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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 8 Outubro, de 2014

Guerra contra a Síria: O ‘plano B’ da agenda oculta de Obama

Nazanín Armanian*

Os caças dos EUA estão bombardeando a Síria, matando dezenas de civis, entre eles crianças, sem a autorização de Damasco ou da ONU, espezinhando o direito internacional.

 Devido aos EUA serem os carrascos e os sírios as vítimas, nem a CNN nem a BBC têm mostrado os vídeos dessas mortes. Pela mesma razão tampouco haverá condenações nem mobilizações contra o terrorismo de Estado, praticado com total impunidade pelos EUA e seus parceiros, que nas ultimas décadas mataram milhares de iraquianos e afegãos, paquistaneses, iemenitas ou sudaneses, por citar alguns povos.

 Israel também se aproveitou da situação, derribando um bombardeiro sírio que atacava as posições da Frente al-Nussa. De que lado esta Netanyahu? Por que a comunidade internacional não condenou esta agressão a um Estado soberano?

 Estamos perante a sétima agressão militar de Barack Obama a um país que, aliás, e ‘acidentalmente’ também é de maioria muçulmana. Não é que o presidente queira desmentir assim as acusações do Tea Party sobre sua afinidade religiosa — caso contrário atacaria a Indonésia e a Arábia Saudita — seus motivos são outros: dominar a Eurásia; controlar a totalidade do Levante mediterrânico — que também foi um dos motivos para derrubar Gaddafi; humilhar a Rússia em sua zona de influência; destruir o exército sírio, por seus vínculos com a Rússia, como já fez com as forças armadas do Iraque e da Líbia, e fará com as da Ucrânia; impedir a construção do gasoduto Irã-Iraque-Síria; triunfar no terreno bélico e controlar militarmente o mundo, de forma a compensar o fracasso no âmbito econômico; empurrar o preço do petróleo para a alta, prejudicando a China; anular ainda mais a ONU e cercar o Irã pelos quatro cantos.

 Com estes objetivos, em 2007 os Estados Unidos puseram em andamento o ‘Plano A’ contra a Síria:

-realizar operações encobertas, financiar a ala direita da oposição para derrubar o presidente Bashar Al-Assad; organizar bandos criminosos para provocar o terror entre a população e gerar o desgoverno.

-criar e armar os grupos terroristas, aos que chamaram de ‘rebeldes’, os mesmos que tiravam o coração dos soldados sírios para comê-los e aos que denominaram “extremistas assassinos” quando mataram os jornalistas ocidentais. A imagem vivente dos esquadrões da morte da América Latina nos anos 80, treinados por John Negroponte, o mesmo que em 2003 organizou no Iraque as “forças especiais”.

- converter a Síria numa armadilha para os países rivais de Israel na zona.

- realizar atentados de bandeira falsa, como o episódio dos gases químicos de 2013, para culpar Al-Assad e atacar militarmente Damasco.

 Segundo 12 ex-agentes do governo dos EUA, o executivo de Al-Assad não estava envolvido. Ainda, o veto da Rússia a uma intervenção militar, bem como a ausência de uma alternativa capaz de governar o país (e apesar de poder acabar com Al-Assad com um destes “assassinos coletivos”, a inutilidade das conferências de Genebra I e II, e o temor de uma situação caótica na fronteira de Israel), fizeram fracassar esta fase da ‘operação contra a Síria’, embora servissem para militarizar a região, permitindo instalar mísseis Patriot na Turquia.

“PLANO B” EM ANDAMENTO

- transferir o “califado americano” do Estado Islâmico (EI) da Síria para o Iraque, deixando que ocupasse uns 90 mil quilômetros quadrados de ambos os países, aterrorizando cerca de oito milhões de pessoas.

- organizar uma campanha de propaganda sobre a crueldade do EI, como fez com as lapidações dos talibãs, para justificar o ataque “libertador” do Afeganistão, ou a chacina de bebês kuwaitianos por Saddam Hussein, em 1991. Para não falar da farsa do envio de Ántrax aos EUA, e as tristemente famosas e inexistentes armas de destruição em massa, de 2003.

- desempoeirar o acordo militar com o Iraque, que lhe permite “reocupar” o país quando considerar oportuno.

- afastar de forma fulminante Nuri al Maliki, por sua oposição ao uso do território iraquiano para atacar a Síria.

- romper o tabu de bombardear a Síria, para o qual no ano passado Obama não pôde conseguir apoio, nem dentro nem fora do país. Agora, perante o caos, se ‘de repente’ alguém assassinar Bashar al-Assad, quem choraria por ele?

 Os EUA sabem que Damasco não pode derribar os aviões que invadem seu território. A zona sob o controle do EI, uma vez ocupada pelos soldados dirigidos pelos EUA, lhe serviria de base de operações para atuar na Síria.

- continuar com o projeto do Grande Oriente Médio, mudando fronteiras e regimes. Washington enviará tropas ao Iraque, a maioria árabe, para que matem os árabes do EI.

 Uma vez eliminados do mapa o Iraque e a Síria como Estados, serão tratados como “palco de operações Ir-Sir”, para rimar com Af-Pak, outros dois Estados tornados “áreas”, durante o capítulo anterior da montagem da luta contra o terror.

- A expulsão em massa das minorias étnicas e religiosas que o EI está levando a efeito está na linha do Plano Biden: ‘divide, vencerás e governarás’. Eliminam os Estados grandes, agrupam as pessoas em zonas determinadas para levantar os mini Estados que têm desenhado. No Iraque, com cerca de 30% dos casais mistos, se repetiria o drama da Iugoslávia: dezenas de milhares de pessoas seriam obrigadas a matar-se e separar-se para que cada país agressor tenha sua fatia do bolo. Certo é que tudo isto poderia acontecer num caldo de cultura como o profundo descontentamento das minorias das sociedades da região, que sofrem profundas desigualdades econômicas, étnicas, sociais, políticas e religiosas.

- que, de repente, aparecer na imprensa um grupo islâmico chamado Jorasan, mais perigoso do que Al Qaeda e o EI — assustem, assustem — e não só pela capacidade da CIA de fabricar em massa grupos terroristas, senão porque Jorasan “terra do sol em persa”, era o nome da região que incluía, durante o império Aquemênida, parte do Irã atual, e o resto dos Estados da Ásia Central, embora hoje seja a denominação duma província situada no nordeste do Irã.

 Significa que este bando operará na Ásia Central e no Irã?

 Os Estados Unidos pretendem reestruturar o Iraque a seu gosto, dominar seus recursos, consolidar suas posições na região, e de passagem, chantagear a Rússia e a China noutras zonas do planeta.

 Somente um movimento internacional pela paz poderia frear a destrutiva força da OTAN, conseguiria dissolvê-la (Fragmentos extraídos de Other News)

 

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