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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 1 Julho de 2014

 

Mais um passo na descolonização
de Porto Rico


Lídice Valenzuela García

UM passo histórico registrou-se nos últimos dias, quando o Comitê de Descolonização das Nações Unidas adotou uma nova resolução, apresentada por Cuba, a favor da libertação dessa ilha caribenha do domínio dos Estados Unidos, sua metrópole há 116 anos.

 Embora já seja o trigésimo terceiro documento adotado por consenso, que sustenta uma decisão contra o colonialismo nessa ilha caribenha — e o 14º consecutivo — é a primeira vez que várias representações da América Latina respaldam a solicitação apresentada por Cuba no Comitê. Sinal preclaro de que o caso colonial de Porto Rico, que vive há cinco séculos como colônia, se integra às demandas internacionais da região.

 O reconhecimento da Ilha de Porto Rico como parte da América Latina e não da sua metrópole foi proclamado na 2ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac), celebrada em Havana, em janeiro deste ano, da qual participou, como convidada colateral, uma delegação porto-riquenha. Na declaração final daquele encontro continental proclamou-se como questão de princípios dos 33 países membros da Celac o retorno de Porto Rico à região como nação soberana.

 Horas antes da reunião do Comitê de Descolonização da ONU em Nova York, centenas de manifestantes saíram às principais ruas porto-riquenhas para reclamarem sua independência dos Estados Unidos, quem considera essa ilha um Estado Livre Associado, apesar de que uma maioria da população deseja separar-se da nação nortenha.

 O texto cubano, que tem vindo a ser apresentado durante 14 anos, de maneira consecutiva, patrocinado ainda pela Bolívia, Equador, Venezuela e a Nicarágua, exige do governo estadunidense que assuma sua responsabilidade perante o caso de Porto Rico, de acordo com o proclama da ONU de 1960, no sentido de dar cabo do colonialismo no planeta.

 Aliás, ratifica o caráter latino-americano e caribenho de Porto Rico, pelo qual fica neutralizado o discurso da Casa Branca no sentido de que a independência da ilha é um assunto interno dos seus moradores.

 “A maioria dos porto-riquenhos rejeita o status atual de subordinação política” — segundo o texto — “o qual impede adotar decisões soberanas para atender às suas necessidades e desafios, entre eles os graves problemas econômicos e sociais da ilha”.

 Atualmente, indica a resolução aprovada nos últimos dias, existe um debate entre as diferentes forças políticas e sociais porto-riquenhas para a procura de um procedimento que lhes permita iniciar o processo de descolonização.

 Na reunião do Comitê marcaram presença mais de 50 representantes de diferentes organizações políticas porto-riquenhas, entre elas a co-presidenta do Movimento Independentista Nacional Hostosiano (MINH), Wilma Reverón Collazo.

 Reverón Collazo, advogada e ativista dos direitos humanos, destacou, em uma entrevista concedida à Prensa Latina, o compromisso de Cuba na luta pela independência porto-riquenha.

 “Sem a Revolução Cubana, disse, não teríamos podido manter em pé esta causa, nem teríamos o respaldo de outros povos e governos, um panorama que aos independentistas nos dá energias para continuar neste combate de cinco séculos pela descolonização”.

UMA IRMANDADE DE SÉCULOS

 Cuba e Porto Rico lutaram juntas pela sua libertação da metrópole espanhola, durante o século 19, quando o sangue dos dois países se irmanou nas guerras libertadoras da Ilha maior das Antilhas. Os porto-riquenhos lutaram nas diferentes etapas das guerras emancipadoras cubanas, desde a primeira, em 1868, até a da independência, em 1895. Desde então, Cuba batalha por conseguir a independência dos porto-riquenhos, ainda sob a condição de colônia.

 Um ícone das históricas relações dos dois países é o general Juan Rius Rivera, quem se incorporou ao Exército Libertador de Cuba, em 1870 e participou das guerras seguintes, até atingir a patente de general em chefe, o escalão mais alto outorgado a um estrangeiro naquela contenda.

 Rius Rivera, após acabar a Guerra de independência, onde combateu sob as ordens do general Máximo Gómez, foi eleito membro da Assembleia Constituinte pela província de Pinar del Río, entidade que redigiu a primeira Constituição Nacional de Cuba, em 1901. Porém, a introdução da Emenda Platt, por parte dos Estados Unidos na Constituição cubana, fez com que Rius Rivera partisse de Cuba em 1907. O general morreu em 1924, em Honduras, e seus restos foram trazidos a Havana, em 1958, onde receberam sepultura no cemitério Colombo.

 Durante o planejamento das guerras de independência no Caribe, em 1892 foi fundado em Nova York o “Clube Borinquen”, filiado ao Partido Revolucionário Cubano (PRC), fundado por José Martí. A esse clube pertenciam cubanos e porto-riquenhos que pretendiam travar uma guerra conjunta para liberar as duas ilhas da metrópole espanhola. Em 1895, quando eclodiu a guerra independentista liderada por José Martí, no seio do PRC se organizou a seção de Porto Rico. Em 22 de dezembro desse ano, 59 porto-riquenhos entraram no Partido cubano.

 Um outro elemento que bem identifica as duas nações antilhanas é sua bandeira nacional. Naquela reunião nos Estados Unidos, e segundo está recolhido nas atas, “Terreforte, sobrevivente do grito de Lares, apresentou a nova bandeira (a de Porto Rico), que tem a mesma forma da cubana, com a diferença de ter as cores ao avesso: faixas brancas e triângulo azul em vez de vermelho, com a mesma estrela banca no centro”.

 A emancipação de Cuba e Porto Rico também foi considerada pelo Libertador da América, Simón Bolívar, na sua gigantesca contenda pela independência sul-americana.

 Na agenda libertadora de Bolívar apareciam as ilhas antilhanas. Numa ocasião, Bolívar declarou: “As ilhas de Cuba e Porto Rico, que entre ambas podem ter uma população de setecentas mil a oitocentas mil pessoas, são as que mais tranquilamente possuem os espanhóis. Isto, porque estão fora do contato dos independentes. Mas, acaso não são americanos esses insulares? Não são vexados? Acaso não desejam também seu bem-estar?”.

 Em 1898, durante a guerra hispânico-estadunidense — na qual se intrometeram os norte-americanos, já quando o Exército Libertador cubano tinha quase ganhada a guerra contra a Espanha — Porto Rico foi invadido e anexado à potência da América do Norte.

 A causa dos independentistas porto-riquenhos, considerada por Cuba como própria, agora é também, mediante a Celac, a de um continente.  

 Especialistas estimam que não será fácil para essa nobre nação conseguir a emancipação da maior potência do mundo, a não ser pela opção diplomática, tal como aconteceu há poucos dias no entorno da ONU, quando representantes da Celac e do Movimento dos Países Não-Alinhados tornaram público seu interesse na autodeterminação do pequeno país antilhano (Excertos extraídos de Cubahora)

 

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