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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 15 Outubro de 2014

 

Sombras e evidências
na chacina de Guerrero
• Uns 43 estudantes ainda sem localizar. Uma vala comum com 28 cadáveres sem identificar. Uns trinta detentos, entre os quais 22 policiais. Um prefeito e um secretário de segurança pública de Iguala, foragidos... A chacina dos estudantes normalistas em Guerrero tem a sociedade mexicana indignada

Heriberto Paredes Coronel

APESAR de todas as vozes que exigem a apresentação com vida dos 43 estudantes normalistas, desaparecidos desde 26 de setembro passado, ainda não existe resposta concreta. Aproximadamente 1.8 mil pessoas, entre elementos dos corpos da polícia e voluntários, se mantêm buscando os estudantes. O país está abalado perante este fato e as investigações ainda continuam, ou pelo menos isso é o que o procurador de Guerrero, Iñaki Blanco, afirmou em entrevista coletiva no povoado de Acapulco.

No sábado, 4 de outubro, foram achadas seis valas com 28 cadáveres que ainda não foram identificados. Somente se sabe que o operativo foi dirigido por membros da Marinha e do Exército, bem como pelo próprio procurador e a polícia federal. A zona está resguardada desde o achado e o acesso é restrito aos peritos do serviço médico forense (Semefo) e aos especialistas que participam da investigação.

Para os moradores da colônia Las Parotas — lugar próximo ao morro onde foram achadas as valas — esta situação não é surpresa, pois afirmam que "constantemente passam carros com cheiro desagradável, cheios de cadáveres que depois jogam nesses barrancos do morro". Guerrero é um estado onde os índices de assassinatos, relacionados com execuções políticas e com o crime organizado são muito elevados. Recentemente, duas professoras do ensino especial foram executadas quando saíam dum hospital de Issste, em Acapulco. Não se sabem as razões e ainda não foi iniciada nenhuma perícia.

Se nesta zona de Iguala — praça controlada pelo cartel Guerreros Unidos (GU) — não é estranho falar de valas, no trajeto entre esta cidade e a população de Mezcala, município de Eduardo Neri (a 40 minutos e ainda em disputa entre Los Rojos e os GU) se podem contar vários pontos onde os moradores estão acostumados a ver como descarregam cadáveres de caminhonetes para serem jogados aos barrancos, numa encosta da estrada.

Na entrada de Mezcala, membros do exército resguardam pontos de ônibus, entradas de negócios, prendendo tudo aquele que pretende entrar ao povoado.

A guerra entre grupos do crime organizado deixou muita violência e dor nas comunidades de Guerrero.

Iñaki Blanco declarou que se trataria dum sicário de GU que ordenou executar os estudantes; ainda afirmou que está informação, tal como a localização das valas, foi dada por alguns dos 30 detentos até este momento, 22 deles são policiais municipais que combinavam seu "serviço à comunidade" com seu serviço ao crime organizado.

O procurador não aprofundou muito na informação, deixando entrever somente um pouco do que se considera um segredo de polichinelo: a existência dum narco-governo. Contudo, salientou que serão feitos todos os trâmites necessários para que José Luis Abarca Velázquez — edil de Iguala, com licença e foragido — seja preso de imediato, tal como o secretário de segurança pública da mesma povoação, Felipe Flores (também foragido).

Aos poucos, os fios começam a unir-se, sem deixar ver as razões específicas da chacina. Até hoje é possível deduzir que a fuga do presidente municipal de Iguala e de seu secretário de segurança estejam relacionadas com a sua responsabilidade pelos acontecimentos, e talvez a sua integração ao grupo delituoso Guerreros Unidos. Não é novidade no país que os prefeitos façam parte das estruturas das organizações criminosas, basta lembrar a participação dos Cavalheiros Templários em Michoacán para entender que são estes postos do governo os que permitem o crescimento e controle das cidades por parte dessas organizações.

Ainda há muito a investigar, por ora, o que se sabe — através das imagens das câmeras de segurança — é que os 22 membros da polícia municipal de Iguala prenderam mais de 20 estudantes, segundo declarações reunidas e documentadas no dossiê da procuradoria geral da República; os mesmos que foram transferidos nos carros oficiais para algum ministério público e depois, novamente nestas caminhonetes policiais, para sua execução. Até o momento, os detentos, policiais-sicários, admitiram o assassinato de 17 estudantes normalistas.

O que não fica esclarecido é a ligação entre o prefeito e o grupo GU-polícia ministerial, quem deu a ordem direta de executar os estudantes e onde está o restante do grupo. Não se sabe se as motivações para esta chacina são de origem política, se se trata duma mensagem para a organização inimiga, Los Rojos; ou se é um acerto de contas entre duas frações partidárias que disputam o poder do Estado, isto é, entre o Partido Revolucionário Institucional (PRI) e o Partido da Revolução Democrática (PRD), ou bem, entre a família Figueroa e o bloco de Angel Aguirre. Em todo o caso, os 28 cadáveres encontrados até agora nessas valas estão sob investigação, através de exames de sangue e de ADN, para determinar se são ou não o resto dos estudantes.

Por seu lado, milhares de jovens da Escola Normal Rural de Ayotzinapa saíram às ruas para exigir a apresentação com vida de seus companheiros desaparecidos. Bloquearam a auto-estrada do Sol, no ponto conhecido como mirante Marqués e posteriormente Palo Blanco. Tanto familiares como normalistas insistem em que vão continuar com as ações, convocando para uma mobilização nacional, com o fim de exigir a demissão do governador Angel Aguirre Rivero e punir os responsáveis por estas atrocidades. (Extraído de otramerica.com)
 

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