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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 4 Novembro, de 2014

O desastre das políticas de austeridade

Vincenç Navarro

ERA fácil antever que as políticas de austeridade promovidas pela tróica — o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) e pelo Conselho Europeu, liderado pelo governo alemão, seriam um desastre para a maioria dos países pertencentes à Eurozona.

Assim o publicamos e o prevemos vários economistas e especialistas em políticas públicas.

Ainda, previmos que as crises econômicas e financeiras causadas, em boa parte por essas políticas de austeridade, seriam enormemente antipopulares e criariam um grave problema de legitimidade, tanto das instituições europeias responsáveis pela governança da União Europeia e da Eurozona, quando dos governos dos seus países membros. E assim foi mesmo.

O que é inclusive mais notável é que tampouco foram bem-sucedidas na hora de conseguir os objetivos que se tinham proposto atingir, como era a diminuição da dívida dos países membros.

A grande maioria destes países viu aumentar sua dívida e seu crescimento econômico tem sido paupérrimo. Realmente, na grande maioria deles o crescimento foi negativo. Grécia, Espanha e Itália, países nos quais foram aplicadas com dureza as políticas de austeridade, têm registrado, desde o ano 2008, uma queda sem precedentes do referido crescimento.

Uma coisa semelhante aconteceu com o déficit público dos seus Estados. Nos cinco maiores países da União Europeia dos Quinze (EU-15), o déficit público tem aumentado consideravelmente, desde que explodiu a crise no ano 2007. Esta situação é devida, como bem indica John Weeks (e vários de nós também temos indicado) a duas causas. Uma delas é a redução das receitas ao Estado, como resultado do recuo da atividade econômica, consequência das políticas de austeridade (que tiveram como centro as reformas trabalhistas, cujo objetivo era reduzir os salários e os cortes na despesa pública).

A outra causa dos elevados déficits tem sido a enorme despesa pública empregada para resgatar os bancos e o setor financeiro.

A Espanha é um exemplo bem claro disso. As contas do Estado espanhol passaram — em conseqüência das políticas de austeridade e do resgate bancário — de terem 2% de superávit para 11% de déficit, em 2009.

E, inclusive, esta situação tem sido pior para a dívida pública. Nestes cinco países com as maiores economias da UE-15 (Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Espanha), houve um incremento da dívida pública, de maneira que em 2013 todos eles tinham uma dívida pública muito maior do que em 2007.

O GRANDE FRACASSO

Todos estes indicadores mostram com muita clareza que a maneira de reduzir o déficit e a dívida pública de um país não pode ser aplicando políticas de austeridade. Estas políticas reduzem a procura de bens e serviços, e com isso provocam uma queda do crescimento econômico. E essa queda do crescimento econômico gera menos recursos para o Estado, aumentando o déficit e a dívida pública. Dessa maneira cria-se um ciclo vicioso, que é a paralisia na qual nos encontramos agora.

Já previmos isso no ano 2007, em 2008, em 2009, em 2010, em 2011, em 2012 e em 2013, e assim até hoje. Os dados são demolidores, robustos e convincentes, mas os neoliberais fazem ouvidos moucos dos dados. Seu dogma alimenta-se da fé e não das evidências. E assim vamos andando até hoje.

Acabo este artigo na hora em que estou lendo outros, nos jornais de maior difusão do país, escritos por economistas e, inclusive, catedráticos de algumas das universidades de maior prestígio da Espanha, que gozam de grande visibilidade na mídia, os quais continuam ainda hoje, apesar do enorme fracasso de tais políticas, expressando sua oposição ao aumento da despesa pública, questão que acontece em um país como a Espanha que tem uma das despesas públicas (incluindo a despesa social) mais baixas da EU-15. Acho isso vergonhoso. (Other News)
 

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