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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 29 Abril de 2014

 

Detalhes de outra rede ilegal financiada pelos EUA contra Cuba

Joaquín Rivery Tur

A firmeza de Cuba e os fracassos contra a Revolução provocam inquietação na administração norte-americana. Se o chamado Twitter cubano foi uma mancada de maior, o governo norte-americano ainda teima na ideia de achar a forma de influir na população da Ilha, para tentar espalhar a peçonha contrarrevolucionária eletrônica nos ouvidos de tudo aquele que tenha um telefone celular.

 Segundo um artigo publicado pelo The New York Times, veio à baila que a administração estadunidense entregou US$ 2,8 milhões a um grupo de hackers e ativistas e especialistas em programação, para estes desenvolverem um sistema de redes que permitisse a pessoas afins aos interesses de Washington, em diferentes recantos do mundo, comunicar-se sem a interferência dos seus governos, mediante a Internet.

 O jornal estadunidense garante que a Zunzuneo foi testada na pequena cidade de Sayada, na Tunísia. A Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (Usaid) “outorgou uma subvenção à New America Foundation (batizada como uma ONG) para fazer com que essa plataforma estivesse disponível em Cuba”, disse o porta-voz da Agência, Matt Herrick, com o qual essa entidade teima em fazer ações de desestabilização contra o país socialista do Caribe.

 A Usaid entregou US$ 4,3 milhões para criar este tipo de redes. O software, denominado Commotion, é um importante redesenho de sistemas de conexão sem fios, que foram sendo executados, durante anos, por especialistas da Europa toda, garante o jornal. Contudo, segundo expôs o porta-voz, “estamos revendo o programa e não é operativo para Cuba, neste momento”.

 Ora, trata-se de um sistema que envia, sem serem solicitados, primeiramente anúncios de publicidade, críticas menores aos programas sociais, e depois vai intensificando-as, além de outros métodos, para acabar enviando propaganda contrarrevolucionária aberta a mentes predispostas com antecedência.

 Aliás, mais tarde estaria destinada a outras nações latino-americanas, onde os governos populares estão enfrentando os Estados Unidos.

 George W. Bush travou a guerra no Iraque baseada nas mentiras. Agora, Obama tenta concorrer com ele, com o objetivo de verificar a qual dos dois presidentes podem ser atribuídas mais simulações.

 A melhor forma que Obama achou para “cumprir promessas eleitorais” foi teimar na mesma política de Bush, relativamente à espionagem, protegido por seu grande poder militar e tecnológico, que na sua passagem causou enormes escândalos no mundo todo.

 A Casa Branca de Obama deu uma guinada, se virando para a espionagem eletrônica, segundo diz, para “lutar contra o terrorismo”.

 O The New York Times revelou a aresta oculta no discurso do presidente dos Estados Unidos, quando autorizou a Agência Nacional de Segurança (NSA, por suas siglas em inglês), que tirasse vantagem do achado de falhas de segurança em programas para servidores da Internet, o que permitiria revelar as chaves pessoais de milhões de usuários e, em vez de avisar aos autores do sistema e ao público, aproveitaram isso para vigiar um número ainda não determinado de pessoas, empresas e governos. Em Cuba, o Zunzuneo ainda zumbe nos ouvidos.

 Um editorial do jornal mexicano La Jornada sublinha que a falha antes mencionada, conhecida como Heartbleed (Coração sangrante) e tornada pública há apenas uns dias, permite o roubo de informação cifrada, armazenada em servidores, com nomes e senhas de contas no Facebook, Gmail, Google, Yahoo, Dropbox, Soundcloud e outros serviços das redes sociais, de intercâmbio de imagens, de música e blogs.

 No teor do expresso por La Jornada, na enxurrada de revelações acerca das atividades de vigilância furtiva — e ilegal de acordo com as legislações de muitos países — implementadas pelo governo dos Estados Unidos, esta seria a primeira que envolve diretamente o mandatário desse país.

 Anteriormente, Barack Obama escondia-se atrás do argumento de que não conhecia os pormenores (conhecia mesmo!) dos amplos dispositivos de espionagem desenvolvidos pela NSA, dados a conhecer depois que o empreiteiro dessa dependência, Edward Snowden, os filtrasse e se tornassem públicos.

 Por isso, o Escritório Oval da Casa Branca está rangendo e aparecem gretas. E uma implicação muito mais grave da informação difundida pelo The New York Times é que o governo de Washington, no seu afã de obter, de forma ilícita, dados confidenciais acerca de indivíduos, corporações e instituições oficiais (sobretudo de líderes governamentais populares e da esquerda, os dois extremos) poderia ter deixado desprotegidos os usuários da Internet do mundo todo, frente às atividades de delinquentes cibernéticos, que vieram se aproveitando da falha de segurança nos servidores para defraudar, extorquir, substituir identidades, obter informação para cometer sequestros e outro sem-número de ilegalidades.

 O jornal La Jornada é taxativo ao afirmar que resulta grotesca a justificação dada pelo governo estadunidense para justificar suas ações de espionagem, sobre a base de uma pretensa preocupação pela segurança nacional quando, para levar a termo esta vigilância furtiva, abre mão da segurança dos seus cidadãos, de suas empresas e, inclusive, de suas próprias dependências do governo”.

 O que veio fazendo Washington, a julgar pela informação filtrada, é se aproveitar da zona escura dos erros de programação e lançar mão dos próprios métodos que utiliza a criminalidade cibernética, para atacar suas vítimas. E isso espelha, de maneira preocupante, mas fiel, a queda moral rumo à qual vai caminhando o poder estadunidense, nos tempos de Obama.
 

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