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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 12 Novembro de 2014

 

VENEZUELA
Danilo, Otayza, Serra: a violência contrarrevolucionária

Jesús Chucho García

DANILO Anderson, Eliecer Otayza, e agora Robert Serra, são crimes hediondos cometidos sistematicamente contra pessoas notáveis do processo bolivariano e pareceria uma continuidade no tempo.

Esta é uma violência cíclica política, com métodos similares muito pouco utilizados pela delinquência comum. A forma em que estes líderes bolivarianos foram assassinados chama a atenção: uma espécie de mensagem de terror preventivo para aqueles líderes que investigam temas sensíveis que afetam a elite do poder econômico, político e social.

"VÃO MATAR DANILO"... DISSE CHÁVEZ

Um explosivo C-4 destruiu a caminhonete onde estava sentado o jovem procurador Danilo Anderson, sendo as 23h00 de 18 de novembro de 2004.

Quanto ao que eu tenho estudado do terror político na Venezuela, acho que este é o primeiro assassinato com esse método na história política venezuelana. O que é que fazia Danilo?

Anderson tinha a responsabilidade de investigar aqueles que participaram do golpe de Estado e do golpe petroleiro do ano 2002 e sobre os assinantes do decreto ilegal (do efêmero presidente golpista) Pedro Carmona Estanga, entre os quais estavam alguns líderes atuais da oposição como Leopoldo López, María Corina Machado e sua mãe, Henrique Capriles Radronski e muitos dos conspiradores atuais.

Danilo também investigava acerca "da invasão à embaixada de Cuba", quando do golpe de Estado e acerca da "conspiração Soma-te"(Organização de Corina Machado), com o apoio da Fundação Nacional para a Democracia (NED), uma organização estadunidense especializada em desestabilizar eleitoralmente os países contrários aos Estados Unidos.

Naquele momento, o presidente Hugo Chávez estava preocupado pela segurança de Danilo, como o expressou: "Então vi Danilo e tive um instinto, esse que a gente vai desenvolvendo. Como a gente já tem tantos anos nisto, às vezes um detalhe é suficiente, e pensei: Vão matar Danilo". E juro que ordenei chamá-lo, mas tinha que ir-me, não sei aonde ia. "Chamem Danilo". E a caravana foi embora para Maiquetia. "E Danilo?". "Não aparece, não responde". "Contatem com ele urgentemente". Voltamos. Danilo, pum! Sumiu Danilo. Uma noite telefonou Isaías Rodríguez: "Presidente, mataram Danilo". "Não, não é verdade". Por isso eu insisto tanto nos detalhes, olhem a importância daquele telefonema. Eu disse para que mudasse de casa, ele tinha uma segurança especial, mas o apanharam sozinho, descuidado".

Agora completam-se dez anos deste assassinato, onde foram condenados um ex-membro da polícia técnica judicial e outro da polícia política Disip, mas os amigos de Danilo estão insatisfeitos porque os autores intelectuais ainda estão livres... e com certeza, conspirando.

OTAYZA DESFIGURADO... SEGUNDO TESTE

Reconhecido e polêmico líder do processo bolivariano, o militar Eliecer Otayza, que participou da tentativa do segundo golpe de Estado para tirar do poder o ex-presidente Carlos Andrés Pérez e que foi ferido de gravidade nessas ações, é o segundo caso do delírio circular da violência sistemática contra líderes bolivarianos.

O método tampouco foi de assassinos comuns. Otayza tinha muitos inimigos pois, segundo parece, tinha uma posição muito firme acerca dos fatos de corrupção e por sua formação no campo da inteligência manipulava informação de primeira linha. Segundo parece, aqueles que ordenaram seu assassinato sabiam que Otayza era um homem muito bem preparado em autodefesa e inteligência militar e era preciso surpreendê-lo, tal como fizeram os sicários na madrugada de 29 de abril deste ano.

O ministro do Interior, Justiça e Paz naquele momento, Miguel Rodríguez Torres, salientou naquela ocasião que ainda não existe informação clara nem detalhada do motivo pelo qual Eliécer Otayza foi assassinado. "São circunstâncias estranhas que ainda haverá que determinar no decurso da investigação", assinalou.

ROBERT SERRA FOI DEGOLADO... EM 15 MINUTOS FOI ASSASSINADO

O advogado e jovem deputado Robert Serra tinha carisma, como muito poucos. Tinha sustentabilidade no discurso, tampouco foi viver para o leste da cidade, lugar privilegiado para aqueles que vão ganhando poder. Ficou no seu bairro, esse bairro que votou nele para chegar a ser o deputado mais jovem da Assembleia Nacional. Serra investigava o paramilitarismo-uribismo e sua ligação recente com as guarimbas (protestos violentos) e os planos para desestabilizar a Venezuela.

Em 1º de outubro passado, às 22h30, um grupo de profissionais, tal como nos filmes norte-americanos de violência, entrou na casa do jovem deputado que se encontrava com a jovem María Herrera. Ninguém viu nada, ninguém escutou nada, tudo foi silencioso como a covardia...

Serra era um objetivo da violência sistemática, como publicou a imprensa: "As investigações realizadas até o momento sobre o assassinato do deputado socialista Robert Serra revelam que foi um crime organizado", informou o ministro para as Relações Interiores, Justiça e Paz, Miguel Rodríguez Torres.

Segundo os especialistas e baseados nos princípios da investigação, "não se trata dum fato mal-sucedido, estamos ante um homicídio intencional e executado com muita precisão", explicou o ministro.

Detalhou que foi um assassinato planejado, muito bem organizado e executado entre 15 e 20 minutos, e utilizando um arma tipo punção-penetrante, o que provocou a morte por choque hipovolêmico (hemorragia) tanto ao jovem deputado como à sua companheira, María Herrera. Eis a violência contrarrevolucionária. (Fragmentos extraídos do Alain)
 

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