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Vigarice e escândalo entre terroristas
em Miami
• O ex-diretor da Fundação
Nacional Cubano-Americana (FNCA), José Antonio
Llama, abalou as esferas políticas de Miami, ao
intentar uma ação judicial por vigarice contra
vários de seus colegas, os quais acusa de se terem
apropriado dos fundos da ordem de US$ 1,5 milhão,
que seriam destinados a um plano terrorista contra
Cuba
POR JEAN-GUY ALLARD E GABRIEL
MOLINA
A Fundação Nacional
Cubano-Americana (FNCA) desafiou antecipadamente o
grupo McClatchy, que comprou recentemente a célebre
rede Knight Ridder, até hoje, proprietária dos
jornais The Miami Herald e El Nuevo Herald.
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Llama, apelidado de “Toñín”, abriu a caixa de
Pandora entre os terroristas de Miami |
A FNCA desafiou agressivamente
The Miami Herald , na sexta-feira 23,
manifestando que “as falsas alegações do sr. José
A. Llama, divulgadas originalmente no jornal
Granma, órgão oficial do Partido Comunista de
Cuba e publicadas pelo El Nuevo Herald
respondem a uma antiga campanha de descrédito
orquestrada pelo regime castrista, usada como
pretexto para a infiltração, subversão e divisão do
exílio, que vem fazendo por mais de 40 anos... O que
é inteiramente irresponsável é que um jornal como
El Nuevo Herald as noticie...”
A FNCA se referia às acusações
feitas pelo ex-diretor desta mesma organização, José
Antonio Llama, que tentou uma ação judicial por
vigarice contra seus colegas, acusando-os de se
terem apropriado dos fundos na ordem de US$ 1,5
milhão, que seriam destinados a um plano terrorista
contra Cuba.
McClatchy Co. é uma firma de meios
de comunicação com sede em Sacramento, Califórnia,
que comprou Knight Ridder por US$ 4,5 bilhões. Não
foi em vão que a notícia se publicou no El Nuevo
Herald, versão em espanhol do The Miami
Herald, escrito pela jornalista Christina Hoag,
da equipe do The Miami Herald, em inglês, sob
o título sugestivo de “Começa a era McClatchy no
Herald”.
A informação foi publicada um
dia depois de a FNCA ter desafiado o jornal por
publicar essa informação que denigra o poderoso
lobby cubano-americano.
A McClatchy Co. foi fundada em
1857 pelo imigrante irlandês James McClatchy, quando
abriu The Sacramento Bee. Sua política é
concentrar-se nos aspectos locais, disse o editor do
The Miami Herald, Jesús Díaz Jr.
Hoag destaca que “a firma agora
deverá fazer um bom jornalismo, enquanto procura
lucros maiores, no momento em que a maioria dos
jornais se debate entre ambas as exigências. “O
desempenho de McClatchy será acompanhado de perto no
sul da Flórida”, acrescentou.
O presidente executivo da
McClatchy, Gary Pruitt, disse que a companhia se
inclina mais para o desafio, sem se importar muito
com as condições atuais do mercado. Preferimos levar
em conta os fatos concretos e examinar as evidências
para, segundo isso, tomar decisões a longo prazo
para a companhia”.
O escândalo financeiro-terrorista,
mais um capítulo de uma longa história, foi posto a
nu pela Radio Miami em sua crônica El Duende
e tornado público pelo jornalista cubano Reynaldo
Taladrid, no programa televisionado Mesa-Redonda
Informativa e pelo jornal Granma.
Os dois jornais de Miami
confirmaram a denúncia de Llama, na quinta-feira 22
de junho, numa entrevista que explica
pormenorizadamente uma conspiração para perpetrar
ações terroristas, em que participaram o já falecido
presidente da FNCA, Jorge Mas Canosa e vários
diretores do prestigioso lobby cubano-americano.
El Nuevo Herald reconheceu que fez uma
investigação sobre o caso e guardou a informação
durante quase dois anos, para “análise de seu
departamento legal”.
Admitiu também que, “antes, o
governo cubano tinha feito várias acusações sobre os
presumíveis planos armados da Fundação, utilizando
os testemunhos de agentes infiltrados na organização”.
Da mesma maneira, confirmou
indiretamente que a divulgação da informação
escandalosa no Granma foi a que os levou a
noticiá-la: “a imprensa oficial cubana publicou,
nesta quarta-feira, um artigo baseado na informação
dos panfletos” (que Llama fez veicular em Miami).
Sem argumentos para refutar a acusação, a Fundação
tentou chantagear de novo o The Miami Herald
por meio de acusações infundadas e manipuladas
contra Cuba.
Llama, que era lugar-tenente de
Mas Canosa, não se arrepende de ter participado da
campanha terrorista que denominaram Guerra Total.
Assegurou que a motivação essencial de sua confissão
foi a soma de US$ 1,4 milhão que entregou para
financiar o projeto, que considera lhe foi roubada
por vários diretivos da Fundação.
“Toñín” Llama manifestou ao
The Miami Herald que “ele e outros membros da
hierarquia dessa organização criaram um grupo
paramilitar para realizar ações de desestabilização
em Cuba e liquidar o presidente Fidel Castro”.
As palavras “ações de
desestabilização” e “liquidar” são eufemismos na
Flórida mafiosa, para atos de terrorismo e
assassinato.
UM
HELICÓPTERO, DEZ AVIÕES, SETE NAVIOS E EXPLOSIVOS
Os jornais de Miami confirmaram
que a FNCA, grupo protegido por todas as
administrações norte-americanas desde que foi criada
pelo presidente Reagan, liderada por Jorge Mas
Canosa, adquiriu um helicóptero de carga, dez aviões
levíssimos com controle remoto, sete navios e
abundante explosivo, com o objetivo de realizar
ações terroristas.
Segundo Llama, aqueles planos
para assassinar o presidente cubano faliram porque o
guarda-costas estadunidense arrestou
improvisadamente, em 1997, o iate La Esperanza, em
frente de Aguadilla, em Porto Rico. A embarcação ia
rumo à ilha venezuelana de Margarita, visando
assassinar o chefe da Revolução cubana, que
participaria da Cúpula Ibero-americana que ali se
realizava. Além disso, foram documentados atentados
nas Cúpulas de Cartagena e do Panamá.
Dono do iate, Llama foi
acusado, junto com os tripulantes, de complô para
assassinar o presidente cubano. No entanto, todos
foram absolvidos, em dezembro de 1999, por um júri
complacente, por “falta de provas”.
Esse processo foi arranjado por
Héctor Pesquera, oficial corrupto do FBI, que depois
foi recompensado com a chefia dessa agência em
Miami. Ao contrário, Pesquera apreendeu os cubanos
infiltrados para fazerem face a esses grupos
terroristas de Miami. Um dos terroristas detidos no
iate La Esperanza, Juan Bautista Márquez, foi preso
depois, quando estava sob liberdade caucionada por
tráfico de 360 quilos de cocaína e por tentar
comprar mais 2.220 quilos de drogas.
A Fundação em sua declaração
onde critica o The Miami Herald, afirmou
aparentemente de maneira incoerente que, “à medida
que se aproximar o novo julgamento aos espiões
cubanos da Rede Vespa, constataremos que aumentará
esta campanha de descrédito com o aparecimento de
novos infiltrados com novas alegações falsas”.
O parágrafo tenta se antecipar
à descoberta de novos indícios sobre a colusão entre
os governos e agências secretas dos Estados Unidos
nos atentados terroristas contra Cuba, que agora
surgem como acusação face à política de pretextar as
invasões ao Iraque e ao Afeganistão com os atentados
ao World Trade Center, em setembro de 2001.
La Esperanza fazia parte do
complô contra Cuba, juntamente com outro iate, o
Midnight Express, de 40 pés de comprimento, o qual
levaria a Mas Canosa à Ilha para se declarar
presidente, já assassinado Fidel Castro e derrubado
seu governo.
Llama exigiu que lhe dissessem
aonde foram parar os fundos, pois, por exemplo, os
aviões teledirigidos foram supostamente vendidos por
Pepe Hernández em 1997.
O diretor executivo da FNCA,
Alfredo Mesa, qualificou a denúncia de Llama de
“tentativa de extorsão e difamação”, enquanto
Ninoska Pérez Castellón, diretora e porta-voz do
grupo que provém da FNCA, o Cuban Liberty Council (CLC),
disse que o caso estava “nas mãos dos advogados”.
A
CONSPIRAÇÃO COMEÇOU EM 1992
Llama destacou que a
conspiração criminosa foi tramada no congresso anual
da FNCA, efetuado em Naples, Flórida, em junho de
1992. Segundo ele, foi o porto-riquenho Miguel Ángel
Martínez que “teve idéia”.
Participaram da conspiração
vinte diretivos e nomearam José “Pepe” Hernández e
Mas Canosa para escolherem os membros do grupo
terrorista.
“No congresso com diretores e
fideicomissos, realizado no ano seguinte (1993), em
Porto Rico, os escolhidos começamos a reunir-nos e a
pensar em tudo que fazia falta comprar”, confessou
Llama ao Herald.
O jornal mencionou, “entre os
membros do grupo”, Elpidio Núñez, Horacio García e
Luis Zúñiga, Erelio Peña e Raúl Martínez, de Miami;
Arnaldo Monzón Plasencia e Ángel Alfonso Alemán, de
Nova Jersey, envolvido no caso La Esperanza;
Fernando Ojeda, Fernando Canto e Domingo Sadurní, de
Porto Rico.
Porém, não mencionou outros
conspiradores denunciados por Llama: José “Pepe”
Hernández, envolvido também com ele no caso La
Esperanza; Luis Prieto, Miguel Ángel Martínez,
Fermín Pernas e Luis Botifol.
Curiosamente, na denúncia de
José Antonio Llama não aparecem os nomes de outros
proeminentes chefes da Fundação: o médico Alberto
Hernández, o terrorista Roberto Martín Pérez,
designado coordenador do grupo, e sua esposa, a
apresentadora Ninoska Pérez Castellón. Não podia
faltar o célebre Luis Posada Carriles, que durante a
Cúpula Ibero-americana no Panamá foi preso, pois,
fazendo parte destes planos, pretendia asassinar
Fidel Castro e os jovens panamenhos que assistiriam
a sua conferência na Universidade.
O Granma se referiu a um
documento apresentado pela Procuradoria dos Estados
Unidos, devido ao injusto processo contra Gerardo
Hernández, em meados dos 90, “com uma informação
pormenorizada enviada de Cuba, sobre o que já se
sabia em nosso país deste tenebroso grupo
paramilitar da FNCA e com o objetivo de que René
procurasse mais informação nesse respeito. No
documento se mencionam os nomes dos membros do
grupo, que seriam “pagos em cada missão que
cumprissem e teriam seguros de vida no valor de US$
100 mil para suas famílias”.
Três dos conspiradores, Arnaldo
Monzón Plasencia, Raúl López e Manuel “Nolo” García
morreram.
A compra dos aviões
teledirigidos e dos outros equipamentos militares
foi feita pelas firmas Nautical Sports Inc.,
registrada na Flórida, e pela Refri Auto, radicada
na República Dominicana, destaca a reportagem.
Llama mostrou ao El Nuevo
Herald as evidências de transações que conserva
em sua casa do sudoeste de Miami.
Assegurou que deu US$
1.471.840,35 de seus próprios fundos “para
financiar o projeto”. Pediram-lhe que solicitasse um
empréstimo comercial a seu nome no International
Finantial Bank. Pressupunha-se que o empréstimo
seria pago por todos, porém não foi assim e, ao não
poder cumprir o compromisso contraído com o banco,
declarou-se na falência. Llama considerou que a
quantia avultada lhe foi roubada por vários
diretores da Fundação.
Os explosivos foram comprados
através do notável terrorista Raúl López, que era
proprietário de uma firma autorizada para isso, uma
coisa muito comum na Flórida mafiosa. Pepe Hernández
ordenou López que solicitasse um empréstimo no
Ready State Bank, de Miami, para esses fins. Segundo
Llama, os explosivos foram jogados ao fundo do mar,
“perto das Baamas”, por “Nolo” García, quando um
guarda-costas baamiano se aproximou do iate de
Núñez.
Um mecânico, Eulogio Amado
“Papo” Reyes, confirmou ao El Nuevo Herald
que armou os aviões, enquanto José “Pepín” Pujol,
terrorista fichado e capitão do El Santrina disse
que a Fundação o utilizou desde 1993 como assessor
para comprar embarcações.
O jornal revelou que Pujol foi
citado pelo Grande Júri de EL Paso, Texas, que
investiga a entrada ilegal do terrorista Luis Posada
Carriles — que este jornal o qualifica de “militante
anti-Castro” — nos Estados Unidos.
Uns dias depois de 11 de
setembro de 2001, houve divergências na FNCA, quando
alguns fundadores do grupo comandado por Jorge Mas
Canosa, como seu antigo presidente Alberto
Hernández; seu ex-tesoureiro Feliciano Foyo, a a
antiga porta-voz Ninoska Pérez Castellón e os
diretivos Diego Suárez, Horacio García, Elpidio
Núñez e Delfín Pernas, se recusaram a ir a uma
convenção anual convocada em Porto Rico. Depois,
criaram o chamado Cuba Liberty Council, que herdou
boa parte das ótimas relações dos Bush com estes
terroristas.
José Antonio Llama, que também
não foi a Porto Rico, acusou Mas Santos — a quem
hoje exonera — de caudilhismo.
10 DE OUTUBRO DE 2003: BUSH
ABRAÇA FERVOROSAMENTE ZÚÑIGA
O terrorista Luis Zúñiga Rey,
agora denunciado por Llama e cuja participação em
ações terroristas foi muitas vezes salientada em
Havana, foi recebido, em 10 de outubro de 2003, por
George W. Bush, no parque da Casa Branca, o qual o
abraçou fervorosamente diante das câmaras da
televisão.
Dantes, Mel Martínez, hoje
senador e nesse momento, alto oficial da
administração, tinha participado, em 10 de outubro
de 2001, da reunião onde anunciou a criação do CLC,
no Biltmore Hotel, de Coral Gables, ao lado do
próprio Llama e de vários dos conspiradores que
denunciou, entre eles, Alberto Hernández, Ninoska
Lucrecia Pérez Castellón, Horacio García, Elpidio
Núñez e Luis Zúñiga Rey.
Falando claro: apenas um mês
depois de 11 de setembro, Mel Martínez apadrinhou um
grupo de terroristas cubano-americanos.
Por outro lado, Llama foi o
responsável pelo Bureau Espanha, da FNCA, e se
encarregou de ampliar as relações entre o Partido
Popular espanhol e a FNCA. Em Madri, assistiu a uma
reunião que se efetuou na sede do PP, na rua Génova,
na qual estiveram Guillermo Gortázar, José María
Aznar e Jorge Mas Canosa. Em novembro de 1995, Aznar
foi a Miami, onde confraternizou com os líderes da
FNCA. Llama incentivou depois a criação na Espanha
de uma sucursal da FNCA, dirigida por Gortázar e à
qual se somou Carlos Alberto Montaner, terrorista
foragido da justiça cubana e hoje comentarista do
El Miami Herald. Aznar levou mesmo os reis da
Espanha a Miami, que se reuniram com Mas Santos,
Pepe Hernández e o próprio Llama.
No entanto, o escândalo
desencadeado em Miami pela confissão de um alto
dirigente da máfia cubano-americana aponta para o
FBI, denunciado tantas vezes em Cuba por sua
tolerância grosseira ao terrorismo, quando os
Estados Unidos pretendem travar uma guerra contra o
terror.
E agora o que fará o FBI?
Finalmente, fará uma investigação funda e esperada
desta fauna criminosa? Aproveitará para indagar
sobre a forma em que se utilizou a informação
entregue ao FBI a respeito dos planos terroristas
para perseguir, deter e condenar os Cinco jovens
cubanos precisamente por se terem infiltrado nos
grupos terroristas do Sul da Flórida para neutralizá-los?
Todo o processo escandaloso
aberto por Llama como iniciativa para libertar Cuba
e ele mesmo demontra que foi um negócio sujo,
evidencia que Cuba não mente. E constitui uma
oportunidade e um desafio para o governo dos Estados
Unidos, para suas agências, como o FBI e a CIA, para
sua imprnesa — representada neste caso pela firma
McClatchy —, que face a revelações não admoesta os
culpados confessos, demonstrarem que nem tudo é
podridão no stablishment desse país. As
forças sãs norte-americanas têm que acordar e
resgatar o prestígio dessa nação que afunda cada dia
mais num tenebroso pantanal.
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