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UM PRIMEIRO DE MAIO CONTRA PROJETO DE
LEI ANTIIMIGRANTE
Os sem voz
ocuparam praças e
cidades nos EUA
POR
NIDIA DIAZ — do Granma Internacional
TAL e como
tinha sido anunciado, neste 1º de Maio, Dia
Internacional dos Trabalhadores, teve lugar no
território dos Estados Unidos — único país do mundo
onde não se comemora — um protesto nacional, apesar
das medidas de coerção adotadas pela administração
Bush.
Segundo
informações da internet e correios eletrônicos,
serão impostas aos empregados públicos multas e
outras disposições disciplinares se aderirem à
marcha e se se somarem à sui generis greve (não
trabalho, não escola, não compras) que organizações
de direitos humanos e de defesa dos imigrantes
convocaram contra a Lei que o Congresso
estadunidense está discutindo sobre os
indocumentados e a emigração em geral.
Essas mesmas
fontes, algumas das quais pediram anonimato,
revelaram que aos estudantes hispânicos e de outras
nacionalidades, bem como a seus pais, lhes serão
impostas altas multas e a perda de alguns benefícios
se permitem que seus filhos, como está previsto,
deixem de freqüentar as escolas.
Medidas que,
embora possam deter alguns, não impediram que os
imigrantes tenham saído às ruas, aos milhares, para
protestar contra as pretensões de aprovar uma lei
que os criminaliza não só a eles mas também a seus
empregadores, que prevê o aumento da repressão nas
fronteiras e que lhes negará a cidadania a seus
filhos, ainda que tenham nascido no território dos
Estados Unidos.
Informações da
agência Reuters indicam que desde o amanhecer
muitas lojas fecharam voluntariamente para evitar
distúrbios. Acrescenta que em Union Square, Nova
York, seu mercado ao ar livre, normalmente buliçoso,
operava de maneira muito mais reduzida que o
habitual e que nas calçadas de Broadway, a maioria
das lojas de produtos baratos de importação,
normalmente caóticas, estava fechada.
"Todo mundo
aqui é imigrante. O único americano autêntico é o
índio", disse Rene Ochart, natural de Porto Rico,
porteiro do elegante Hotel Pierre, no Upper East
Side de Manhatan.
Entretanto, o
diretor do Movimento Latino, Juan José Gutiérrez,
advertiu que é impossível condenar um segmento da
população a viver e trabalhar em condições de
esclavos modernos, toda vez que a legislação que
tratam de impor os xenófobos e a extrema direita
política é baseada em extrair o suor dos imigrantes
sem dar-lhes, sequer, a garantia, entre outras
questões, de um dia serem cidadãos do país no qual
contribuem para criar riquezas.
A luta é para
conseguir a anistia e a eventual cidadania para
esses milhões de indocumentados que ocupam as vagas
de trabalho que o nacional loiro e anglo-saxão não
quer.
Do que se trata
neste Primeiro de Maio é de demonstrar o que
significa para a economia norte-americana Um Dia Sem
Imigrantes.
Nesse sentido,
desde muito cedo, começaram a mobilizar-se desde Los
Angeles até Nova York e ao redigir este comentário
redes de televisão e agências de imprensa
internacionais falavam que em Chicago as
manifestações ultrapassaram as 300 mil pessoas, com
a previsão de reunir, no fim da jornada, perto de um
milhão.
Soube-se que a
imensa maioria das companhias cancelaram a entrega e
distribuição de mensagens e suspenderam as reuniões
de negócios previstas para esse dia.
Uma das coisas
que caracteriza o protesto desta segunda-feira é que
os organizadores pediram aos participantes deixarem
nas casas as bandeiras de seus respectivos países e
levarem particularmente a americana, com o objetivo
de enviar ao Legislativo e à Casa Branca a mensagem
de que os Estados Unidos também é o país deles.
Os cartazes
deixaram constância de uma consigna pontual: Hoje
marchamos e amanhã votamos!
Na cidade de
Aurora, a segunda com mais latinos no Illinois,
depois de Chicago, milhares de imigrantes
indocumentados lotaram as ruas. Ali, segundo
declarou à mídia Lourdes Espinoza, ativista
comunitária, "mais de 70% dos latinos donos de casas
não têm seguro social e têm muitos problemas pelo
que exigem a Dennis Hastert, congressista de
Illinois e presidente da Casa dos Representantes,
que escute a voz dos imigrantes, já que eles estão
presentes.
Em Washington,
uma das mais de cem cidades que se mobilizaram,
milhares de manifestantes com bandeiras
norte-americanas, escutaram discursos na Alameda
Nacional, em frente do Capitólio.
Igualmente, em
Atlanta, a concentração e marcha por um Dia Nacional
de Ação pela Justiça na Imigração, reuniu dezenas de
milhares de pessoas, enquanto em Dallas, Texas, 350
mil se reuniram no domingo.
Por seu lado, a
CNN mostrou em seus noticiários milhares de cidadãos
que marchavam cedo por avenidas de Nova Orleans e
Los Angeles, com cartazes contra o projeto
legislativo HR4437, conhecido como Lei Antiimigrante.
A agência
mexicana Notimex informou que ao meio-dia da
segunda-feira, 1º, mais de 5 mil imigrantes
marcharam em Orlando, no centro da Flórida, embora
esclarecesse que mais pessoas continuavam aderindo
ao protesto.
Acrescenta a
fonte que, de acordo com o canal 2 WESH, da
televisão local, o reverendo John Book, evangelista
estadunidense com um programa de televisão, foi
preso ao início da marcha, acusado de ter violado
uma propriedade privada e de se resistir à detenção
sem violência, indicou a WESH em seu site da
internet.
Ao menos
centenas de policiais vigilavam a marcha, uma das
previstas ao longo do estado da Flórida, de onde
esta manhã partiu uma passeata, desde Homestead, no
sul da cidade, enquanto outras deviam sair de Bell
Glade, Fort Meers e Miami.
Estima-se que
nesse estado residem 850 mil imigrantes
indocumentados. Em Homestead, cidade rural da
Flórida onde metade da população de 36 mil
habitantes é composta por imigrantes, houve
igualmente manifestações maciças contra o draconiano
projeto de lei.
A agência
AFP, por seu lado, refere-se ao temor crescente
entre grupos de imigrantes que consideram que as
autoridades podem adotar represálias e se produzam
demissões maciças, pelo que informaram acerca da
realização de "correntes humanas" e vigílias durante
o almoço ou depois do trabalho ou na escola, neste
1º de maio. Isto é, embora freqüentando o trabalho
ou a escola, mostraram sua firme recusa à
controversa legislação.
Ainda, informou-se
que o senador Barack Obama, único negro que integra
a Câmera alta, subiu a um palanque improvisado sobre
um caminhão do sindicato dos Teamsters, em Illinois,
e falou à multidão acerca da necessidade de "tirar
as pessoas das sombras" e oferecer-lhes um caminho à
cidadania.
Na Califórnia,
o estado com maior número de imigrantes nos Estados
Unidos, informações da imprensa indicam que prevendo
a greve, várias das maiores empresas decidiram
fechar suas portas ou diminuir suas operações.
Nesse caso se
encontram, entre outras, Goya Foods, a maior
companhia de comidas hispânicas preparadas do país,
a qual suspendeu as entregas. A Gallo Wines em
Sonoma, Califórnia, dispensou 150 trabalhadores e a
McDonald's reduziu o pessoal em alguns de seus
restaurantes e disse que respeitará o direito de
seus empregados de fazer greve.
Em Virgínia,
Maryland, a Igreja católica, embora chamasse a não
participar do boicote, pediu às igrejas dobrar os
sinos em memória dos imigrantes que morreram
tentando cruzar ilegalmente a fronteira.
Ainda sem ter
acabado o dia, já se falava do sucesso da greve
convocada e da existência de um movimento dos sem
voz que cresce nas entranhas do império, ao que
tanto o Legislativo quanto a Casa Branca terão, mais
cedo ou mais tarde, que prestar atenção.
Eles, os
hispânicos e os imigrantes em geral não estiveram
sozinhos nesta imensa jornada de pressão para
impedir a aprovação do injusto projeto de lei que
converteria os imigrantes em criminosos e aos que
pudessem entrar, a partir de sua aprovação, em
esclavos modernos sem direito algum. Junto deles, em
todas as capitais e cidades da América Latina
marcharam seus irmãos, potenciais imigrantes,
vítimas de um modelo político e econômico que os
marginaliza e que não lhes dá outra opção que a de
emigrar à procura do sustento que não encontram na
terra que os viu nascer.
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