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E S P O R T E S

Havana. 1 de outubro, de 2009    

38ª COPA MUNDIAL

Rever conceitos e estratégias

Sigfredo Barros

• NETUNO — Tanto faz ter jogado em sete países e em mais de uma vintena de países, da gélida urbe sueca de Sundbyberg até a quente Messina. A 38ª edição da Copa Mundial de Beisebol teve o Velho Continente como sede. Mas a América mandou no campo.

Para reafirmar o acima referido bastaria dar uma olhadela ao quadro de medalhas. Os três ganhadores e cinco dos oito finalistas são de nações do continente americano. Norte-americanos, cubanos e canadenses levaram as medalhas. Porto-riquenhos e venezuelanos ficaram no quarto e no sétimo lugar, enquanto um da Oceania, outro da Europa e mais outro da Ásia completaram a lista de oito, que competiram aqui em terras italianas.

A 38ª Copa foi a mais exigente de todas as efetuadas nos últimos 35 anos, com um calendário que obrigou os oito mais destacados a efetuarem 15 partidas em apenas 20 dias, um ritmo tremendo, devido às mudanças de países e de clima. Nossos jogadores, para pôr um exemplo, passaram em questão de horas do calor de Barcelona ao frio das três cidades holandesas, jogaram em sete campos diferentes.

OUTRA VEZ NO SEGUNDO LUGAR

Para qualquer outro competidor chegar à final de um torneio, do qual participaram 22 nações, seria um sucesso. E, apesar de não ser uma desonra ficar no segundo lugar após ter batalhado em cada partida e ter perdido na disputa pela medalha de ouro, nosso beisebol não se conforma com este resultado, e muito menos duas vezes consecutivas.

A preparação contou com uma série de 16 jogos em várias províncias e, depois, Cuba participou da Semana Italiana de Beisebol, onde jogou mais cinco vezes, no total 21, que embora não seja o ideal, se aproxima bastante ao que os técnicos asseguram que um time necessita para estar na forma devida.

Ainda assim, outra vez falhou a rebatida. Desta vez, abaixo dos 300, com altibaixos incompreensíveis: 10-0 na estréia no jogo com Porto Rico; 5-4 com a Espanha; 2-1 com apenas três hits com a Austrália; 4-1 com a Nicarágua, depois de cinco entradas sem marcar um hit. Foi também incompreensível ver como Frederich Cepeda e Yoennis Céspedes, que sobressaíram no Segundo Clássico de Beisebol, o primeiro com média de 500 pontos exatos e o segundo, com 458, com seis rebatidas extra-bases entre seus 11 hits, tenham caído tanto neste Mundial, particularmente Céspedes, jogador do time nacional Granma, que teve que ir para o banco.

Por muito que o técnico Esteban Lombillo mudasse line-up após line-up, nunca encontrou um primeiro rebatedor. Não temos, essa é a verdade. E por isso foi difícil abrir e ficar diante no marcador, pois não se conseguiu que os corredores chegassem às bases nos primeiros momentos da partida. Foi, na maioria dos jogos, uma ofensiva sem rebatidas: quando rebatia o quarto, o quinto e o sexto não o faziam; quando o segundo chegava à base, não dava certo, pois o primeiro tinha marcado out.

As estatísticas que acompanham este comentário demonstram que dependemos outra vez do arremesso para avançar, apesar do que considero uma tática ruim de time: levar apenas nove arremessadores e não ter um canhoto para fechar o jogo para situações como a do sétimo inning, numa partida com um time norte-americano, com sete rebatedores canhotos.

Pergunto-me — não agora, mas há um tempo — para que levar um terceiro receptor que não joga. Ou um quinto jardineiro que apenas vê esporádicas vezes o taco. Fomos o único time que contou com tão pouca quantidade de arremessadores, quando no beisebol moderno as partidas são ganhas, mormente, pelos arremessadores substitutos e os que fecham o jogo. Não podemos continuar dependendo de Lazo e de Vera para triunfar num certame decisivo, os únicos sobreviventes do Mundial de 98, aqui mesmo na Itália, por muito que ambos o fizessem bem neste, como outras vezes.

É preciso rever conceitos e estratégias, a começar pelo Campeonato Nacional, que precisa de melhoras. É urgente um trabalho qualitativamente superior na tática de arremessadores e rebatedores, os primeiros com um conceito infantil da zona de strike, os segundos convertidos em eternos jogadores que "esperam" lançamentos em contagens favoráveis.

Tudo não foi negativo. Alfredo Despaigne virou sensação do torneio com seus onze home runs em 15 partidas. Freddy Asiel e Miguel Alfredo demonstraram que têm muita qualidade para se impor neste nível. Existe uma nova geração de jogadores de beisebol. Apenas precisam a possibilidade de se desenvolverem. Para ser novamente os primeiros. •
 

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