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N o s s a   A m é r i c a

Havana, 10 Setembro de 2014

 

PORTO RICO-COLONIALISMO
Borikén, uma pedra no sapato dos Estados Unidos
• Em 11 de abril de 1899, os Estados Unidos trocavam com a Espanha as ratificações do Tratado de Paris, assinado um ano antes. Entre os países trocados estava Porto Rico, ainda colônia do império estadunidense

Lídice Valenzuela García

BORIKÉN, nome indígena do arquipélago, cuja ilha principal é Porto Rico, vive neste século 21 escravizado por um Tratado assinado, em 1898, entre a Espanha e os Estados Unidos, situação rejeitada em muitos fóruns internacionais, graças à resistência dos movimentos nacionalistas da pequena ilha do Caribe, que há décadas lutam pela soberania nacional.

Washington, que se nega a devolver a soberania aos portorriquenhos — em mãos estrangeiras desde que Cristóvão Colombo desembarcou ali, em 1493 — mantém o tema da cidadania numa espécie de limbo jurídico. O poderoso império do Norte não admite Porto Rico como um de seus Estados, mas tampouco o devolve a seus legítimos donos, pois tem muitos interesses nesse enclave, entre eles militares. Daí que a melhor ideia para seus propósitos seja tê-lo declarado Estado Livre Associado aos Estados Unidos.

Em 11 de abril de 1889 o governo estadunidense trocava com o reino da Espanha as ratificações do Tratado de Paris, assinado um ano antes na capital francesa pelas máximas autoridades dos dois países, o ponto mais alto em sua intromissão na guerra hispano-cubana, documento com o qual se apropriou de vários territórios geograficamente importantes, na nova geopolítica que desenhou para a região do Caribe no século 20.

Com esse suposto gesto diplomático, as autoridades estadunidenses se apropriaram dos restantes territórios espanhóis no Caribe e na região do Pacifico, isto é, Porto Rico, Cuba, Guam e as Filipinas.

Relativamente a Cuba, os estrategistas desse tempo planejaram ocupar seu território para depois outorgar-lhe uma independência já ganha pelos crioulos nos campos de guerra contra os espanhóis. A suposta salvação chegada com os navios imperiais marcou a história desse país que, a partir desse momento e até 1959, sobrevivia sob os interesses políticos e econômicos de Washington.

A assinatura do documento de Paris dava por concluída a guerra hispano-cubana. O regime imperial aproveitou para ampliar sua expansão, depois de quase 100 anos de apropriações organizadas sob diferentes doutrinas. Esse parecia ser o chamado manifesto destas terras. Para aquela data, já os EUA tinha comprado Louisiana, Oregon, Califórnia, Texas, Novo México e outros territórios, mas suas ambições os trouxeram ao Caribe, amparados por uma frota que mostrava seu poderio militar.

UMA PEDRA NO SAPATO

Desde a data em que o presidente William Mc Kinley assinou o texto em Paris, Porto Rico é uma pedra no sapato dos Estados Unidos, ainda que nos referendos realizados sobre a eventual recuperação da soberania, a maioria da população se tenha negado, devido à dependência econômica do Estado Livre Associado e à influência da cultura dos nortenhos durante varias gerações.

Contudo, há décadas que os nacionalistas portorriquenhos vêm travando uma batalha desigual para recuperar a liberdade da Ilha e para isso lançam mão de diferentes formas de luta, desde a luta das ruas até a discussão nas Nações Unidas desse obsoleto caso de colonização no século 21.

Os novos governos de tipo democrático na América Latina e no Caribe aderem a estes esforços para conseguir a liberdade do Estado Livre Associado aos Estados Unidos. Há muitos exemplos de solidariedade com os portorriquenhos, entre eles, as votações do Comitê de Descolonização da ONU a favor da soberania da Ilha e o apoio recebido em outros fóruns internacionais, como a Comunidade dos Estados Latino-Americanos e caribenhos (Celac), a maior força unitária e de integração existente na atualidade nessa região.

No ano passado, o Comitê de Descolonização das Nações Unidas avaliou novamente, por proposta de Cuba — unida a Cuba na história e proximidade geográfica — e com o apoio de outras nações latino-americanas, a situação de Porto Rico, exercício diplomático que realiza essa instância há mais de três décadas e do qual Washington faz ouvidos moucos.

Ante os delegados de 193 países integrantes do organismo mundial, o representante alterno de Cuba ante a ONU, Oscar León, apresentou um projeto de resolução, com o apoio da Venezuela, Nicarágua, Bolívia e Equador, acerca do direito inalienável de Porto Rico à livre autodeterminação e independência.

Era um ato já visto na ONU. O direito dos portorriquenhos a sua soberania tem sido reconhecido desde 1972 em 31 resoluções e decisões adotadas por essa instância.

Contudo, León reconheceu que "pouco se tem avançado em todos estes anos na busca de uma solução definitiva para a situação colonial existente, que permita aos portorriquenhos determinar livremente sua condição política, e atingir sem intervenção estrangeira seus sonhos políticos, econômicos, sociais e culturais".

O projeto de resolução também solicitou do presidente estadunidense Barack Obama a libertação dos presos políticos Oscar López Rivera, preso há 32 anos, e Norberto González Claudio, que cumprem injustas condenações por suas ideias independentistas.

A inclusão do tema Porto Rico na 2ª Cúpula da Celac, efetuada em Havana, apoiou os esforços dos patriotas portorriquenhos. Representantes de movimentos políticos a favor da soberania nacional viajaram a Cuba como convidados para participar de atividades colaterais dessa reunião.

"Reiteramos o caráter latino-americano e caribenho de Porto Rico e, ao tomar nota das resoluções sobre Porto Rico adotadas pelo Comitê Especial de Descolonização da ONU, reiteramos que é assunto de interesse da Celac", expressou a Declaração Final da Cúpula, segundo concluíram 29 chefes de Estado e de governo reunidos na capital cubana.

A luta pela libertação de Porto Rico é longa e difícil. Os Estados Unidos são um inimigo poderoso que não se deixara tirar essa joia da coroa caribenha, a qual governa nos bastidores, mas tampouco poderá evitar o sentimento de boa parte dos quatro milhões de pessoas que vivem ali e que demonstram, com seus protestos na rua, nas tribunas públicas, em sua sempre renovada luta política, que nalgum momento a terra portorriquenha se vai inserir na lista de nações livres do Caribe. (Extraído de Cubahora)


• PORTO Rico, oficialmente Estado Livre Associado de Porto Rico aos Estados Unidos tem sido denunciado pelo Comitê de Descolonização da ONU como um caso colonial e seu povo vem protagonizando uma longa luta pelo reconhecimento de sua independência. É um arquipélago formado por uma ilha grande e outras adjacentes mais pequenas. A capital do país é San Juan de Porto Rico.

Os Estados Unidos entraram na história portorriquenha ao invadirem a Ilha, em 25 de julho de 1898, durante a guerra hispano-cubana-norte-americana. Em 10 de dezembro de 1898, foi assinado o Tratado de Paris, sem a presença de representantes dos territórios em questão, pelo qual Porto Rico e o resto das colônias (Cuba e Filipinas) do império espanhol foram cedidos aos Estados Unidos, em 11 de abril de 1899.
 

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