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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 30 Julho de 2014

 

Militares contra os imigrantes

O governador do Texas, Rick Perry, anunciou o desdobramento de mil efetivos da Guarda Nacional na fronteira com o México, a partir do próximo mês (agosto n,r), a fim de conter o fluxo de imigrantes indocumentados, em meio de um reinício inédito da chegada de menores mexicanos e centro-americanos que se internam sozinhos e sem os documentos correspondentes no território estadunidense.

O mandatário estadual, que aspira à candidatura presidencial do Partido Republicano para as eleições de 2016, negou que a referida medida signifique a militarização da linha na fronteira com o México. Por seu lado, o chefe administrativo militar do Texas, John Nichols, disse que suas tropas só se encarregarão de dissuadir os imigrantes.

Se bem é certo que a Guarda Nacional é um corpo formado por voluntários e sob o comando dos governadores dos estados, trata-se, a fim de contas, de um organismo militar, munido de meios castrenses marítimos, terrestres e aéreos, várias de cujas unidades foram enviadas a guerras como a do Iraque. Uma das diferenças significativas entre esta agrupação e os outros ramos das forças armadas – exército, marinha ou força aérea – assenta em que as segundas têm proibido usar armas para fazer respeitar a lei no território estadunidense, entretanto a Guarda Nacional dispõe de autorização para disparar dentro do país. Pelo anterior, seria um excesso de candidez acreditar na afirmação de que os efetivos desdobrados estarão limitados a dissuadir imigrantes indocumentados, e resulta condenável que o governo texano pretenda minimizar o alcance de sua própria decisão e esconder aos olhos da opinião pública a gravidade de uma medida que implica, simplesmente, a militarização da fronteira.

Ao contrário, a determinação de Perry é um novo aperto na política de criminalização e perseguição de imigrantes por parte das autoridades do vizinho país: a partir do desdobramento da Guarda Nacional, aqueles que cruzarem a fronteira texana, procurando uma vida melhor deverão fazer frente não só aos perigos de um entorno natural inclemente, aos traficantes de pessoas, aos abusos das corporações policiais de um e outro lados da linha de demarcação e ao sadismo de grupos civis racistas dedicados à caça humana: agora terão que enfrentar também forças militares treinadas para a guerra e para a aniquilação física do adversário. Longe de atenuar a dramática situação que enfrentam cotidianamente milhares de imigrantes indocumentados, esta se tornará mais incerta e perigosa.

Sem desconhecer que a determinação referida faz parte do uso político que os republicanos têm feito do tema migratório para golpear o governo de Barack Obama, e que o próprio Perry tem dado sinais de atitudes xenófobas e intolerantes, não se pode deixar de ter em conta que a responsabilidade principal pela circunstância que padecem os imigrantes – particularmente as crianças – no vizinho país cabe ao mandatário estadunidense. Afinal de contas, faltando pouco mais de dois anos para que conclua seu segundo período presidencial, Obama não pôde cumprir um de seus principais oferecimentos da campanha: una reforma migratória; não fez nada para atenuar os maus-tratos e a perseguição que padecem os cidadãos indocumentados nesse território e, pelo contrário, se agravaram essas tendências e deportou a mais imigrantes que nenhum outro presidente estadunidense.

A chamada crise humana em que se tem convertido o fenômeno migratorio nos Estados Unidos não seria tal se a classe política de Washington, começando por seu próprio presidente, assumisse de vez que não há solução mais sensata, construtiva e congruente que despojar a imigração do seu caráter criminal. Hoje, contudo, e para todo efeito prático, este fenômeno continua sendo colocado por autoridades desse país no âmbito das ameaças militares, na contramão da lógica e dos princípios humanitários mais elementares. (Reproduzido de La Jornada)
 

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