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Havana, 14 Maio de 2014

 

Luis Guillermo Solís, esperança de mudança na Costa Rica

Isabel Soto Mayedo

A confirmação de Luis Guillermo Solís como presidente da Costa Rica, para o período 2014-2018, alenta a perspectiva de oxigenar a governabilidade democrática e a participação cidadã na gestão pública.

Depois de sua eleição como presidente, em 6 de abril passado, o representante do Partido Ação Cidadã (PAC) mostrou intenção de dirigir os destinos do país com base na negociação , semeando com isso a esperança do retorno à vida democrática, dilacerada pelo ‘liberacionismo’.

Para o presidente da Assembleia Legislativa, Henry Mora, também do PAC, a gestão do Partido de Libertação Nacional (PLN) pode ser resumida em três aspectos: corrupção, desigualdade e incapacidade para reduzir a pobreza.

O economista lembrou que os três pilares deste novo governo são dirigidos a deter e reverter, no possível, estes problemas, mediante a luta contra a corrupção em todos os patamares do Estado.

"O problema principal da sociedade costarriquenha é o aumento na concentração da riqueza e da desigualdade, como resultado do modelo neoliberal implementado nas últimas três décadas", definiu o secretário-geral da Frente Ampla (FA), Rodolfo Ulloa.

Ante este panorama, o PAC prevê uma ruptura parcial desse esquema de desenvolvimento, embora ofereça uma mudança moderada.

O grande desafio para esta administração será tornar realidade a mudança sonhada, pois a Costa Rica perdeu até a capacidade para sonhar. E depois de tanto tempo de imposição do sistema neoliberal, desmontá-lo resulta quase impossível em apenas quatro anos, alertaram outros especialistas e ativistas sociais.

"Os desafios para Solís e sua equipe não são simples, mas tudo o contrário. Chegar pela primeira vez a um governo e começar de zero em tudo (porque a estrutura leva décadas desmontada), levará seu tempo", assinalou um editorial do jornal Extra.

A publicação instou a entender que talvez as expectativas de mudança levará certo tempo para serem consolidadas, num contexto marcado por um déficit fiscal crescente, a falta de oportunidades de emprego para muitos e a deterioração das instituições chaves, para só citar algumas.

Contudo, destacou, a posse neste 8 de maio passado do primeiro presidente do PAC simbolizará uma renovação política histórica, que marcará os destinos da nação e abrirá as portas à transformação do esquema político, na procura de forças renovadoras.

"Por mais caótico que o panorama possa parecer-nos, o trabalho não será impossível e num primeiro momento será suficiente um voto de confiança, em prol de um caminho equilibrado e responsável", sugeriu.

Segundo o catedrático da Universidade da Costa Rica, Alberto Cortés, o palco que resultou das eleições expressa uma oportunidade para uma nova forma de reconstruir a governabilidade, dilacerada por dois governos consecutivos do PLN.

"Para conseguir essa meta, propôs o catedrático, valerá a pena resgatar a transparência e a rendição de contas efetiva e permanente, bem como a incorporação da participação cidadã na política pública".

O acontecido durante a eleição do diretório da Assembleia Legislativa demonstra a disposição de várias forças partidárias de unir-se para avançar rumo à governabilidade no país.

"Se bem há nove frações partidárias e nenhuma com maioria absoluta, o PAC, o FA e o Partido Unidade Social Cristã foram capazes de construir acordos que lhes permitem ter o controle do diretório e da gestão do Parlamento", rememorou.

"Que estes partidos tiveram a capacidade e claridade de entender a importância de constituir esse bloco parlamentar, derrubando de maneira contundente o PLN, abre a possibilidade de uma agenda legislativa com prioridades diferentes das dos últimos 30 anos", opinou.

Cortés manifestou confiança em que a cidadania ativa e sua lógica de incidência na política pública chegaram para ficar, de mãos dadas com o PAC, que desestimou comprometer-se com os partidos cristãos a adiar a analise legislativa de temas chaves quanto a direitos sexuais e reprodutivos.

Com base nesses acontecimentos, o especialista afirmou que os elementos que caracterizam o novo contexto abrem a possibilidade de uma mudança política de longo alento que permitirá a construção de uma governabilidade democrática na Costa Rica. (PL)
 

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