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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 3 Setembro de 2014

 

Mês crucial para o Brasil,
Bolívia e o Uruguai

Andrés Mora Ramírez

DURANTE O mês de outubro, no Brasil (no dia 5), na Bolívia (no dia 12) e no Uruguai (no dia 26) terão lugar as eleições presidenciais. Estas eleições se acrescentam às já realizadas, durante este ano, na Costa Rica, El Salvador, Panamá e Colômbia, e cujos resultados, em termos gerais, mantêm as tendências que se observam na América Latina, no decurso deste século: avanço das forças da esquerda e da centro-esquerda, concretamente as salvadorenhas e as costarriquenhas (mas com governos relativamente fracos, devido à composição dos congressos e às limitações herdadas do modelo neoliberal imposto há três décadas); e no Panamá e na Colômbia, a reafirmação do domínio de uns setores da direita com conflitos entre eles, por causa de suas próprias contradições e lutas de interesses, como ficou evidente no caso da vitória do presidente Juan Manuel Santos para o candidato de Álvaro Uribe Vélez.

A partir desta perspectiva, as eleições de outubro adquirem relevo, quanto às projeções dos resultados que se desprendem das sondagens de opinião, especialmente no Brasil e no Uruguai, permitem antever a possibilidade de que o rumo progressista sul-americano que predominou, majoritariamente, durante os últimos dez anos, se veja ameaçado e até fraturado pelas forças da direita, centro-direita ou um leque de alianças pragmáticas conjunturais (por exemplo, como ocorre no Brasil, com o acordo entre "verdes" e empresários dos negócios agrários, a favor da candidatura de Marina Silva).

Triunfos eventuais da direita, neste ciclo eleitoral que se aproxima, teriam consequências importantes, por um lado, no processo de integração regional da Nossa América; e pelo outro, no consenso pós-neoliberal que, em nível regional e mundial, tem permitido articular posições favoráveis à construção de um sistema internacional multipolar.

No Brasil, após o desgaste político dos últimos meses, por causa da desaceleração do crescimento da economia e as manifestações contra os investimentos milionários para a realização da Copa Mundial de Futebol, na reta final da campanha, a presidenta Dilma Rousseff conta com 36% a 38% na intenção de voto dos brasileiros, embora o apoio a seus contrários tenha crescido e alguns estudos perfilam a possibilidade de um segundo turno nas votações (contra Aécio Neves ou Marina Silva), para escolher o futuro presidente da potência sul-americana emergente. A presidenta Rousseff mantém como eixos de sua mensagem eleitoral a continuidade das mudanças iniciadas pelo ex-presidente Lula da Silva e os avanços conseguidos, em diferentes âmbitos, durante doze anos de governo do Partido dos Trabalhadores. Por exemplo, o inquestionável sucesso social, econômico e, sobretudo, humano, que representa o fato de que quase 40 milhões de brasileiros e brasileiras tenham saído da pobreza.

Por outro lado, no Uruguai, a Frente ampla (FA) escolheu como candidatos para presidente e vice-presidente duas figuras de funda raiz histórica no partido: o ex-presidente da República, Tabaré Vázquez (2005-2010), primeiro presidente dessa agrupação e Raúl Fernando Sendic, filho do líder do Movimento de Libertação Nacional – Tupamaros, Raúl Sendic Antonaccio. Contudo, as sondagens não preveem um panorama simples: a FA perdeu pontos na intenção de voto, nas últimas enquetes (passa de 42% a 39%, entre junho e agosto); entretanto o Partido Colorado e seu candidato, o advogado Luis Lacalle Pou, 41 anos, filho do ex-presidente Luis Alberto Lacalle, cresce em apoio (passou de 27% a 30%, no mesmo período).

Um triunfo no primeiro turno, sob estas tendências, não parece fácil e se augura uma intensa batalha política nas próximas semanas.

Um âmbito diferente é o da Bolívia, onde a reeleição do presidente Evo Morales e seu vice-presidente, Álvaro García Linera, parece iminente. As sondagens refletem um apoio para o candidato do Movimento ao Socialismo (MAS) que flutua entre 52% e 59%, muito acima de 15% a 17% do candidato da oposição, Samuel Doria Medina. O que é que anda atrás deste contundente crescimento do respaldo à gestão de Evo Morales? Com certeza o radicalismo e a profundidade das mudanças efetuadas pela Revolução Indígena e Cultural, como é definida pelo presidente, sobretudo se é comparada com o pesadelo neoliberal em que viveu o país até sua chegada ao governo.

Mais além das limitações, contradições e erros que lhe possam atribuir seus contrários e até os simpatizantes e militantes do MAS, as políticas implementadas por Evo Morales e sua equipe permitiram à Bolívia atingir avanços sociais e econômicos sem precedentes. Katu Arkonada, intelectual basco que vem estudando e viveu de perto o processo boliviano, considera que a construção de um novo modelo econômico pós-neoliberal e seu impacto positivo na população boliviana, é um dos pilares do alto índice de aprovação de Morales: graças à nacionalização do setor do petróleo e o gás, o PIB do país passou de US$ 9,5 bilhões, em 2005, para US$ 30,3 bilhões, em 2013; durante o governo neoliberal, o investimento público, em 2005, foi de apenas US$ 629 milhões, enquanto no de Morales, em 2013, foi de US$ 3,7 bilhões, "que são partilhados, praticamente, em partes iguais, entre investimento em políticas sociais, infraestrutura e desenvolvimento produtivo".

Aumentou o salário mínimo, diminuiu o desemprego urbano e se reduziu a pobreza extrema (passou de 38,2%, em 2005, para 21,6%, em 2012) e a desigualdade ("em 2005 a diferença de receitas entre 10% do setor mais rico em relação ao mais pobre era de 128 vezes; enquanto em 2012, essa mesma diferença se reduziu 46 vezes").

Três países, três eleições, três rotas possíveis da mudança de época na Nossa América. Em cada caso, as condições particulares com que se teve que defrontar cada governo determinam, ao mesmo tempo, a velocidade e profundeza das transformações, da mesma forma que a natureza das lideranças políticas. Cada um deles representa, ainda, as coordenadas de um pós-neoliberalismo diverso, criativo e possível, que hoje encara o desafio de derrotar mais uma vez, mediante o sufrágio popular, uma direita maquiada que sonha com voltar ao passado.

Como todos os matizes que tiverem, os governos progressistas e nacional-populares levam sobre eles muitas das esperanças dos povos da região. Permitir que sua marcha se detenha agora, após tantas décadas de luta, seria um erro e um golpe terrível para a construção de uma América Latina mais livre, mais independente e mais soberana (Excertos tomados da Agência Latino-americana de Informação).
 

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