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Crise mundial d'agua
• Nos países em desenvolvimento, 50%
da população exposta a fontes d'água poluída • No
mundo, por volta de 2,2 milhões de pessoas morrem de
diarréia pela falta de sistemas de tratamento • Mais
de 1,1 bilhão de pessoas carecem da infra-estrutura
necessária para receber água e 2,4 bilhões não têm
acesso a sistemas de saneamento
POR RAISA PAGÉS — do Granma
Internacional
O século
21 começou com uma grave crise d‘água. Os
especialistas acham que, em meados deste século, 7
bilhões de pessoas de 60 países sofrerão escassez
desse líquido, no pior dos casos. No melhor deles,
serão por volta de 2 bilhões de habitantes em 48
países.
A pressão
no sistema hidrológico continental faz aumentar o
ritmo de crescimento demográfico e do
desenvolvimento econômico. Cálculos recentes
consideram que a mudança climática será responsável
por cerca do 20% da diminuição da disponibilidade
d'agua.
Outro
fator que reduz os recursos de água doce é a
poluição. Dois milhões de toneladas de resíduos
são
jogados diariamente nas fontes receptoras, incluindo
componentes industriais, químicos, dejetos humanos e
resíduos agrícolas (fertilizantes e herbicidas).
Calcula-se
que a produção global de águas residuais é
aproximadamente de 1.500 quilômetros cúbicos. Se um
litro desse líquido residual pode poluir 8 litros de
água doce, a carga mundial de poluição pode
ascender, atualmente, a 12.000 quilômetros cúbicos,
ainda que os dados confiáveis relativos à largura e
gravidade da poluição sejam incompletos, segundo
esclareceram peritos da ONU.
É claro,
as populações mais pobres resultam as mais
prejudicadas. Nos países em desenvolvimento, 50% da
população está exposta a fontes de água poluídas.
As doenças
decorrentes das águas infestas são uma das causas
mais comuns de doença e morte, designadamente, nas
nações do Terceiro Mundo.
As doenças
transmitidas pela água, como doenças
gastrintestinais se produzem por beber água poluída.
Outras afeções ocorrem por agentes transmissores
(por exemplo a malária ou a esquistossomose) que
podem ser por insetos e vermes que se reproduzem em
ecossistemas aquáticos.
Em 2000,
por volta de 2,2 milhões de pessoas morreram de
diarréias, em conseqüência da falta de sistemas de
tratamento ou de higiene. Segundo um estudo, a
malária mata um milhão de pessoas cada ano.
Mais de 2
bilhões de pessoas foram infestadas por
esquistossomos e helmintos transmitidos pelo solo,
das quais 300 milhões sofreram doença grave, segundo
estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS).
A carência
de água para a higiene básica na pessoa, provoca que
as bactérias ou parasitos fiquem aderidos à pele,
como a sarna.
O mais
trágico é que a maioria das mortes e doentes foram
crianças menores de cinco anos. A resistência aos
inseticidas enfraquece a efetividade dos programas
de controle dos agentes transmissores de doenças.
Semelhante processo acontece com os fármacos
aplicados para atacar as bactérias e os parasitos.
SEM
ÁGUA E TRATAMENTO
Atualmente,
1,1 bilhão de pessoas carece de instalações
necessárias para obter água e 2,4 bilhões não têm
acesso a sistemas de tratamento.
Aqueles
que não dispõem de fornecimento suficiente são, é
claro, os mais pobres. Se o fornecimento e o
tratamento básico forem alargados às populações que
não conhecem esses serviços, estima-se que os casos
de diarréias infeciosas se reduziriam em 17%,
anualmente.
Contudo, a
ordem econômica internacional atual, onde prevalece
a desigualdade, não permite o acesso dos mais pobres
a esses programas, ainda mais se morarem em países
onde os governos não propiciam o bem-estar da
população.
Contrário
a isso, em muitas nações os recursos hídricos foram
privatizados, agravando assim as conseqüências
derivadas da escassez d’água.
A Ásia, a
área de maior densidade de população do mundo, os
65% e 80% das pessoas carecem de serviços de água e
de saneamento, respectivamente. Na África, ambos os
indicadores revelam 27% e 13%; na América Latina e
no Caribe é de 6% e 5%; enquanto na Europa ambos os
parâmetros são de 2%, segundo o Programa de Controle
Conjunto OMS/Unicef, atualizado em setembro de 2002.
As percentagens são superiores na Ásia, embora a
população seja maior na África, devido à diferença
demográfica entre os dois continentes. Da América do
Norte não existiam referências neste relatório.
ÁGUA E
DESASTRES
O número
de vítimas dos diversos desastres naturais aumentou
de 147 para 211 milhões, em cada ano, entre 1991 e
2000. Nesse período, mais de 665.000 pessoas
faleceram em 2.557 desastres naturais, dos que mais
de 90% tiveram que ver com a água. A Ásia e a África
são os continentes mais prejudicados.
A seca foi
responsável por 425 das mortes causadas por todo
tipo de desastres naturais. As enchentes originaram
por volta de 50%, enquanto as doenças transmitidas
pela água e vetores mataram 285 pessoas. Mas,
infelizmente, o mais marcante é que 97% das mortes
ocorreram nos países em desenvolvimento.
Em Cuba, a
seca atual não provocou a morte de pessoas, devido a
que o sistema econômico-social dá prioridade às
necessidades da população. Foi conformado um grupo
especial para enfrentar a situação, adjunto ao
Comitê Executivo do Conselho de Ministros. Desta
forma, os recursos financeiros são investidos nos
lugares onde a carência de água for maior e as
conseqüências mais graves.
O sistema
da defesa civil da Ilha caribenha para fazer face
aos desastres naturais tem sido elogiado pela ONU e
situado como modelo para o restante das nações em
desenvolvimento.
A decisão
política e um sistema social onde impera a justiça,
são os alicerces fundamentais para que a humanidade
possa defrontar a crise d'água atual. |