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Encontro de
economistas em Havana
Crise global: a grande
protagonista
• A primeira jornada esteve
presidida pelo primeiro vice-presidente dos
Conselhos de Estado e de Ministros José Ramón
Machado Ventura, o presidente da República
Dominicana, Leonel Fernández Reyna, e outras
personalidades
Deysi Francis e
Susana Lee
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A crise econômica global foi a grande protagonista
da jornada inaugural do 11º Encontro Internacional
de Economistas sobre Globalização e Problemas do
Desenvolvimento, presidida pelo primeiro vice-presidente
dos Conselhos de Estado e de Ministros, José Ramón
Machado Ventura; o presidente da República
Dominicana, sua excelência Leonel Fernández Reyna; o
vice-presidente do Conselho de Estado, Esteban Lazo
Hernández; os prêmios Nobel de Economia, Edmund
Phelps e Robert Nubdell e o presidente do Comitê
Organizador do evento, Roberto Verrier, e outras
personalidades.
Revista desde diferentes ângulos nas
suas causas, consequências e possíveis alternativas
de solução nas quatro conferências e num painel
realizados o primeiro dia, bem como nas intervenções
de outros participantes que suscitou o debate, houve
total coincidência na grave situação econômica-financeira
que o mundo enfrenta, acirrada nos últimos meses,
ainda quando a variedade dos pontos de vista
confirmou, do início, a validez desta importante
reunião na confrontação de ideias.
O terremoto de Wall Street
desconcertou o establishment global. No cume
do poder predominam o pânico e as declarações
alarmistas. Todos registam a presença dum
acontecimento que poderia provocar uma mudança de
época. As vítimas não são as responsáveis por esta
crise. Há que encontrar as respostas que a
humanidade reclama.
Nas palavras de boas-vindas, Roberto
Verrier lembrou que esta reunião "insistirá na busca
de respostas para perguntas fundamentais da nossa
época, muitas das quais foram formuladas há uma
década, como desafio inicial, pelo promotor e
fundador destes encontros, Fidel Castro Ruz".
Argumentou que hoje "não se trata
duma recessão nem duma depressão, mas sim de uma
queda livre da economia, que ainda não tocou fundo e
não há sinais claros de quando o fará, enquanto
todos os indicadores continuam piorando.
Especialmente o desemprego, que já ultrapassa os
níveis atingidos durante a crise de 1974-75".
O primeiro expositor foi o
estadunidense Edmund Phelps, Prêmio Nobel de
Economia 2006, que tem participado em três encontros
de Globalização, cuja conferência intitulou "Altruísmo
e responsabilidade social".
Phelps insistiu em que o seu
objetivo neste encontro não era oferecer receitas e
sugeriu a ideia de que "a deficiência da
responsabilidade pessoal teve um papel na crise
financeira que começou nos EUA e que se espalhou
pelo resto do mundo".
Como parte do painel "Da crise
financeira à crise econômica global: impactos e
lições", Claudio Katz, da Argentina, ao caracterizar
o atual contexto concentrou-se em que os últimos
meses não só se iniciou uma etapa de fraudes
impositivos e uma escandalosa utilização dos fundos
públicos, mas também se congelam créditos e
continuam contando com o apoio oficial para as
perdas, enquanto "não há suficiente dinheiro público
para redimir tantas falências".
Uma ideia interessante na atual
situação é o "cenário de lutas sociais que se
aproxima no Primeiro Mundo", devido ao atropelo, ao
desemprego e à pobreza que tem gerado a crise e que
a escala global já se sente uma espécie de temor,
xenofobia e mobilizações populares que poderiam
chegar aos grandes centros do capitalismo.
Não podemos reivindicar um sistema
que gera estas crises, afirmou, é hora de retomar o
projeto socialista e criar uma sociedade de justiça,
democracia e igualdade.
Outros expositores, entre eles, Jan
Kregel, dos EUA, advogou porque a resposta à crise
tem que ser representativa e incluir todos os países
e povos do mundo; Christian Ghymers, da Bélgica,
tentou dar "uma visão europeia" da atual crise que "não
se limita a uma recessão tradicional de tipo
cojuntural" e cuja imagem é a dum "tsunami, que
nasceu nos EUA e que nos envolve a todos".
As intervenções motivaram critérios
coincidentes ou não com os expositores. Eric
Toussaint, presidente do Comitê para a Anulação da
Dívida do Terceiro Mundo, também da Bélgica,
manifestou seu desacordo com culpar as vítimas da
entrada nesta crise.
Por sua vez, o presidente do Fórum
do Terceiro Mundo, Samir Amin, afirmou que o que
atualmente tenta fazer o sistema é restaurá-lo como
estava antes. Contudo, "entramos numa nova etapa do
capitalismo que é obsoleto como sistema", salientou
o reconhecido professor egípcio.
Amin iniciou a segunda parte da
sessão com a conferência "Crise financeira. Crise
sísmica?", e comentou as últimas crises do sistema
capitalista até a atual, assinalando que atualmente
enfrentamos o mesmo desafio numa dimensão mais
dramática e severa.
Na sua exposição, o professor
explicou os efeitos da crise no setor energético,
nas mudanças climáticas, nos alimentos, e o ataque
às economias agrícolas em benefício dos negócios
agrícolas.
O presidente da Comissão Técnica
Presidencial para a configuração dos componentes da
Arquitetura Financeira Internacional, Pedro Páez, do
Equador, fez uma ampla exposição sobre a origem do
fenômeno, a vulnerabilidade do sistema capitalista e
o papel dos movimentos sociais na busca de soluções,
e outros temas.
A última conferência desta primeira
jornada de Globalização 2009, foi ministrada por Alí
Rodríguez, ministro de Economia e Finanças da
Venezuela, que comentou algumas considerações sobre
os severos desarranjos da economia dos EUA desde os
anos 50, quando começou a experimentar uma
declinação na produção de bens, até a crise
financeira atual, que virou crise econômica global
com seus efeitos sociais. •
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