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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 21 Outubro de 2014

 

Disputa chave no Brasil

Juan Manuel Karg

A segunda rodada eleitoral no Brasil, marcada para domingo, 26 de outubro, é sem dúvida, um dos momentos mais decisivos enfrentados pelos governos pós-neoliberais na região, nos últimos anos. Se bem nas últimas duas décadas, a polarização política no país está em torno do confronto entre o PSDB e o PT, esta eleição apresenta características únicas, devido ao forte papel que a grande mídia hegemônica — adversa principalmente ao governo de Dilma Rousseuff — desempenha desde o mês de agosto, primeiramente ‘adoçando’ a candidatura de Marina Silva — a estrela fugaz — e depois "deixando-a se apagar" acompanhando as últimas sondagens prévias ao primeiro turno, e pondo, finalmente, o destaque na figura Aécio Neves, quando foi definido que este seria o adversário que devia enfrentar o PT no segundo turno.

 Nada melhor que refletir sobre as palavras recentes de Fernando Henrique Cardoso para compreender a dimensão que vai ter a disputa da eleição. O ex-presidente do Brasil, do PSDB, disse que "o PT está fincado nos menos informados, que coincidem ser os mais pobres. Não é porque são pobres que apoiam o PT, é porque são menos informados". Estas declarações, infelizes e elitistas, tiveram um rápido reflexo por parte da dupla Lula-Dilma, que rapidamente passou a contestá-las, polarizando com as políticas sociais implementadas durante seus governos.

 “Essa história de falar que nossos votos são de pessoas ignorantes, como foi falado pelo ex-presidente Fernando Henrique, mostra simplesmente o preconceito e o desconhecimento”, foram as primeiras palavras da candidata do PT, durante um ato em Salvador da Bahia, no relançamento de sua campanha. “Como eles não andam no meio do povo"... estão "destilando ódio mal resolvido", afirmou Rousseff. E depois disse: "Eu peço a vocês, convidem as pessoas a votar a favor da verdade, da esperança. Vamos votar com consciência. Vamos votar contra a mentira e o ódio”, pediu a presidenta, que deverá enfrentar Aécio Neves no segundo turno.

 Lula também discutiu com Cardoso, que colocou a faixa presidencial em 2002. "É lamentável que o preconceito seja tão importante depois de um processo democrático", disse Lula, que, em seguida, chegou ao ponto, dizendo que "hoje, o Nordeste caminha com cabeça erguida, porque já não é tratado como um cidadão de segunda classe. Dos 20 milhões de empregos criados em nossos governos, quase 20% estavam no Nordeste".

 A referência de Lula tem a ver com a grande diferença com que o PT venceu no Norte e Nordeste do país, precisamente os votos aos que tentara se referir Cardoso. Será que a ampla votação obtida pelo PT, de 78% dos votos, em média, nos 150 municípios mais beneficiados pelo programa da Bolsa Família, por exemplo, pode ser qualificada de "desinformação"? Eles ignoram, segundo as palavras de Cardoso, as vantagens alcançadas durante as administrações do Partido dos Trabalhadores, ou melhor, o oposto e, portanto, essa inclinação em massa ao voto no PT?

 O lado interessante das palavras de Cardoso é que trouxeram à baila um confronto político, ideológico e programático que, com Marina Silva, parecia mais difuso para o PT. Além do mais, deixam transparecer dois modelos de governo já vistos na prática: o de Fernando Henrique Cardoso, moldado ao ciclo neoliberal imposto em meados dos anos 90; e o de Lula-Dilma, que faz parte do conjunto de governos pós-neoliberais que têm tentado políticas de desenvolvimento autônomas. Portanto, a disputa de 26 de outubro, é vital não só para o Brasil, mas para a América Latina como um todo, que fitará os olhos no gigante sul-americano para discernir se haverá uma continuidade no processo de mudanças que começou há doze anos, ou o início de uma restauração conservadora. (Reproduzido de Rebelion.org)

 

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