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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 20 Março de 2014

 

“El País” e a Revolução Bolivariana
na Venezuela


Salim Lamrani

 O jornal espanhol abriu mão do rigor jornalístico, a favor de uma cobertura partidarista da realidade venezuelana.

 Logo após o triunfo da Revolução bolivariana na Venezuela, com a eleição do presidente Hugo Chávez em 1998 (até 2013) e a vitória de seu sucessor Nicolás Maduro, nas últimas eleições presidenciais de abril de 2013, o El País, principal jornal espanhol e líder de opinião, abriu mão da imparcialidade no tratamento da realidade deste país. Pior ainda, o jornal espanhol deixou de lado o jornalismo equilibrado e matizado para ser a favor de uma crítica sistemática e unidirecional do poder democraticamente eleito em Caracas.

Por acaso uma democracia?

 Em uma tribuna recente, que teve lugar em 9 de março de 2014, o El País expõe seu ponto de vista e declara que “a Venezuela já não é um país democrático”. Pouco importa o fato de que tenham havido 19 consultas populares, desde 1998, e que os chavistas tenham ganhado 18 desses escrutínios, em eleições que todos os organismos internacionais, desde a Organização de Estados Americanos até a União Europeia, passando pelo Centro Carter, qualificassem de transparentes. Melhor ainda, o antigo presidente dos Estados Unidos, Jimmy Carter, qualifica o sistema eleitoral venezuelano de “o melhor do mundo”.

Liberdade de imprensa

 O jornal madrilense deplora a “asfixia sistemática da liberdade de expressão”. Com certeza, a afirmação não resiste a análise. Segundo um relatório do Ministério de Comunicação e Informação, de 2011, em 1998 existiam na Venezuela 587 rádios e redes de televisão, dos quais 92,5% eram privados e 7,5% públicos. Atualmente há 938, dos quais 70% são privados, 25% comunitários e 5% públicos. Ao contrário, a Revolução bolivariana multiplicou o número de meios de televisão e de rádios e o setor privado ainda domina a situação da mídia. Longe de serem silenciados, os meios privados aumentaram 28,7% em 12 anos.

A Revolução bolivariana, um fracasso?

 Um ano depois da morte de Chávez, que morreu de câncer em 5 de março de 2013, o El País apresenta um panorama bastante escuro da situação venezuelana, mediante seu correspondente... em Miami: “Chávez legou uma oportunidade perdida, uma economia que despenca e que hoje se mantém à força do endividamento e a especulação”. O jornal acrescenta que “durante a ultima década de seu governo, a receita petroleira da Venezuela foi sete vezes maior que em 1998, quando assumiu o poder”. Contudo, “a inflação e o desabastecimento cíclico que o país sofreu durante a última década, atingiram cifras alarmantes, especialmente entre os setores mais pobres”.

 Segundo este balanço, a gente conclui que a Revolução bolivariana tem sido um fracasso. Mas, de fato, o El País oculta a realidade fatual. Primeiro, o jornal madrilense omite sublinhar que se o preço do petróleo quase se tem multiplicado por 10, foi ante tudo, graças ao governo de Chávez, que conseguiu reativar uma OPEP moribunda, limitando a produção de petróleo e levando o preço do barril de US$ 16, em 1998, para mais de US$ 100, hoje em dia. 

 Depois, o jornal evoca a situação dos “setores mais pobres”, sem oferecer estatística nenhuma, e apresenta “a inflação e o desabastecimento” como consequências da política de Chávez. Certamente, a inflação caracterizou a economia venezuelana desde há pelo menos 70 anos e as estatísticas disponíveis sobre a realidade social do país desmentem o ponto de vista do El País. Em efeito, desde 1998, cerca de 1,5 milhão de venezuelanos aprendeu a ler e a escrever, graças à campanha de alfabetização denominada missão Robinson I. Em dezembro de 2005, a Unesco decretou a Venezuela livre de analfabetismo. O número de crianças escolarizadas passou de 6 milhões, em 1998, para 13 milhões, em 2011 e a taxa de escolarização hoje é de 93,2%. A missão Robinson 2 foi lançada para que a maioria da população atingisse o nível secundário. Desta forma, a taxa de escolarização no ensino secundário passou de 53,6%, em 2000, para 73,3%, em 2011. As missões Ribas e Sucre também permitiram a dezenas de milhares de jovens iniciar estudos universitários. O número de estudantes passou de 895 mil, em 2000, para 2,3 milhões, em 2011, com a criação de novas universidades.

A respeito da saúde, foi criado o Sistema Nacional Público para garantir o acesso gratuito ao atendimento médico de todos os venezuelanos. Entre 2005 e 2012 foram criados 7.873 centros médicos na Venezuela. O número de médicos passou de 20 em cada 100 mil habitantes, em 1999, para 80 em cada 100 mil, em 2010, isto é, um aumento de 300%. A missão Bairro Dentro I também permitiu realizar 534 milhões de consultas médicas. Cerca de 17 milhões de pessoas foram atendidas, enquanto que em 1998 menos de três milhões de pessoas tinham acesso regular aos serviços médicos. Salvou-se 1,7 milhão de vidas, entre 2003 e 2011. A taxa de mortalidade infantil passou de 19,1 por mil, em 1999, para 10 por mil, em 2012, isto é uma redução de 49%. A esperança de vida passou de 72,2 anos, em 1999, para 74,3 anos, em 2011. Graças à Operação Milagre de 2004, 1,5 milhão de venezuelanos, vítima de cataratas e outras doenças oculares, recuperou a visão.

 De 1999 a 2011, o índice de pobreza passou de 42,8% para 26,5%. A taxa de desnutrição infantil foi reduzida para 40%, desde 1999. E a taxa de extrema pobreza passou de 16,6%, em 1999, para 7% em 2011. Cinco milhões de crianças recebem hoje alimentação gratuita, através do Programa de Alimentação Escolar. Eram 250 mil em 1999. A taxa de desnutrição passou de 21%, em 1998, para menos de 3%, em 2012. Segundo a FAO, a Venezuela é o país da América Latina e o Caribe mais avançado na erradicação da fome.

 Na classificação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Venezuela passou da 83ª colocação, no ano 2000, (0,656) para a 73ª, em 2011 (0,735) e entrou na categoria de nações com IDH elevado. O coeficiente GINI, que permite calcular a desigualdade num país, passou de 0,46, em 1999, para 0,39, em 2011. Segundo o PNUD, a Venezuela tem o coeficiente GINI mais baixo da América Latina, e é o país da região onde há menos desigualdade.

 Em 1999, 82% da população tinha acesso à água potável. Hoje a percentagem é de 95%. Anterior a 1999, somente 387 mil idosos recebiam pensão. Hoje, são 2,1 milhões. Durante a presidência de Chávez as despesas sociais aumentaram 60,6%. Desde 1999 foram construídas 700 mil moradias na Venezuela. A taxa de desemprego passou de 15,2%, em 1998, para 6,4% em 2012, com a criação de mais de 4 milhões de empregos.

 Desde 1999, o governo entregou mais de um milhão de hectares de terras aos povos aborígines do país. A reforma agrária permitiu que dezenas de milhares de agricultores fossem donos de suas terras. No total, foram distribuídos mais de 3 milhões de hectares. Em 1999, a Venezuela produzia 51% dos alimentos que consumia. Em 2012, a produção é de 71%, enquanto o consumo de alimentos aumentou 81%, desde 1999. Se o consumo de 2012 fosse similar ao de 1999, a Venezuela produziria 140% dos alimentos consumidos em nível nacional. Desde 1999, a taxa de calorias que consomem os venezuelanos aumentou 50%, graças à missão Alimentação, que criou uma cadeia de distribuição de 22 mil armazéns de alimentos (Mercal, Casas de Alimentação, Rede Pdval), onde os produtos recebem subvenções de até 30% do seu valor. O consumo de carne aumentou 75%, desde 1999.

O salário mínimo passou de 100 bolívares (16 dólares), em 1998, para 2.047,52 bolívares (330 dólares), em 2012. Isto é, um aumento de mais de 2 mil %. Trata-se dum dos salários mínimos mais elevados da América Latina. Em 1999, 65% da população ativa cobrava um salário mínimo. Em 2012, somente 21,1% dos trabalhadores dispõe deste nível de salários. Os adultos de certa idade que jamais trabalharam dispõem de uma receita de proteção equivalente a 60% do salário mínimo. As mulheres desprotegidas, bem como as pessoas deficientes, recebem uma ajuda equivalente a 80% do salário mínimo. O horário de expediente foi reduzido para 6 horas diárias e 36 horas semanais, sem diminuição do salário. O PIB por habitante passou de US$ 4.100, em 1999, para US$ 10.810, em 2011.

Longe da imagem apocalíptica que apresenta o El País, a Revolução bolivariana significou um sucesso social. Segundo o relatório anual World Happiness de 2012, a Venezuela é o segundo país feliz da América Latina, a seguir da Costa Rica, e o 19º em nível mundial, diante da Alemanha ou Espanha. O caso do jornal El País ilustra a incapacidade dos meios ocidentais — a maioria está nas mãos de conglomerados econômicos e financeiros — de representarem de maneira imparcial e equilibrada a Revolução bolivariana. Existe uma razão para isso: o processo de transformação social iniciado em 1999 abalou a ordem e as estruturas estabelecidas, pôs em dúvida o poder dos setpres dominantes e propõe uma alternativa social onde — apesar de seus defeitos, imperfeições e contradições que convém não minimizar — o poder do dinheiro não reina como dono e os recursos são destinados à maioria dos cidadãos e não a uma minoria. (Extraído do Opera Mundi)

 

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