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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 6 Março de 2014

 

Chávez é uma luz que não se apaga

Jorge Legañoa Alonso

NO Quartel da Montanha, em Caracas, há um ano que descansam os restos mortais de Hugo Chávez, o comandante dos venezuelanos. O que antigamente fosse seu comando, durante o levante cívico-militar de 4 de fevereiro de 1992, continua sendo hoje fervedouro de gente, lugar de encontro para seus seguidores, terra de peregrinação e estímulo para continuar sua luta...

 Às 16h25 de uma tarde cinza, aquele 5 de março, seu coração deixou de bater; contudo, sua luz continua viva na rua, nas pessoas, em todos aqueles que faiscam seus olhos quando é mencionado. Doze meses que não têm sido fáceis para um povo fiel, que teve que superar a dor para enfrentar uma difícil guerra econômica, duas eleições, incluída uma presidencial, um mês depois de sua morte, e as ações daqueles que desterraram a democracia de sua linguagem e apostam na violência para galgar o poder.

 Na Venezuela de Hugo Chávez, há alguns dias, conversei de novo, com uma venezuelana que conheço desde que cheguei a esta terra pela primeira vez. Não sei seu sobrenome, mas seu nome é Maritza, trabalhadora do programa Bairro Dentro, há vários anos. Por tal motivo, para ela um cubano é um “confidente” e nunca tem medo de expressar seus sentimentos ante os amigos. Falamos da situação do país, da vida, até que apareceu o tema que a apaixona: “Chávez é mais que um corpo”, afirmou.

“Esse homem mudou a vida de todos nós e foi embora como mesmo chegou, de surpresa, e para que volte a haver outro assim passará muito tempo, ao ponto tal que nem você nem eu vamos vê-lo, mas aí está Maduro, com ele vamos porque a luta continua”, expressou Maritza, para quem estas palavras são sentimento e ação diária. Somente é preciso ver seus olhos para entender isso.

 A Hugo, o amigo, seu povo o tem chorado, inclusive, cada vez que uma conversação termina na palavra Chávez, alguma que outra lágrima volta a sair. Tal como vi Maritza enxugar as lágrimas, tenho visto outros tantos. Não importa que sejam homens curtidos pelo campo ou pela luta. O coração é mais forte, a espiritualidade de Chávez é imensa, tocou fundo, por isso sua marca não se pode apagar em apenas um ano, porque ele está por todos lados.

 A imagem de Chávez e suas ideias estão presentes nas ruas. Está presente nos murais pintados pelos jovens lutadores sociais; num velho cartaz da campanha eleitoral de 2012, de onde ele olha sorridente, como lembrando que sua vida foi dar felicidade à maioria; está presente no hino nacional que ele mesmo canta e que todos os dias aparece na tevê no final da programação; na camiseta de uma criança ou na mochila de um jovem.

 Hugo Chávez se tornou ícone, tal como a mítica imagem de Che Guevara fotografada por Korda. Mas, nesta ocasião, não é um ícone, são vários: seus olhos, o perfil do rosto, a imagem do abraço a uma idosa, sua assinatura que parecia ‘rabo de porco’, como ele mesmo dizia. O presidente dos venezuelanos passou da luta militar e política ao coração, porque fez muito por um povo com muitas carências.

 Quando se caminha pelo centro de Caracas, a gente entende que o povo está ligado a seu líder além da política, com um misticismo que chega ao religioso. Nalgumas lojas de objetos religiosos podem encontrar-se ao lado da efígie de “Nossa senhora de Coromoto” — padroeira da Venezuela — uma imagem de Chávez. Há alguns que o chamam o “santo dos pobres”, enquanto outros o comparam com José Gregório Hernández, um médico do início do século 20, venerado pelos venezuelanos, devido ao seu trabalho com os pobres.

 Embora os inimigos do chavismo quisessem silenciar a voz de Chávez, é impossível, porque os venezuelanos veem todos os dias sua figura, seus olhos pintados nas ruas e prédios altos de Caracas, os venezuelanos lembram o carisma de um homem que dançava, cantava, cuja vida era um show e que se entregou totalmente a uma causa justa; porém mais que a imagem, por onde hoje se caminha nestas terras se vê a marca de uma Revolução bolivariana que tem construído um país melhor.

 Não é difícil encontrar jovens tatuados com a assinatura ou os olhos de Chávez. Dizem que é sua homenagem, porem acho que é mais que isso: “para não esquecer jamais o que significa ser chavista”, porque nestas terras, sem dúvida, Chávez é uma luz que não se apaga, embora a morte se interponha.

 

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