete bases militares estadunidenses na Colômbia.
A maior frustração do ano foi, sem dúvida, a gestão presidencial de Barack Obama, que tomou posse no mês de janeiro, cercado de uma auréola que parecia pressagiar a possibilidade de algumas mudanças, embora mínimas — tal como prometera na sua espetacular campanha — e que em poucos meses, com suas ações, mostrou a verdadeira essência do que será sua administração, confirmando as previsões daqueles que sempre duvidaram dessa eventualidade, levando em conta a natureza inalterável e invariável do fenômeno imperialista e sua necessidade de guerras, agressões, dominação e saque para subsistir e impor-se ao mundo como tal.
A impossibilidade de reverter esses propósitos ficou a nu, em poucos meses, se não bastasse, o novo presidente dos EUA tomou medidas e deu passos agressivos muito similares aos do seu nefasto antecessor.
Se o fez sob brutais pressões, ou como fruto das contradições internas do próprio governo, ou na busca de assegurar uma eventual reeleição, tudo isso, atualmente, é alvo de debate e discussão mundial, mas, que em nada mudam os resultados.
O certo é que os meses decorridos com o novo inquilino da Casa Branca mostram a necessidade de continuar enfrentando com novos brios as políticas do império, particularmente por parte dos países da Ásia, África, América Latina e o Caribe, que continuam sendo o terreno preferido e propício para o exercício do hegemonismo e do saque.
A crise econômica global veio acompanhada de uma crise ambiental, cujo elemento mais visível e ameaçador é a mudança climática, que avança indetível e que não tem sido possível deter nem sequer com o maltratado Protocolo de Kyoto, nem com as Cúpulas, como a de Copenhague, cujo desenvolvimento e resultados vergonhosos mostraram que os Estados Unidos e o mundo capitalista desenvolvido pouco se importam destes perigos que podem derivar no fim da humanidade.
As nações do Terceiro Mundo pagarão as culpas dos depredadores do capitalismo mundial e os pequenos estados insulares vão desaparecer, aos poucos, não se põe fim à poluição irresponsável do meio ambiente por parte daqueles que hoje a praticam criminosamente para enriquecer seus bolsos, acelerando o degelo e a elevação do nível dos mares, a seca e os desastres naturais.
A crise econômica global também veio acompanhada de uma crise energética, que já se vislumbrava como consequência dos altos preços do petróleo e que, estimulada pela voracidade insaciável dos EUA, trouxe em consequência o auge indiscriminado dos chamados biocombustíveis, que com o pretexto de substituir o petróleo e evadir os altos preços, provocou uma crise alimentar que também afetou os países mais pobres e as populações mais vulneráveis.
A pandemia da influenza A, conhecida como A H1N1, também atingiu este ano, acrescentando uma calamidade mais para os habitantes da terra, que ainda não se libertaram da Aids e que lutam contra a dengue nas regiões tropicais. A crise econômica, acompanhada da negligência, da abulia e do desvio de recursos, por parte de governos insensíveis e irresponsáveis, fez com que, nalguns países, os efeitos destes flagelos fossem particularmente graves.
A União Europeia finalmente concordou que entrasse em vigor o chamado Tratado de Lisboa, que substituiu o tratado constitucional que infrutuosamente durante anos tentaram aprovar, e depois das reticências derradeiras da Polônia e da República Tcheca, que deste modo conseguiram algumas concessões, foi assinado este novo tratado jurídico para a União de 27 países.
Contudo, o papel político independente que a União Europeia poderia desempenhar no mundo — e dentro da própria Europa — continua sem se manifestar, e em 2009 continuou afastando-se de seus propósitos originais, tornando-se cada vez mais dependente das posições do governo dos EUA, quer Bush quer Obama, às quais praticamente se subordina nas mais importantes conjunturas internacionais. A existência, no seu seio, de uma maioria de governos de direita: as relações que muitos dos integrantes da União são obrigados a manter com Washington, como membros do pacto político-militar da OTAN, bem como o elevado grau de dependência econômica e cultural dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial e o colapso da URSS e do campo socialista europeu, são fatores que, de uma forma ou outra, se combinam e impedem à União Europeia um protagonismo próprio mais relevante.
No Japão, pelo contrário, a chegada ao governo do Partido Democrático e seus aliados, pôs fim a 50 anos quase ininterruptos do Partido Liberal Democrático, estreitamente ligado aos EUA durante esse período, razão dos acordos assinados em matéria de defesa, que tornaram essa nação num porta-aviões asiático das forças armadas norte-americanas. Como anunciou durante sua campanha eleitoral, o novo primeiro-ministro Hatoyama discutirá com Washington outras modalidades que transformem e regulamentem de maneira mais efetiva para o país do Sol Nascente a numerosa presença militar estadunidense.
Durante o ano, continuaram tendo lugar processos iniciados com anterioridade, mas que, em 2009, mereceram destaque e foram fatores de incidência regional e mundial. Um deles foi, apesar da crise mundial, o crescimento da economia da República Popular da China e sua consolidação como grande potência econômica, que leva muitos especialistas a considerá-la a segunda economia do mundo.
Por sua vez, a África continuou se tornando grande fornecedor de petróleo, mediante contratos e acordos de caráter diferente, segundo o país do qual se tratar, aumentando a presença das multinacionais petroleiras e seus lucros, bem como as receitas dos governos locais beneficiados com o auge petroleiro.
Contudo, não se informa que, na mesma medida, se tenha conseguido um notável aumento do nível de vida desses povos e uma constante diminuição da pobreza e do subdesenvolvimento.
Um raio de esperança, junto a múltiplas realidades, continua iluminando a América Latina e o Caribe. Os processos de transformações econômicas, políticas e sociais, que de diversa forma, abrangem numerosos países latino-americanos e caribenhos se consolidaram e, apesar dos efeitos da crise econômica e da política premeditada do governo dos EUA e das oligarquias locais associadas e dependentes para obstaculizá-los e eliminá-los, avançaram em várias esferas de cooperação e integração.
A Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (ALBA), criada há cinco anos, a partir dos acordos entre Cuba e Venezuela, assinados pelos presidentes Fidel Castro e Hugo Chávez, surgiu como esquema sem precendentes de integração solidária e de benefício recíproco, além dos puramente comerciais que caracterizaram outros esforços integradores na região. Os sucessos da ALBA tornaram-se evidentes com rapidez e isso marcou a extensão da Aliança a outros países como Bolívia, Equador, Nicarágua, Dominica, Antígua e Barbuda, São Vicente e Granadinas e Honduras. Sucessos que foram comemorados, neste ano, com novas metas e aspirações, sob os princípios bolivariano e martiano da construção da Pátria Grande.
O golpe de Estado de 28 de junho, em Honduras, contra o presidente constitucional, José Manuel Zelaya, foi atribuído, entre outras coisas, à decisão do governo de incorporar-se à ALBA e tentar guiar o país pelo caminho da soberania e do desenvolvimento próprios, à margem da oligarquia local e de algumas famílias que exploraram o país durante séculos. Como todos sabemos, este foi um golpe contra a ALBA, ao qual os EUA não são alheios, pois eles sentiam a necessidade de tornar pública sua rejeição a esta Aliança e deixar claro que estavam dispostos a enfrentá-la, no que consideraram seu elo mais fraco.
Na contramão das suas aspirações, o ano que termina viu renascer um movimento de resistência popular, disposto a converter este revés em vitória, e para isso contam com a firme decisão de não desmobilizar-se e continuar lutando, como dignos herdeiros de Francisco Morazán.
Com certeza, a América Latina e o Caribe vivem momentos de mudanças, onde nada é nem será como antes. O fracasso de Washington em impor a chamada Área de Livre Comércio das Américas (Alca) marcou uma guinada definitiva da situação, acompanhada de sucessivas tomadas de poder de diversas forças progressistas, nacionalistas, populares e, inclusive, antiimperialistas de diferentes signos e composição, mas unidas em um denominador comum que as integra e as aproxima.
A entrada de Cuba no Grupo de Rio e o cessar das sanções que os Estados Unidos lhe impunham no seio da OEA, expressaram a decadência do poder do império e a perda de sua influência abrangente em seu outrora "quintal".
O ano novo não chega exatamente igual a todas as regiões do planeta, embora problemas globais como a mudança climática e a crise econômica pareçam não admitir testemunhas e nelas todos somos protagonistas. Desenganos, crise e esperanças poderão continuar caracterizando o sucessor deste convulso 2009. •
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Argentinos formados em Cuba inauguram consultório médico
• ARGENTINOS formados na Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), de Havana, inauguraram, em 28 de dezembro passado, a Casa Tatu, um consultório para o atendimento a habitantes dum bairro de extrema-pobreza de Buenos Aires.
A secretária-geral do Projeto Tatu, Teresa Singer, destacou em suas palavras de agradecimento aos moradores que construíram o local, que esse sonho leva por nome o pseudônimo de Ernesto Guevara de la Serna, mais conhecido como o Che, quando lutava pela libertação da África.
Após ressaltar o gesto generoso de Cuba, ao formar médicos jovens como ela, de bairros muito humildes, disse que a Elam forma dois mil por ano, procedentes dessas comunidades de todo o mundo, partilhando tudo sem pedir nada em troca.
"Hoje dedicamos" – disse – "a abertura da casa de atendimento integral ao médico argentino-cubano Ernesto Che Guevara, ao povo cubano, a Fidel Castro Ruz e com certeza a vocês companheiros", expressou a jovem doutora, em meio dos aplausos da multidão.
A Proposta Tatu, uma iniciativa nascida em 2001, ao partirem para Cuba a estudar, foi executada em 2007 em bairros degradados bonaerenses, quando ainda não tinham validado seus títulos, por considerarem que não tinham direito a esperar, de acordo com o publicado pelo site Cubadebate.
Desde então, abriram 14 pontos de atendimento, dirigidos prioritariamente às crianças.
Um dos ativistas de mais destaque, o doutor Alejo Moreira, graduado da Elam, nasceu e foi criado num bairro-da-lata, a maioria cabanas de madeira e de chapas, agora com 20 mil habitantes, dos quais sete mil são crianças.
Na jornada, à qual assistiu Carlos Calica Ferrer, amigo da infância e companheiro de Ernesto Guevara, em sua segunda viagem pela América Latina, em 1953, se entregaram brinquedos e guloseimas às crianças, doados pela gestão de Proposta Tatu perante associações comerciais e sociais. •
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Venezuela quer a paz com a Colômbia, garante Chávez
• CARACAS. — O presidente venezuelano, Hugo Chávez, assegurou que a única aspiração da Venezuela é viver em paz com a Colômbia, apesar de que os ventos de guerra, impulsionados pelos Estados Unidos na região, a obriguem a se preparar diante de eventuais agressões.
"Como disse Simón Bolívar, a paz é nosso porto, e levamos 11 anos dizendo que a queremos", afirmou Chávez na Guajira, Zulia, onde cumprimentou, pelo fim de ano, os efetivos da Região de Defesa Integral Ocidental.
O dignitário assegurou que a prioridade de sua gestão é trabalhar para garantir uma vida digna aos cidadãos deste país.
"Cá estamos para construir em paz a pátria do futuro, a que já começou a tornar-se realidade, não para atacar ninguém" — afirmou — e lamentou que os últimos acontecimentos fossem numa direção contrária.
Após a escalada no conflito colombo-venezuelano, a partir da instalação de sete bases militares norte-americanas em solo neo-granadino, Bogotá anunciou o fortalecimento de seu contingente bélico na fronteira, unido a ataques verbais de seu ministro de Defesa, Gabriel Silva.
Caracas denunciou também a incursão em seu território de paramilitares colombianos e dum avião não-tripulado, aparelho supostamente destinado a trabalhos de inteligência.
"Esses são indícios de agressão", advertiu Chávez.
Para o chefe de Estado, as únicas respostas possíveis são: a preparação para a defesa e a calma para não cair em provocações. (PL) •
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Reflexões do companheiro Fidel
O DIREITO DA HUMANIDADE A EXISTIR
(Extraído de Cubadebate)
• A mudança climática já causa danos consideráveis e centenas de milhões de pobres sofrem as conseqüências.
Os centros de investigações mais avançados garantem que resta muito pouco tempo para evitar uma catástrofe irreversível. James Hansen, do Instituto Goddard da NASA, assevera que um nível de 350 partes do dióxido de carbono por milhão ainda é tolerável; contudo, hoje ultrapassa a cifra de 390 e cada ano se incrementa a ritmo de duas partes por milhão, ultrapassando os níveis de há 600 mil anos. As últimas duas décadas têm sido, cada uma delas, as mais calorosas desde que se têm notícias do registro. Nos últimos 150 anos o mencionado gás aumentou 80 partes por milhão.
O gelo do Mar Ártico, a enorme camada de dois quilômetros de espessura que cobre a Groenlândia, as geleiras da América do Sul que nutrem suas fontes principais de água doce, o volume colossal que cobre a Antártida, a camada que resta do Kilimanjaro, os gelos que cobrem a Cordilheira do Himalaia e a enorme massa gelada da Sibéria estão a se derreter visivelmente. Cientistas notáveis temem saltos quantitativos nestes fenômenos naturais que originam a mudança.
A humanidade pôs grandes esperanças na Cimeira de Copenhague, depois do Protocolo de Kyoto subscrito em 1997, que começou a vigorar no ano 2005. O estrondoso fracasso da Cimeira deu lugar a vergonhosos episódios que precisam ser esclarecidos.
Os Estados Unidos da América, com menos de 5% da população mundial emitem 25% do dióxido de carbono. O novo Presidente dos Estados Unidos da América prometeu cooperar com o esforço internacional para encarar um problema que afeta esse país e o resto do mundo. Durante as reuniões prévias à Cimeira, ficou evidenciado que os dirigentes dessa nação e dos países mais ricos manobravam para fazer com que o peso do sacrifício caísse sobre os países emergentes e pobres.
Grande número de líderes e milhares de representantes dos movimentos sociais e instituições científicas decididos a lutar por preservar a humanidade do maior risco de sua história, viajaram a Copenhague convidados pelos organizadores da Cimeira. Não vou me referir aos detalhes sobre a brutalidade da força pública dinamarquesa, que arremeteu contra milhares de manifestantes e convidados dos movimentos sociais e científicos que acudiram à capital da Dinamarca, para me concentrar nos aspectos políticos da Cimeira.
Em Copenhague reinou um verdadeiro caos e aconteceram coisas incríveis. Os movimentos sociais e instituições científicas foram proibidos de participar nos debates. Houve Chefes de Estado e de Governo que não puderam nem sequer emitir suas opiniões sobre problemas vitais. Obama e os líderes dos países mais ricos apropriaram-se da conferência com a cumplicidade do governo dinamarquês. Os organismos das Nações Unidas foram relegados.
Barack Obama, que chegou no último dia da Cimeira para permanecer ali apenas 12 horas, reuniu-se com dois grupos de convidados escolhidos "a dedo" por ele e seus colaboradores. Junto a um deles se reuniu na sala da plenária com o resto das mais altas delegações. Falou e foi embora logo pela porta traseira. Nessa sala, com a exceção do grupo selecionado por ele, foi proibido fazer uso da palavra aos outros representantes dos estados. Nessa reunião os Presidentes da Bolívia e da República Bolivariana da Venezuela puderam falar porque, perante o reclamo dos representantes o Presidente da Cimeira não teve outra alternativa que lhes conceder a palavra.
Noutra sala contígua, Obama reuniu os líderes dos países mais ricos, vários dos Estados emergentes mais importantes e dois muito pobres. Apresentou um documento, negociou com dois ou três dos países mais importantes, ignorou a Assembléia Geral das Nações Unidas, ofereceu entrevistas coletivas, e foi embora como Júlio César numa de suas campanhas vitoriosas na Ásia Menor, que fez com que exclamasse: Cheguei, vi e venci.
O próprio Gordon Brown, Primeiro Ministro do Reino Unido, no dia 19 de outubro, afirmou: "Se não chegamos a um acordo, no decurso dos próximos meses, não devemos ter nenhuma duvida de que, uma vez que o crescimento não controlado das emissões tenha provocado danos, nenhum acordo global retrospectivo, nalgum momento do futuro, poderá desfazer tais efeitos. Nessa altura, será irremediavelmente tarde demais."
Brown concluiu seu discurso com dramáticas palavras: "Não podemos dar-nos ao luxo de fracassar. Se fracassamos agora, pagaremos um preço muito alto. Se atuamos agora, se atuamos de conjunto, se atuamos com visão e determinação, o sucesso em Copenhague ainda estará ao nosso alcance. Mas se fracassamos, o planeta Terra estará em perigo, e para o planeta não existe um Plano B."
Agora, declarou com arrogância que a Organização das Nações Unidas não deve ser tomada como refém por um pequeno grupo de países como Cuba, a Venezuela, a Bolívia, a Nicarágua e Tuvalu, ao mesmo tempo que acusa a China, a Índia, o Brasil, a África do Sul e outros Estados emergentes de cederem perante as seduções dos Estados Unidos da América para subscreverem um documento que lança à lixeira o Protocolo de Kyoto e não contém nenhum compromisso vinculativo por parte dos Estados Unidos da América e dos seus aliados ricos.
Sou obrigado a recordar que a Organização das Nações Unidas nasceu há apenas seis décadas, depois da última Guerra Mundial. Os países independentes, naquela altura não ultrapassavam o número de 50. Hoje fazem parte dela mais de 190 Estados independentes, após ter deixado de existir, produto da luta decidida dos povos, o odioso sistema colonial. À própria República Popular China, durante muitos anos, lhe foi negado pertencer à ONU, e um governo fantoche ostentava sua representação nessa instituição e em seu privilegiado Conselho de Segurança.
O apoio tenaz do crescente número de países do Terceiro Mundo foi indispensável no reconhecimento internacional da China, e um fator de suma importância para que os Estados Unidos da América e seus aliados da NATO lhe reconheceram seus direitos na Organização das Nações Unidas.
Na heróica luta contra o fascismo, a União Soviética tinha realizado o maior contributo. Mais de 25 milhões de seus filhos morreram, e uma enorme destruição assolou o país. Dessa luta emergiu como superpotência capaz de contrapesar em parte o domínio absoluto do sistema imperial dos Estados Unidos da América e as antigas potências coloniais para o saqueio ilimitado dos povos do Terceiro Mundo. Quando a URSS se desintegrou, os Estados Unidos da América estenderam o seu poder político e militar para o Leste, até o coração da Rússia, e a sua influência sobre o resto da Europa aumentou. Nada de estranho tem o acontecido em Copenhague.
Desejo sublinhar o injusto e ultrajante das declarações do Primeiro Ministro do Reino Unido e a tentativa ianque de impor, como Acordo da Cimeira, um documento que em nenhum momento foi discutido com os países participantes.
O Ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, na entrevista coletiva oferecida no dia 21 de dezembro, afiançou uma verdade que é impossível negar; usarei textualmente alguns dos seus parágrafos: "Gostaria de enfatizar que em Copenhague não houve nenhum acordo da Conferência das Partes, não foi tomada nenhuma decisão com respeito aos compromissos vinculativos ou não vinculativos, ou de natureza de Direito Internacional, de maneira nenhuma; simplesmente, em Copenhague não houve acordo".
"A Cimeira foi um fracasso e um engano à opinião pública mundial. [...] ficou a descoberto a falta de vontade política..."
"... foi um passo atrás na ação da comunidade internacional para prever o mitigar os efeitos da mudança climática..."
"... a média da temperatura mundial poderia aumentar em 5 graus..."
Logo, o nosso Ministro das Relações Exteriores acrescenta outros dados de interesse sobre as possíveis conseqüências segundo as últimas pesquisas da ciência.
"...desde o Protocolo de Kyoto até a data as emissões dos países desenvolvidos aumentaram 12,8%... e desse volume 55% corresponde aos Estados Unidos da América."
"Um estadunidense consome anualmente, em média, 25 barris de petróleo, um europeu 11, um cidadão chinês menos de dois, e um latino-americano ou caribenho, menos de um."
"Trinta países, incluídos os da União Européia, consomem 80% do combustível produzido."
O fato muito real é que os países desenvolvidos que subscreveram o Protocolo de Kyoto aumentaram drasticamente suas emissões. Querem substituir agora a base adotada das emissões a partir de 1990 com a de 2005, com o qual os Estados Unidos da América, o máximo emissor, reduziria só 30% suas emissões de 25 anos antes. É uma desavergonhada zombaria à opinião pública.
O Ministro das Relações Exteriores cubano, falando em nome de um grupo de países da ALBA, defendeu a China, a Índia, o Brasil, a África do Sul e outros importantes Estados de economia emergente, afirmando o conceito alcançado em Kyoto de "responsabilidades comuns, porém diferenciadas, quer dizer que os acumuladores históricos e os países desenvolvidos, que são os responsáveis por esta catástrofe, têm responsabilidades diferentes às dos pequenos Estados insulares ou às dos países do Sul, sobretudo os países menos desenvolvidos..."
"Responsabilidades quer dizer financiamento, responsabilidades quer dizer transferência de tecnologia em condições aceitáveis, e então Obama faz um jogo de palavras, e em vez de falar de responsabilidades comuns, porém diferenciadas, fala de ‘respostas comuns, porém diferenciadas’."
"... abandonou a sala sem se dignar a escutar ninguém, nem tinha escutado ninguém antes de sua intervenção."
Numa entrevista coletiva posterior, antes de abandonar a capital dinamarquesa, Obama afirma: "Temos produzido um substancial acordo sem precedente aqui em Copenhague. Pela primeira vez na história, as maiores economias viemos juntas aceitar responsabilidades."
Em sua clara e irrefutável exposição, nosso Ministro das Relações Exteriores afirma: Que quer dizer isso de que ‘as maiores economias viemos juntas aceitar nossas responsabilidades’? Quer dizer que estão descarregando um importante peso da carga que significa o financiamento para a mitigação e a adaptação dos países sobre todo do Sul à mudança climática, sobre a China, o Brasil, a Índia e a África do Sul; porque há que dizer que em Copenhague teve lugar um assalto, um roubo contra a China, o Brasil, a Índia, a África do Sul e contra todos os países chamados com eufemismo em desenvolvimento."
Estas foram as palavras contundentes e incontestáveis com as quais nosso ministro das Relações Exteriores relata o acontecido em Copenhague.
Devo acrescentar que, quando às 10 horas do dia 19 de dezembro nosso vice-presidente Esteban Lazo e o Ministro das Relações Exteriores cubano tinham ido embora, se produziu uma tentativa tardia de ressuscitar o morto de Copenhague, como um acordo da Cimeira. Nesse momento, não restava praticamente nenhum Chefe de Estado nem apenas ministros. Novamente, a denúncia dos restantes membros das delegações de Cuba, da Venezuela, da Bolívia, da Nicarágua e de outros países derrotou a manobra. Foi assim que finalizou a inglória Cimeira.
Outro fato que não pode ser esquecido foi que nos momentos mais críticos desse dia, em horas da madrugada, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, juntamente com as delegações que travavam uma digna batalha, ofereceram ao secretario-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, sua cooperação na luta cada vez mais dura que se levava a acabo, e nos esforços a se realizarem no futuro para preservar a vida de nossa espécie.
O grupo ecológico Fundo Mundial para a Natureza (WWF) advertiu que a mudança climática ficaria fora de controle nos próximos 5 a 10 anos, se não são diminuídas drasticamente as emissões.
Mas não faz falta demonstrar o essencial do que aqui é afirmado a respeito do feito por Obama.
O presidente dos Estados Unidos da América declarou, quarta-feira, 23 de dezembro, que as pessoas têm razão ao estarem decepcionados pelo resultado da Cimeira sobre a Mudança Climática. Em entrevista pela cadeia de televisão CBS, o mandatário assinalou que "’em vez de ver um total colapso, sem que tivesse feito nada, o que poderia ter sido um enorme retrocesso, ao menos nos mantivemos mais ou menos donde estávamos’..."
Obama — afirma a notícia — é o mais criticado por aqueles que, de maneira quase unânime, sentem que o resultado da Cimeira foi desastroso.
A ONU agora está numa situação difícil. Pedir a outros países que adiram ao arrogante e antidemocrático acordo seria humilhante para muitos Estados.
Continuar a batalha e exigir em todas as reuniões, principalmente nas de Bonn e do México, o direito da humanidade a existir, com a moral e a força que nos outorga a verdade, é segundo a nossa opinião o único caminho.
Fidel Castro Ruz
Dezembro 26 de 2009
20h15
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Chávez destaca resultados da construção do socialismo na Venezuela
• CARACAS.— O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, assegurou, em 27 de dezembro, que com a construção do socialismo o país consegue resultados inéditos na satisfação das necessidades básicas dos seres humanos, noticiou a PL.
"Agora na Venezuela podemos dizer, sem medo de exagerar, que estamos saindo do inferno em que nos tinham sumido aqueles que usaram mal o mandato de nosso povo durante 40 longos anos", assinalou no seu artigo dominical "As linhas de Chávez".
Entre os recentes resultados, o chefe de Estado destacou o início da Missão "Niño Jesús" e a criação do banco estatal Bicentenario, erguido a partir de casas financeiras privadas intervidas por múltiplas violações.
"A nossa meta é erradicarmos o uso das armas embotadas que o capitalismo introduziu desde tempos imemoriais, não é tarefa fácil, reconheço-o", expôs.
Em suas últimas linhas de 2009, o chefe de Estado apelou os venezuelanos a se incorporarem a essa cruzada e a se prepararem para defender a soberania em todos os campos. •
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Cuba livre de desnutrição infantil severa, segundo a UNICEF
• O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) afirma que Cuba é o único país da América Latina e o Caribe que eliminou a desnutrição infantil severa, graças aos esforços de seu governo.
Num documento no site Cubadebate, Unicef refere que existem, no mundo subdesenvolvido, 156 milhões de crianças menores de cinco anos em estado de depauperação, o que contrasta com a realidade dos infantes cubanos.
O relatório registra que as porcentagens de pequenos com baixo peso são de 28% na África Subsaariana, 17% no Oriente Médio e África do Norte, 15% na Ásia Oriental e o Pacífico, e 7% na América Latina e o Caribe.
A tabela completa-se com a Europa Central e o do Leste, com 5%, e outros países subdesenvolvidos, com 27%.
Contudo, Cuba não apresenta problemas de desnutrição infantil severa, devido aos esforços do Estado cubano por melhorar a alimentação do povo, nomeadamente a daqueles grupos mais vulneráveis.
Para satisfação da Ilha, a Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), também reconheceu que Cuba é a nação com mais avanços na América Latina, na luta contra a desnutrição.
Cubadebate acrescentou que a Ilha não esta isenta de deficiências, dificuldades e sérias limitações devido, fundamentalmente, ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos, há cinco quase cinco décadas. (AIN) •
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Fidel e Raúl condecorados com a medalha 50
anos do Minrex
Miguel
Maury Guerrero
• A medalha comemorativa 50.º aniversário da fundação do Ministério das Relações Exteriores (Minrex) foi outorgada, quarta-feira, 23 de dezembro, ao chefe da Revolução cubana, Fidel Castro Ruz, ao general-de-exército Raúl Castro Ruz, presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, e oportunamente ao Comandante da Revolução, Juan Almeida Bosque, num ato efetuado na Sala Universal FAR, na capital cubana.
O chanceler, Bruno Rodriguez Parrilla, entregou a condecoração a Raúl e colocou em mãos do presidente cubano as destinadas a Fidel e a Almeida.
"Tivemos o privilégio de contar com a liderança de quem foi guia e condutor da política exterior revolucionária, o Comandante-em-Chefe Fidel Castro Ruz, quem com seu pensamento claro e universal, com sua ética e sólidos princípios, com o conhecimento profundo do adversário, e com seu olfato indiscutível para definir o tático e o estratégico, foi-nos guiando", disse Rodríguez Parrilla.
Também lembrou o brilhante desempenho, na chefia do Minrex, durante os primeiros 17 anos, do desaparecido Raúl Roa Garcia, batizado pelo povo como o "Chanceler da dignidade".
Também fez alusão à obra e à sabedoria de Carlos Rafael Rodriguez, outro dos líderes revolucionários, com sua contribuição indiscutível à política exterior da revolução, até sua morte.
No discurso, o chefe da diplomacia cubana destacou a trajetória dos trabalhadores do organismo ao lado do povo, em todas as tarefas da nação e no enfrentamento às agressões sofridas pela pátria e também nas perpetradas contra eles no exterior, durante o exercício de seu trabalho.
Em representação dos 388 trabalhadores com mais de 25 anos de trabalho no Minrex, foi entregue a medalha a 16 de seus fundadores, pelas cinco décadas de criação do organismo.
Na velada, amenizada pelos prestigiosos grupos e artistas, se encontravam, também, a heroína do Moncada Melba Hernandez, familiares dos Cinco heróis antiterroristas cubanos, presos injustamente nos Estados Unidos e dirigentes políticos e do Estado. (AIN) •
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Felicitação a médicos formados em 1959
Dayan García La O
• O primeiro vice-presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, José Ramón Machado Ventura, e o ministro da Saúde Pública, José Ramón Balaguer, felicitaram ontem os médicos formados em 1959, por seu trabalho na formação de diversas gerações.
Machado e Balaguer, os dois membros do Bureau Político, elogiaram a contribuição desses profissionais aos índices sanitários que a Ilha exibe atualmente.
Além disso, junto com os formados, tomaram-se a tradicional fotografia, na antiga Escola de Medicina, atualmente Faculdade de Biologia da Universidade de Havana. O ministro da Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente e membro da promoção, José Miyar Barrueco, foi também à escadaria do outrora colégio de médicos para partilhar com seus colegas de aulas.
Na jornada, os primeiros formados de Medicina da Revolução dialogaram com dirigentes e estudantes do Hospital Universitário e da Faculdade das Ciências Médicas, General Calixto García, instituição insigne na preparação do "exército das batas brancas".
O diretor do Hospital, Mario Delgado, agradeceu os conhecimentos que durante muitos anos legaram à Medicina, e por cumprirem cabalmente a missão de mudar o panorama que Cuba tinha nesse setor, antes de 1º de janeiro.
O coronel Juan Luis Vidal Ramos, eminente ortopedista, lembrou em nome dos formados a tradição histórica desse hospital, que — como disse Balaguer — não apenas reflete a história da medicina cubana, mas também a da Revolução. (AIN) •
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Os Cinco recebem Distinção pela Educação
Cubana
Joel
Mayor Lorán
• EM reconhecimento a seus relevantes méritos na defesa da soberania e no direito à autodeterminação de nosso povo, por serem exemplo para nossa juventude e dos mais nobres valores humanos de luta contra o terrorismo, de amor sem limites a sua Pátria e Revolução, e de resistência admirável num revolucionário, o ministério do Ensino Superior condecorou a nossos Cinco Heróis com a Distinção pela Educação Cubana.
O membro do Bureau Político e presidente da Assembleia Nacional do Poder Popular, Ricardo Alarcón de Quesada, entregou a distinção aos familiares dos Cinco, num ato de homenagem a educadores do Ensino Superior, efetuado no Memorial José Martí.
"Somos uma nação de professores: Varela, Mendive, Luz y Caballero, Martí (... ); os assessores em diversos cantos do mundo (... ); René, Gerardo, Ramón, Antonio e Fernando, mestres exemplares da dignidade; nossos professores universitários e Fidel, que exerceu com mestria pedagógica absoluta o magistério político, social e cultural mais integral que tenhamos conhecido", expressou o membro do Bureau Político e ministro do Ensino Superior, Miguel Díaz-Canel.
"Parabéns, porque vocês são, por fortuna, incuráveis sonhadores, teimosos escultores de almas, obstinados crentes nas possibilidades do aperfeiçoamento humano", expressou.
Admiração, profundo respeito e carinho infinito caracterizaram a entrega da Ordem Frank País de I e II graus, a medalha José Tey, a Distinção pela Educação Cubana e a Distinção Rafael María de Mendive a uma ampla representação de educadores.
Na homenagem, marcou presença o vice-presidente do Conselho de Ministros, José Ramón Fernández; a membro do Secretariado do Comitê Central, Olga Lidia Tapia; a ministra de Educação, Ena Elsa Velázquez; e o presidente do Instituto de Desportos (Inder), Christian Jiménez. •
- MIAMI 5
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