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Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

N O T I C I A S

Havana. 28 outubro de 2005

 

Bush é "o homem da guerra" e a Cúpula das Américas é "a do fracasso da Alca"
• Manifestou Fidel numa mesa-redonda em que marcou presença também o astro do futebol argentino, Diego Armando Maradona • O "Pibe de Ouro" liderará na Argentina passeata de protesto contra a reunião continental da qual participará o presidente norte-americano

DURANTE uma mesa-redonda televisionada em 27 de outubro, o presidente cubano, Fidel Castro, qualificou a Cúpula das Américas, a se realizar proximamente na Argentina como a "Cúpula do fracasso» da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Em meio a um previsível forte repúdio popular, assistirá o presidente norte-americano George W. Bush, o qual será bem custodiado.

Fidel compartiu o programa televisual com o futebolista argentino e grande amigo de Cuba, Diego Armando Maradona, que se encontra em Cuba por motivo de uma entrevista ao presidente cubano para seu programa popular La Noche del Diez, que o Canal 13 da televisão transmite em Buenos Aires.

Maradona liderará, junto com sua filha, uma marcha gigante que organizam os argentinos para protestar contra a presença de Bush na Cúpula, segundo informou Fidel Castro.

Referindo-se à reunião hemisférica criada pelos Estados Unidos para defender seus interesses na América Latina, o líder cubano enfatizou que no Canadá, durante o penúltimo foro, milhares de cidadãos protestaram e denunciaram a Área de Livre Comércio das Américas. "Agora vão se reunir nada mais nada menos no sul, na Argentina", ironizou o estado de depauperação em que está esse país austral e a região, por causa das políticas neoliberais impostas pelos EUA.

"Há gente na Argentina que reprova a assistência de Bush ao encontro. Eu sou a primeira pessoa. Ele nos prejudicou muito. Para mim, é um assassino, nos menospreza e nos espezinha. Eu vou liderar, junto com minha filha, essa passeata", confirmou Maradona.

"Esse é um país com história, submetido a agressões, despejos, saques, um povo que tem sofrido muito", disse Fidel falando da Argentina e acrescentou que muitas pessoas ali criticaram que o presidente ianque viaje a essa nação num porta-aviões. Mas, ali ninguém vai empregar a força, senão a vergonha e o repúdio à Alca.", disse.

"Bush é ‘o homem da guerra’, o da doutrina pós-hitleriana, porém mais abertamente ao falar de ataques inesperados a qualquer país, e seu país é o que mais influiu no terror, o qual praticou, durante dezenas de anos contra Cuba", assinalou o presidente cubano.

Quem treinou e ensinou os torturadores que mataram de 15 a 30 mil pessoas e fizeram desaparecer dezenas de milhares na Argentina? Quem ensinou os torturadores a introduzir ratos nas entranhas dos jovens argentinos?, perguntou.

O líder da Revolução Cubana acrescentou que essas são as únicas credenciais — as do terrorismo que hoje pratica e contra o qual hoje afirma que luta — que o governo dos Estados Unidos pode apresentar ao mundo e a essa Argentina de Che e de tantos grandes homens.

"Agora pretendem ser recebidos com algazarra e aplausos, mas as idéias têm tanta força nesse país que os argentinos não vão desanimar, não se vai empregar a violência e se realizará uma passeata multitudinária que manifestará seu repúdio", expressou.

Fidel referiu também que a consciência dos povos latino-americanos e do Caribe vai aumentando e pode se afirmar que a chamada Área de Livre Comércio das Américas (Alca) proposta pelos Estados Unidos é já "um sonho de verão".

"Quanto a Cuba", ressaltou o presidente cubano, "o império não conseguiu destruir a Revolução e agora tem um plano de ‘transição’ e está falando em alfabetização e vacinação em nosso país, ignorando que em Cuba as crianças são vacinadas gratuitamente contra 13 doenças e que a taxa de mortalidade infantil é inferior à dos Estados Unidos."

Destacou que "eles devem se preocupar verdadeiramente pela transição de seu país e pela maneira de agir de seu governo face às catástrofes naturais ocasionadas pelas mudanças climáticas e a poluição do meio ambiente".

Segundo afirmou o líder cubano, Bush ofendeu e ultrajou o mundo ao rejeitar os compromissos do Protocolo de Kyoto, que têm por objetivo impedir catástofes naturais atuais e as que esperam a humanidade, se os EUA mantiverem essa teimosia.

CUBA NÃO ATIRA A PORTA E PROPÕE AOS ESTADOS UNIDOS A COOPERAÇÃO EM CASOS DE DEVASTAÇÃO

Fidel informou na mesa-redonda que, na terça-feira 25 de outubro, o chefe da Repartição dos Estados Unidos em Havana entregou uma nota verbal, em que lamentava os prejuízos provocados pelo furacão Wilma e sugeriu que especialistas de seu país visitassem Cuba para fazer uma avaliação dos estragos e a possível ajuda.

Na quarta-feira 26. o Ministério das Relações Exteriores respondeu que, contudo, a nação caribenha não tinha solicitado ajuda mas aceitava a visita dessas pessoas, já que considera que os Estados Unidos, México, Cuba e outros países da região devem se ajudar mutuamente em situações similares.

A resposta do Minrex insiste em estender esta cooperação a toda a área do Caribe e da América Central e por isso, não há objeção à visita dos três especialistas para conhecer suas opiniões e trocar idéias sobre estes temas.

"Nós não atiramos a porta", salientou Fidel, que reiterou o convite aos expertos para trocar opiniões sobre estes temas, nomeadamente sobre os furacões, cada vez mais freqüentes e violentos.

O líder cubano contrapôs o que acontece em Cuba frente às conseqüências de uma catástrofe natural como o furacão, ao comentar informações da mídia sobre a visita do presidente George W. Bush à península da Flórida, após a passagem do furacão Wilma e as críticas recebidas por sua atitude falsa com vista às eleições.

No entanto, cá em Cuba só trabalhamos para reparar os estragos deixados por Wilma e ajudamos as pessoas.

Sublinhou que ele não esteve no Malecón (beira-mar), nem foi lá cumprimentar as pessoas, mas que teve encontros com os líderes do Partido e do governo, da Reserva Estatal, os assistentes sociais e outras forças e organismos para encomendar e organizar as tarefas frente a uma situação calamitosa.

Destacou que, "o fundamental para nosso país é não perder tempo nesses casos, reparar os estragos e principalmente, preservar a vida das pessoas.
 

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