Presos Políticos do Império| MIAMI 5      


    

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

N O T I C I A S

Havana. 17 Novembro de 2006 

 

Nota da imprensa do Banco
Central de Cuba

COMO é sabido, nos fins de 2004, Cuba teve que tomar providências para substituir o dólar pelo peso cubano conversível na circulação da moeda, a fim de frustrar a pérfida intenção do governo dos EUA de impedir que os dólares em efetivo que chegassem legalmente a Cuba, fossem utilizados para pagar uma parte de nossas importações de bens e serviços.

Nesses dias, foram amplamente divulgadas as pressões exercidas pelo governo dos Estados Unidos sobre o Banco Suíço UBS para proibi-lo de fazer negócios com Cuba. Tal pretensão baseava-se somente no terror que os Estados Unidos infundem no mundo com sua proclamada política de "quem não esteja do nosso lado, é contra nós".

Como aconteceu no decurso destes anos, naquela ocasião, a ação de nossos inimigos foi também derrotada: o dólar, símbolo de seu poder imperial, foi expulso de maneira humilhante de Cuba. Nossas relações comerciais e financeiras continuaram ampliando-se e a credibilidade e o respeito a nosso país e suas instituições financeiras são cada vez maiores.

Devemos acrescentar que, a partir dessa experiência, a política previdente do país tem sido incrementar consideravelmente o uso de outras moedas em nossas transações internacionais, enquanto ficamos convencidos de que a irresponsável política consumista dos EUA, que levou esse país a cair em déficits fiscais e comerciais insustentáveis, provocou uma crise de sua própria moeda, e a tendência à sua desvalorização gradativa é já irreversível.

Prova de que a situação mudou para o dólar é que hoje com uma simples declaração do presidente do Banco Central da China sobre a composição por tipo de moeda de suas reservas, o dólar se desvalorizou, como aconteceu há pouco.

Devemos lembrar que a China possui as maiores reservas monetárias do planeta (mais de US$ 1 trilhão), que são quatro vezes maiores que as dos EUA, de modo que qualquer comentário do Banco Central da China que seja interpretado como uma intenção de reduzir a proporção de dólares em suas reservas, terá efeitos negativos para essa moeda.

Para intranqüilidade dos EUA, a sorte dessa moeda agora depende, entre outros fatores, do que digam na China. É assim de frágil o dólar.

Quanto ao caso do Banco Suíço UBS e, posteriormente, de outro da mesma nação, o Credit Suisse, ocorreu uma infeliz subordinação às ordens do império, dando um exemplo incontestável de como os EUA impõem extraterritorialmente suas leis e determinam com quem as instituições de outras nações podem ou não fazer negócios, quando se pressupõe que são livres e soberanas.

Talvez no caso do UBS estiveram presentes a coação e a chantagem, pois segundo uma informação da EFE, de 29 de outubro de 2005, sucursais desse banco participaram do programa das Nações Unidas imposto ao Iraque, de "Petróleo por Alimentos" e, de acordo com as investigações feitas, pelo menos cinco empresas suíças pagaram ao redor de US$ 1 milhão cada uma ao governo iraquiano para conseguir contratos nesse país por meio desse programa. Com isso, fica exposto diante das autoridades norte-americanas, que são as que dirigem tais investigações, e enfraquece demais sua capacidade de agir sem depender dos EUA, mesmo quando se veja obrigado a sacrificar sua ética profissional e inclusive, a mentir.

Segundo informações da impensa internacional, o UBS foi um doador generoso na campanha eleitoral de Bush e de seu adversário John Kerry, o qual é uma confirmação de seu desejo de ganhar a complacência do governo dos EUA, sejá lá quem estiver no poder.

Recentemente, o jornal suíço Sonntagszeitung publicou, no domingo 12 de novembro, um artigo em que salientava exatamente que no caso de Cuba não existem sanções internacionais e, contudo, os dois bancos suíços atrás referidos suspenderam seus negócios com nosso país.

O artigo afirmava, entre outras questões:

"No caso de Cuba, que não tem sanções internacionais nem está em conflito com as organizações das Nações Unidas, os cubanos são boicotados apenas por um país: os Estados Unidos da América".

Questionados pela imprensa, em 14 de novembro, os dois bancos deram a seguinte explicação ao jornal suíço Le Temps:

"O UBS explica sua decisão pelos elevados custos de vigilância do respeito e da conformidade das regulamentações para tratar com clientes da Ilha comunista. Para o Credit Suisse, ‘Cuba faz parte dos países sensíveis’, disse seu porta-voz sem explicar o que isso significa."

Nesse mesmo artigo aparecem depoimentos de Carlo Lombardini, advogado de negócios do Colégio de Advogados de Genebra, nos quais expõe: ... "Ambos os bancos suíços estão influenciados pela visão norte-americana do mundo. A suspensão das transações com Cuba é uma das conseqüências".

Finalmente, teríamos que perguntar: Quem determina quais os países "sensíveis" e quais não? Em que questões se baseia essa qualificação?

Ou será que não se sabe que do dinheiro que se lava no mundo, 50% se faz nos EUA? Será que isso não deverá ser levado em conta pelos bancos atrás referidos para considerar os EUA um país verdadeiramente "sensível" quanto ao apego à legalidade de seu sistema financeiro?

A resposta é bem simples: as ações destes dois bancos suíços não têm nada a ver com o respeito à lei ou ao cuidado de suas transações bancárias. É simplesmente um ato de submissão aos EUA que não se atrevem a confessar.

Felizmente, poucas instituições, como o UBS ou o Credit Suisse, se submetem aos EUA, e existe um número cada vez maior de entidades e países que não está disposto a aliar-se cegamente a um império, cujos insucessos constantes nas últimas semanas são apenas a ponta do iceberg de sua decadência irreversível.
 

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