|
Aznar deseja para Cuba a
intervenção ianque, tal qual seus ancestres
colonialistas
POR PATRICIO MONTESINOS (Jornalista
espanhol)
MADRI.—
Isolado na Europa e desprezado na América Latina,
precisamente por sua submissão ao presidente
norte-americano George W. Bush, o presidente do
governo espanhol, José María Aznar, quase no fim do
seu mandato, voltou a atacar Cuba, é claro, agora em
um discurso proferido em Washington, e respaldou a
guerra injustificada, travada pelos Estados Unidos
contra o Iraque.
|

O ‘cavalheirinho’ Aznar
empolgado por se encontrar no Capitólio ianque,
apoiado pela presença, nada mais nada menos,
do vice-presidente norte-americano Richard
Cheney |
Em um
discurso, proferido quarta-feira, 4, ante o
Congresso norte-americano, qualificado em Madri de
humilhante para a Espanha, Aznar defendeu sem,
nenhum escrúpulo a sangrenta agressão militar
encetada pela Casa Branca no Iraque e não conseguiu
esconder seu ódio visceral contra Cuba, herdado
evidentemente de seus ancestres colonialistas.
Por sinal,
apenas cinqüenta congressistas e representantes — a
imensa maioria republicanos — de um total de 535,
marcaram presença para escutarem o discurso do
aliado ibérico, no hemiciclo da Câmara de
Representantes. O resto do local foi lotado com
membros e convidados da delegação espanhola,
bolsistas do Congresso o funcionários dos níveis
médios dessa instância do governo. A escassa
representatividade foi compensada por Bush, que
enviou ao secretário do Estado, Colin Powell, e a
outros três elementos do seu gabinete para que
apoiassem o visitante, sublinharam, quinta-feira, 5,
diferentes jornais da Espanha.
Os jornais
comentaram que a intervenção de Aznar foi espelhada
com escasso interesse pela mídia estadunidense.
O ainda
chefe do executivo de Madri quer para Cuba uma
agressão norte-americana e que a ilha caribenha
volte a ser o que foi quando a metrópole espanhola a
entregou aos Estados Unidos, no final do século 19,
opinaram meios políticos e jornalísticos nesta
capital.
As fontes
coincidem em que o premiê desse Estado europeu
deseja repetir a história de seus ancestres,
esquecendo o que aconteceu naquela época, quando os
cubanos derrotaram o exército colonial espanhol e se
livraram anos depois, em janeiro de 1959, dos
regimes ditatoriais impostos por Washington.
|