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Havana, 5 Novembro de 2014

 

Mudança climática no Caribe é uma ameaça imediata e real

Desmond Brown

KINGSTON.— Quando de mudança climática se trata, o primeiro-ministro de São Vicente e as Granadinas, Ralph Gonsalves, não anda com rodeios e garante que para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (PEID) este é um tema de vida ou morte.

"A ameaça não é abstrata nem muito distante, é imediata e real", recalcou Gonsalves na entrevista com a IPS.

"Este pequeno país que tenho a honra de presidir é propenso a desastres. Precisamos adaptar-nos, fortalecer nosso poder de recuperação, mitigar; precisamos reduzir os riscos sobre os recursos humanos e naturais, derivados da mudança climática", destacou.

"Mas é um assunto que não podemos resolver sozinhos. O mundo é um lugar pequeno e contribuímos muito pouco para o aquecimento global e, contudo, estamos na primeira linha dos contínuos desastres", alertou Gonsalves.

Desde 2001, São Vicente e as Granadinas sofreu por causa de 14 eventos climáticos grandes, cinco dos quais ocorreram a partir de 2010. Estes últimos deixaram danos e causaram perdas que chegaram a US$ 600 milhões, quantia que sugou uma terceira parte do PIB.

"Os eventos relacionados com as chuvas e no caso do furacão Tomas, o vento, ocorreram em 2010. Em abril de 2011 houve desabamentos e enchentes de proporções quase bíblicas no noroeste de nosso país", frisou Gonsalves.

As perdas por causa das enchentes, véspera do Natal do ano passado representaram 17,5% do PIB. Mais de 10 mil pessoas foram afetadas diretamente, quer dizer, mais de uma em cada 10 habitantes", sublinhou. Além do mais, morreram 12 pessoas.

"Na primeira metade do ano 2010 e na primeira deste ano tivemos secas. As perdas causadas pelo furacão Tomas foram da ordem dos US$ 150 milhões. As enchentes do mês de abril de 2011 deixaram prejuízos de US$ 100 milhões; e as perdas deixadas pelo fenômeno meteorológico do Natal foram de US$ 330 milhões", explicou.

"Se tudo isso é somado atinge os US$ 580 milhões, e se se adicionam outros US$ 20 milhões das perdas deixadas pela seca, então chegamos aos US$ 600 milhões e continua aumentando", acrescentou.

Nos últimos anos, e especialmente a partir da Cúpula da Convenção Marco das Nações Unidas contra a Mudança Climática (Cmnucc), realizada em Copenhague, em 2009, Estados Unidos e outros países se comprometeram a ajudar os pequenos Estados insulares a fazer face às consequência da mudança climática, e prometeram milhões de dólares para apoiar os esforços de adaptação e de redução do risco de desastres.

O secretário do Estado norte-americano, John Kerry, visitou os Estados insulares do Pacífico e reiterou a importância de aprofundar os acordos com estes pequenos países para fazer face às ameaças imediatas e aos desafios do desenvolvimento em longo prazo que coloca pela frente a mudança climática.

Porém Gonsalves assinalou que não existem verbas suficientes para medidas de mitigação e adaptação prometidas pela comunidade global.

O legislador opositor Arnhim Eustace está preocupado pelo fato de as pessoas ainda "não prestarem muita atenção à importância" da mudança climática.

"Quando alguém tem problemas porque não tem emprego e não pode mandar os filhos à escola, não tente falar-lhe acerca da mudança climática, não lhe interessa. Seu interesse estará concentrado na próxima refeição, de onde tirará algo para poder alimentar seu filho. Por isso, é preciso termos muito cuidado na hora de atender as operações fiscais", alertou.

Eustace, líder do Novo Partido Democrático, da oposição, expôs que primeiramente as pessoas devem ter cobertas suas necessidades básicas para depois abrir sua mente para problemas graves como a mudança climática. (Excertos reproduzidos da IPS)
 

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