Rever conceitos
e estratégias
Sigfredo Barros
• NETUNO — Tanto faz ter jogado em sete países e
em mais de uma vintena de países, da gélida urbe
sueca de Sundbyberg até a quente Messina. A 38ª
edição da Copa Mundial de Beisebol teve o Velho
Continente como sede. Mas a América mandou no campo.
Para reafirmar o acima referido bastaria dar uma
olhadela ao quadro de medalhas. Os três ganhadores e
cinco dos oito finalistas são de nações do
continente americano. Norte-americanos, cubanos e
canadenses levaram as medalhas. Porto-riquenhos e
venezuelanos ficaram no quarto e no sétimo lugar,
enquanto um da Oceania, outro da Europa e mais outro
da Ásia completaram a lista de oito, que competiram
aqui em terras italianas.
A 38ª Copa foi a mais exigente de todas as
efetuadas nos últimos 35 anos, com um calendário que
obrigou os oito mais destacados a efetuarem 15
partidas em apenas 20 dias, um ritmo tremendo,
devido às mudanças de países e de clima. Nossos
jogadores, para pôr um exemplo, passaram em questão
de horas do calor de Barcelona ao frio das três
cidades holandesas, jogaram em sete campos
diferentes.
OUTRA VEZ NO SEGUNDO LUGAR
Para qualquer outro competidor chegar à final de
um torneio, do qual participaram 22 nações, seria um
sucesso. E, apesar de não ser uma desonra ficar no
segundo lugar após ter batalhado em cada partida e
ter perdido na disputa pela medalha de ouro, nosso
beisebol não se conforma com este resultado, e muito
menos duas vezes consecutivas.
A preparação contou com uma série de 16 jogos em
várias províncias e, depois, Cuba participou da
Semana Italiana de Beisebol, onde jogou mais cinco
vezes, no total 21, que embora não seja o ideal, se
aproxima bastante ao que os técnicos asseguram que
um time necessita para estar na forma devida.
Ainda assim, outra vez falhou a rebatida. Desta
vez, abaixo dos 300, com altibaixos incompreensíveis:
10-0 na estréia no jogo com Porto Rico; 5-4 com a
Espanha; 2-1 com apenas três hits com a Austrália;
4-1 com a Nicarágua, depois de cinco entradas sem
marcar um hit. Foi também incompreensível ver como
Frederich Cepeda e Yoennis Céspedes, que
sobressaíram no Segundo Clássico de Beisebol, o
primeiro com média de 500 pontos exatos e o segundo,
com 458, com seis rebatidas extra-bases entre seus
11 hits, tenham caído tanto neste Mundial,
particularmente Céspedes, jogador do time nacional
Granma, que teve que ir para o banco.
Por muito que o técnico Esteban Lombillo mudasse
line-up após line-up, nunca encontrou um primeiro
rebatedor. Não temos, essa é a verdade. E por isso
foi difícil abrir e ficar diante no marcador, pois
não se conseguiu que os corredores chegassem às
bases nos primeiros momentos da partida. Foi, na
maioria dos jogos, uma ofensiva sem rebatidas:
quando rebatia o quarto, o quinto e o sexto não o
faziam; quando o segundo chegava à base, não dava
certo, pois o primeiro tinha marcado out.
As estatísticas que acompanham este comentário
demonstram que dependemos outra vez do arremesso
para avançar, apesar do que considero uma tática
ruim de time: levar apenas nove arremessadores e não
ter um canhoto para fechar o jogo para situações
como a do sétimo inning, numa partida com um time
norte-americano, com sete rebatedores canhotos.
Pergunto-me — não agora, mas há um tempo — para
que levar um terceiro receptor que não joga. Ou um
quinto jardineiro que apenas vê esporádicas vezes o
taco. Fomos o único time que contou com tão pouca
quantidade de arremessadores, quando no beisebol
moderno as partidas são ganhas, mormente, pelos
arremessadores substitutos e os que fecham o jogo.
Não podemos continuar dependendo de Lazo e de Vera
para triunfar num certame decisivo, os únicos
sobreviventes do Mundial de 98, aqui mesmo na Itália,
por muito que ambos o fizessem bem neste, como
outras vezes.
É preciso rever conceitos e estratégias, a
começar pelo Campeonato Nacional, que precisa de
melhoras. É urgente um trabalho qualitativamente
superior na tática de arremessadores e rebatedores,
os primeiros com um conceito infantil da zona de
strike, os segundos convertidos em eternos jogadores
que "esperam" lançamentos em contagens favoráveis.
Tudo não foi negativo. Alfredo Despaigne virou
sensação do torneio com seus onze home runs em 15
partidas. Freddy Asiel e Miguel Alfredo demonstraram
que têm muita qualidade para se impor neste nível.
Existe uma nova geração de jogadores de beisebol.
Apenas precisam a possibilidade de se desenvolverem.
Para ser novamente os primeiros. •