Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

N o s s a   A m é r i c a

Havana, 16 Junho de 2014

 

É preciso exigir uma nova ordem financeira e monetária internacional
• Discurso proferido pelo presidente dos Conselhos de Estado e de ministros, general-de-exército Raúl Castro Ruz, por ocasião da Cúpula do Grupo dos 77 + China

COMPANHEIRO Evo Morales Ayma, presidente plurinacional da Bolívia e presidente do Grupo dos 77 + China:

Excelências:

Agradeço ao companheiro Evo Morales Ayma, presidente e destacado representante dos povos originários da nossa região, a convocatória para esta importante Cúpula.

Quando terminou a Primeira Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento, em junho de 1964, um grupo de países em desenvolvimento, cientes dos grandes desafios que deveriam enfrentar, decidiu marchar unido para enfrentar um sistema econômico mundial que desde então se manifestava desigual e injusto.

A este grupo se deve a preparação, negociação e aprovação, em 1º de maio de 1974, há 40 anos, dum dos documentos programáticos mais importantes na luta contra o desenvolvimento e pela justiça econômica internacional: a Declaração e o Programa de Ação para o Estabelecimento de uma Nova Ordem Internacional, (e cito), “baseado na equidade, na igualdade soberana, na interdependência, o interesse comum e a cooperação de todos os Estados, qualquer que fossem seus sistemas econômicos e sociais, que permita corrigir as desigualdades e reparar as injustiças atuais, eliminar as disparidades entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento e garantir às gerações presentes e futuras um desenvolvimento econômico e social para conseguir a paz e a justiça (...)” (fim da cita).

Pouco depois, conseguiu a aprovação da carta de Direitos e Deveres Econômicos dos Estados, que consagra o exercício da soberania dos Estados sobre os recursos naturais e a atividade econômica em seu território.

Esses documentos importantes mantém total vigência, mas a grande contradição é que hoje não querem falar deles. São qualificados de “atrasados” e “superados pelos fatos”.

Contudo, agora se amplia a fenda entre o norte e o sul, e uma profunda crise econômica global, resultado do fracasso irreversível do neoliberalismo imposto pelos principais centros de poder, com um impacto devastador para os nossos países, se tornou na mais longa e complexa das últimas oito décadas. 

Quando quase conclui o ciclo previsto para os Objetivos de Desenvolvimento, acordados na Cúpula do Milênio do ano2000, 1,2 bilhão de pessoas no mundo vive na extrema pobreza. Na África subsaariana, o número de pobres aumentou, passando de 290 milhões em 1990 para 414 milhões em 2010.

Um em cada oito pessoas no mundo sofre fome crônica.

O 45% das crianças mortas antes de completar os cinco anos, morre por desnutrição.

A dívida externa registra níveis sem precedentes, apesar dos pagamentos que temos realizado por seu serviço.

A mudança climática aumenta, gerada, fundamentalmente, pelos padrões de produção e consumo irracionais dos países industrializados que, de manter-se para o 2030 seriam necessários recursos naturais equivalentes a dois planetas.

Ante estas realidades, conserva total vigência o princípio das responsabilidades comuns, mas diferenciadas no enfrentamento da mudança climática e outros desafios ambientais.

Como tem dito o companheiro Fidel Castro Ruz, “Existem os recursos para financiar o desenvolvimento. O que falta é a decisão política dos governos dos países desenvolvidos”.

É preciso exigir uma nova ordem financeira e monetária internacional e condições comerciais justas para produtores e importadores aos guardiões do capital, centrados no Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial, aos defensores do neoliberalismo, agrupados na Organização Mundial do Comércio, que tentam dividir-nos.

Somente a unidade nos permitirá fazer prevalecer nossa ampla maioria.

Assim deverá ser se queremos que a Agenda de Desenvolvimento depois de 2015, que deverá incluir os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ofereça respostas aos problemas estruturais das economias dos nossos países, gere mudanças que permitam um desenvolvimento sustentável; quer seja universal e responda aos diferentes níveis de desenvolvimento.

Companheiro presidente:

Na atualidade, se transgride a soberania dos Estados, se violam os princípios do Direito Internacional e os postulados da Nova Ordem Econômica Internacional, se impõem conceitos que tentam legalizar a intervenção, se utiliza a força e se ameaça com seu uso de maneira impune, se utilizam os meios para promover a divisão. Ainda ressoa em nossos ouvidos aquela ameaça contra “60 ou mais escuros cantos do mundo” do presidente dos Estados Unidos George W. Bush, obviamente, todos países membros do Grupo dos 77.

Devemos exercer nossa solidariedade com aqueles que são ameaçados de agressão. Hoje, o caso mais nítido é a República Bolivariana da Venezuela, contra a qual se empregam os meios mais sofisticados de subversão e desestabilização, incluídas as tentativas de golpe de Estado, segundo as concepções da guerra não convencional que os Estados Unidos aplicam para derrubar governos, subverter e desestabilizar sociedades.

Durante mais de 50 anos, temos sido vítimas de um genocida bloqueio norte-americano, de ações terroristas que têm custado a morte de milhares de nossos cidadãos, e provocado inúmeros danos materiais. A absurda inclusão de Cuba na lista de “Estados patrocinadores do terrorismo internacional” é uma afronta a nosso povo.

Como temos denunciado, é crescente a promoção de ações ilegais, encobertas e subversivas, bem como o uso do ciberespaço para tentar desestabilizar-nos, não só a Cuba, mas também a países cujos governos não aceitam intervenção nem tutela. Desta forma, qualquer nação pode ser objeto de ataques informáticos dirigidos a fomentar a desconfiança, a desestabilização e conflitos potenciais.

Durante todos estes anos, sempre nos tem acompanhado a solidariedade firme dos membros do Grupo dos 77 + China, o que agradeço em nome do povo cubano.

Aproveitemos este 50º aniversário dos Grupo dos 77 para renovar nosso compromisso comum de combinar esforços e estreitar fileiras para construir um mundo mais justo.

Muito obrigado (Aplausos)
 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir