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Bush é "o homem da guerra" e a Cúpula das Américas é
"a do fracasso da Alca"
• Manifestou
Fidel numa mesa-redonda em que marcou presença
também o astro do futebol argentino, Diego Armando
Maradona • O "Pibe de Ouro" liderará na Argentina
passeata de protesto contra a reunião continental da
qual participará o presidente norte-americano
DURANTE uma mesa-redonda
televisionada em 27 de outubro, o presidente cubano,
Fidel Castro, qualificou a Cúpula das Américas, a se
realizar proximamente na Argentina como a "Cúpula do
fracasso» da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).
Em meio a um previsível forte repúdio popular,
assistirá o presidente norte-americano George W.
Bush, o qual será bem custodiado.
Fidel compartiu o programa
televisual com o futebolista argentino e grande
amigo de Cuba, Diego Armando Maradona, que se
encontra em Cuba por motivo de uma entrevista ao
presidente cubano para seu programa popular La
Noche del Diez, que o Canal 13 da televisão
transmite em Buenos Aires.
Maradona liderará, junto com
sua filha, uma marcha gigante que organizam os
argentinos para protestar contra a presença de Bush
na Cúpula, segundo informou Fidel Castro.
Referindo-se à reunião
hemisférica criada pelos Estados Unidos para
defender seus interesses na América Latina, o líder
cubano enfatizou que no Canadá, durante o penúltimo
foro, milhares de cidadãos protestaram e denunciaram
a Área de Livre Comércio das Américas. "Agora vão se
reunir nada mais nada menos no sul, na Argentina",
ironizou o estado de depauperação em que está esse
país austral e a região, por causa das políticas
neoliberais impostas pelos EUA.
"Há gente na Argentina que
reprova a assistência de Bush ao encontro. Eu sou a
primeira pessoa. Ele nos prejudicou muito. Para mim,
é um assassino, nos menospreza e nos espezinha. Eu
vou liderar, junto com minha filha, essa passeata",
confirmou Maradona.
"Esse é um país com história,
submetido a agressões, despejos, saques, um povo que
tem sofrido muito", disse Fidel falando da Argentina
e acrescentou que muitas pessoas ali criticaram que
o presidente ianque viaje a essa nação num porta-aviões.
Mas, ali ninguém vai empregar a força, senão a
vergonha e o repúdio à Alca.", disse.
"Bush é ‘o homem da guerra’,
o da doutrina pós-hitleriana, porém mais abertamente
ao falar de ataques inesperados a qualquer país, e
seu país é o que mais influiu no terror, o qual
praticou, durante dezenas de anos contra Cuba",
assinalou o presidente cubano.
Quem treinou e ensinou os
torturadores que mataram de 15 a 30 mil pessoas e
fizeram desaparecer dezenas de milhares na
Argentina? Quem ensinou os torturadores a introduzir
ratos nas entranhas dos jovens argentinos?,
perguntou.
O líder da Revolução Cubana
acrescentou que essas são as únicas credenciais — as
do terrorismo que hoje pratica e contra o qual hoje
afirma que luta — que o governo dos Estados Unidos
pode apresentar ao mundo e a essa Argentina de Che e
de tantos grandes homens.
"Agora pretendem ser
recebidos com algazarra e aplausos, mas as idéias
têm tanta força nesse país que os argentinos não vão
desanimar, não se vai empregar a violência e se
realizará uma passeata multitudinária que
manifestará seu repúdio", expressou.
Fidel referiu também que a
consciência dos povos latino-americanos e do Caribe
vai aumentando e pode se afirmar que a chamada Área
de Livre Comércio das Américas (Alca) proposta pelos
Estados Unidos é já "um sonho de verão".
"Quanto a Cuba", ressaltou o
presidente cubano, "o império não conseguiu destruir
a Revolução e agora tem um plano de ‘transição’ e
está falando em alfabetização e vacinação em nosso
país, ignorando que em Cuba as crianças são
vacinadas gratuitamente contra 13 doenças e que a
taxa de mortalidade infantil é inferior à dos
Estados Unidos."
Destacou que "eles devem se
preocupar verdadeiramente pela transição de seu país
e pela maneira de agir de seu governo face às
catástrofes naturais ocasionadas pelas mudanças
climáticas e a poluição do meio ambiente".
Segundo afirmou o líder
cubano, Bush ofendeu e ultrajou o mundo ao rejeitar
os compromissos do Protocolo de Kyoto, que têm por
objetivo impedir catástofes naturais atuais e as que
esperam a humanidade, se os EUA mantiverem essa
teimosia.
CUBA NÃO ATIRA A PORTA E
PROPÕE AOS ESTADOS UNIDOS A COOPERAÇÃO EM CASOS DE
DEVASTAÇÃO
Fidel informou na
mesa-redonda que, na terça-feira 25 de outubro, o
chefe da Repartição dos Estados Unidos em Havana
entregou uma nota verbal, em que lamentava os
prejuízos provocados pelo furacão Wilma e sugeriu
que especialistas de seu país visitassem Cuba para
fazer uma avaliação dos estragos e a possível ajuda.
Na quarta-feira 26. o
Ministério das Relações Exteriores respondeu que,
contudo, a nação caribenha não tinha solicitado
ajuda mas aceitava a visita dessas pessoas, já que
considera que os Estados Unidos, México, Cuba e
outros países da região devem se ajudar mutuamente
em situações similares.
A resposta do Minrex insiste
em estender esta cooperação a toda a área do Caribe
e da América Central e por isso, não há objeção à
visita dos três especialistas para conhecer suas
opiniões e trocar idéias sobre estes temas.
"Nós não atiramos a porta",
salientou Fidel, que reiterou o convite aos expertos
para trocar opiniões sobre estes temas, nomeadamente
sobre os furacões, cada vez mais freqüentes e
violentos.
O líder cubano contrapôs o
que acontece em Cuba frente às conseqüências de uma
catástrofe natural como o furacão, ao comentar
informações da mídia sobre a visita do presidente
George W. Bush à península da Flórida, após a
passagem do furacão Wilma e as críticas recebidas
por sua atitude falsa com vista às eleições.
No entanto, cá em Cuba só
trabalhamos para reparar os estragos deixados por
Wilma e ajudamos as pessoas.
Sublinhou que ele não esteve
no Malecón (beira-mar), nem foi lá cumprimentar as
pessoas, mas que teve encontros com os líderes do
Partido e do governo, da Reserva Estatal, os
assistentes sociais e outras forças e organismos
para encomendar e organizar as tarefas frente a uma
situação calamitosa.
Destacou que, "o fundamental
para nosso país é não perder tempo nesses casos,
reparar os estragos e principalmente, preservar a
vida das pessoas.
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