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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 1 Julho de 2014

 

A tragédia das crianças migrantes
nos EUA


Albor Ruiz

NINGUÉM pode prever qual será o desenlace – se houver algum– da crise humanitária criada pelo êxodo de crianças inocentes que, contra todos os obstáculos, cruzam a fronteira sozinhas, provenientes do México e da América Central.

 Mas, do que não há dúvida é de que, caso Washington tentar resolver esse problema, mediante a aplicação rígida das leis atuais, conseguirá apenas atiçar o caos migratório já existente, por causa duma longa lista de injustiças e enganos; como as deportações em massa, o multimilionário negócio dos cárceres privados, os abusos da patrulha fronteiriça e a falta de decisão política para resolver a situação dos 11 milhões de imigrantes sem documentos que sobrevivem nos EUA.

 Essa, entretanto, parece ser a solução tomada pelas autoridades federais. Se assim for, se aproxima a hora de descortinar o pano de fundo para o segundo ato desta insólita tragédia: a repatriação da maior quantidade de meninos e meninas tão rapidamente como seja humanamente possível. O espetáculo, se chegar a dar-se, não vai ser precisamente catártico.

“Todas aquelas pessoas que prendermos na nossa fronteira serão prioridade em termos de deportação,” afirmou o secretário de Segurança Interna, Jeh Johnson. “Serão prioridade para lhes serem aplicadas nossas leis de imigração sem importar idade alguma”.

 O funcionário afirmou, ainda, que está mantendo conversações com representantes da Guatemala, El Salvador, Honduras e o México sobre segurança fronteiriça e uma “repatriação mais rápida.”

 A repressão e a força são também as propostas de republicanos, como a do congressista da Virgínia, Robert Goodlatte, um raivoso anti-imigrante que preside o Comitê Judicial da Câmara.

 “Espalhou-se o boato pelo mundo sobre a fraca política de abrigo fronteiriço do presidente Obama”, afirmou Goodlatte. “Isto estimulou mais indivíduos para virem ilegalmente aos EUA, muitos dos quais são crianças da América Central”. Para ele, a crescente afluência infantil é “um desastre criado pela Administração”, portanto “aplicar a lei na fronteira e no interior dos EUA é crucial para dar cabo deste tipo de situações”.

 É evidente que tanto Goodlatte como Johnson preferem apresentar como um problema de segurança fronteiriça aquilo que, na verdade, é uma crise humanitária de enormes proporções. Para eles, as 90 mil crianças que se calcula chegarão neste ano sozinhas, são apenas mais um grupo de ‘indivíduos’ que procuram se aproveitar de seus ricos e generosos vizinhos do Norte.

 Engana-se Goodlatte e erra mais uma vez a administração de Obama. As crianças não veem o que há por trás do cada vez mais ilusório sonho americano; chegam fugindo dos perigos da miséria, a desesperança e a violência desenfreada dos cartéis da droga e as gangues assassinas, que estão matando toda uma geração. Vêm para salvar a vida.

 Implementar leis mais estritas e deportar mais meninos não parará esta afluência de imigração infantil. Isso apenas se resolveria, caso tenham a oportunidade de sobreviver e poder desenvolver seus potenciais na sua própria terra.

 Por isso, o único efetivo — e o único justo — é investir os trilhões, que agora se esbanjam para reprimi-los, em criar condições que permitam aos jovens da América Central e o México não serem obrigados a empreender a fuga, a qualquer preço.

 Afinal, esse investimento seria apenas um modesto “down payment” sobre a enorme dívida contraída com eles por causa, entre outras coisas, dos devastadores conflitos armados financiados por Washington durante a Guerra Fria e seu vergonhoso apoio a governos ilegítimos e criminais.  (Extraído de Progreso Semanal)

 

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