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Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

 C I Ê N C I A   E   T E C N O L O G I A

Havana. 25 Março de 2005

 

Crise mundial d'agua
• Nos países em desenvolvimento, 50% da população exposta a fontes d'água poluída • No mundo, por volta de 2,2 milhões de pessoas morrem de diarréia pela falta de sistemas de tratamento • Mais de 1,1 bilhão de pessoas carecem da infra-estrutura necessária para receber água e 2,4 bilhões não têm acesso a sistemas de saneamento

POR RAISA PAGÉS — do Granma Internacional

O século 21 começou com uma grave crise d‘água. Os especialistas acham que, em meados deste século, 7 bilhões de pessoas de 60 países sofrerão escassez desse líquido, no pior dos casos. No melhor deles, serão por volta de 2 bilhões de habitantes em 48 países.

A pressão no sistema hidrológico continental faz aumentar o ritmo de crescimento demográfico e do desenvolvimento econômico. Cálculos recentes   consideram que a mudança climática será responsável por cerca do 20% da diminuição da disponibilidade d'agua.

Outro fator que reduz os recursos de água doce é a poluição. Dois milhões de toneladas de resíduos                                                                                                                    são jogados diariamente nas fontes receptoras, incluindo componentes industriais, químicos, dejetos humanos e resíduos agrícolas (fertilizantes e herbicidas).

Calcula-se que a produção global de águas residuais é aproximadamente de 1.500 quilômetros cúbicos. Se um litro desse líquido residual pode poluir 8 litros de água doce, a carga mundial de poluição pode ascender, atualmente, a 12.000 quilômetros cúbicos, ainda que os dados confiáveis relativos à largura e gravidade da poluição sejam incompletos, segundo esclareceram peritos da ONU.

É claro, as populações mais pobres resultam as mais prejudicadas. Nos países em desenvolvimento, 50% da população está exposta a fontes de água poluídas.

As doenças decorrentes das águas infestas são uma das causas mais comuns de doença e morte, designadamente, nas nações do Terceiro Mundo.

As doenças transmitidas pela água, como doenças gastrintestinais se produzem por beber água poluída. Outras afeções ocorrem por agentes transmissores (por exemplo a malária ou a esquistossomose) que podem ser por insetos e vermes que se reproduzem em ecossistemas aquáticos.

Em 2000, por volta de 2,2 milhões de pessoas morreram de diarréias, em conseqüência da falta de sistemas de tratamento ou de higiene. Segundo um estudo, a malária mata um milhão de pessoas cada ano.

Mais de 2 bilhões de pessoas foram infestadas por esquistossomos e helmintos transmitidos pelo solo, das quais 300 milhões sofreram doença grave, segundo estudos da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A carência de água para a higiene básica na pessoa, provoca que as bactérias ou parasitos fiquem aderidos à pele, como a sarna.

O mais trágico é que a maioria das mortes e doentes foram crianças menores de cinco anos. A resistência aos inseticidas enfraquece a efetividade dos programas de controle dos agentes transmissores de doenças. Semelhante processo acontece com os fármacos aplicados para atacar as bactérias e os parasitos.

SEM ÁGUA E TRATAMENTO

Atualmente, 1,1 bilhão de pessoas carece de instalações necessárias para obter água e 2,4 bilhões não têm acesso a sistemas de tratamento.

Aqueles que não dispõem de fornecimento suficiente são, é claro, os mais pobres. Se o fornecimento e o tratamento básico forem alargados às populações que não conhecem esses serviços, estima-se que os casos de diarréias infeciosas se reduziriam em 17%, anualmente.

Contudo, a ordem econômica internacional atual, onde prevalece a desigualdade, não permite o acesso dos mais pobres a esses programas, ainda mais se morarem em países onde os governos não propiciam o bem-estar da população.

Contrário a isso, em muitas nações os recursos hídricos foram privatizados, agravando assim as conseqüências derivadas da escassez d’água.

A Ásia, a área de maior densidade de população do mundo, os 65% e 80% das pessoas carecem de serviços de água e de saneamento, respectivamente. Na África, ambos os indicadores revelam 27% e 13%; na América Latina e no Caribe é de 6% e 5%; enquanto na Europa ambos os parâmetros são de 2%, segundo o Programa de Controle Conjunto OMS/Unicef, atualizado em setembro de 2002. As percentagens são superiores na Ásia, embora a população seja maior na África, devido à diferença demográfica entre os dois continentes. Da América do Norte não existiam referências neste relatório.

ÁGUA E DESASTRES

O número de vítimas dos diversos desastres naturais aumentou de 147 para 211 milhões, em cada ano, entre 1991 e 2000. Nesse período, mais de 665.000 pessoas faleceram em 2.557 desastres naturais, dos que mais de 90% tiveram que ver com a água. A Ásia e a África são os continentes mais prejudicados.

A seca foi responsável por 425 das mortes causadas por todo tipo de desastres naturais. As enchentes  originaram por volta de 50%, enquanto as doenças transmitidas pela água e vetores mataram 285 pessoas. Mas, infelizmente, o mais marcante é que 97% das mortes ocorreram nos países em desenvolvimento.

Em Cuba, a seca atual não provocou a morte de pessoas, devido a que o sistema econômico-social dá prioridade às necessidades da população. Foi conformado um grupo especial para enfrentar a situação, adjunto ao Comitê Executivo do Conselho de Ministros. Desta forma, os recursos financeiros são investidos nos lugares onde a carência de água for maior e as conseqüências mais graves.

O sistema da defesa civil da Ilha caribenha para fazer face aos desastres naturais tem sido elogiado pela ONU e situado como modelo para o restante das na­ções em desenvolvimento.

A decisão política e um sistema social onde impera a justiça, são os alicerces fundamentais para que a humanidade possa defrontar a crise d'água atual.

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