Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 30 de Julho, de 2014

Farisaísmo de Miami

Lázaro Barredo Medina

EM Miami há um jornalista que conhece muito sobre política local e não poucas vezes tenta conservar as aparências do código da objetividade da imprensa estadunidense. Estou falando de Juan O. Tamayo, da equipe do jornal The Miami Herald.

Tamayo não é um ingênuo e sabe muito bem que, depois da chegada ao poder de Ronald Reagan a partir de Washington se esteve lidando para buscar "resolver o problema cubano", concebendo como forma ideal mudar a imagem de Miami, para que não fosse o governo estadunidense quem de maneira direta continuasse determinando as ações contra o governo revolucionário cubano, senão que fosse a emigração cubana nos EUA a responsável por exigir as medidas específicas.

Vários dos conselheiros de Ronald Reagan reconheceram que tinham que resolver esse problema, para desenvolver a estratégia concebida no programa de Santa Fé: boa parte dos cubanos "exilados" estavam associados ao terrorismo, às operações sujas da Agência central de Inteligência (CIA) e à violência.

Em Washington, precisavam mudar essa imagem por uma mais renovada e potável e o jornalista Juan O. Tamayo não é alheio a esta história.

Faço estes esclarecimentos, porque há uns dias o colega Tamayo publicou uma notícia no El Nuevo Herald onde anunciava aos leitores a seguinte informação, da qual tiro uns parágrafos:

Antonio "Tony" Calatayud, conhecido ativista do exílio cubano e comentador da rádio de Miami, foi preso por estar envolvido em uma fraude sobre bens raízes que, segundo se alega, fez com que os compradores perdessem um milhão de dólares.

Calatayud, 74 anos, tentou esconder o rosto entre as mãos, durante a audiência, e disse que se sentia "humilhado" por ter sido preso, em 4 de julho passado, mas que esperava impaciente o julgamento no sentido de provar sua inocência.

A fiança estabelecida para o veterano da Baía dos Porcos e ex-diretor de notícias da WQBA La Cubanísima (1140AM), no início da década de 1990, foi de US$ 95 mil. Na hora em que foi preso, Calatayud dirigia um programa anticastrista, todas as quartas-feiras, desde as 20h até as 21h, na WHIM (1080AM).

Calatayud já tinha sido preso em 2003, acusado de enganar o estado da Flórida, em mais de US$290 mil, ao apresentar mais de 1,300 faturas fraudulentas do Medicaid de sua farmácia, primeira farmácia latina no 300 SW 107 Ave. Acabou saindo com uma sentença de liberdade provisória, em novembro de 2013.

O arquiteto aposentado Rafael Huguet testemunhou que ele tem medo de uma retaliação física por parte de Calatayud, bem como a possibilidade de que o acusado cometeria mais enganos, porque a fraude a seu grupo teve lugar quando Calatayud ainda estava em liberdade provisória, por causa do delito cometido em 2003.

"Eu tenho medo dele", disse Huguet, e acrescentou que se for posto em liberdade, o acusado poderia "aproveitar a chance para buscar novas vítimas. Por favor, não permitam que isso aconteça".

Por que Tamayo se refere a Tonito Calatayud Rivera, um conhecido ativista do exílio cubano, como se fosse um cidadão pacífico dedicado à política?

Está longe de qualquer dúvida o histórico de Antonio Calatayud Rivera "Tonito", que saiu de Cuba ilegalmente, em 1960; foi recrutado de imediato pela CIA e considerado um dos homens de confiança da Agência.

A partir da década de 60 dirigiu ataques terroristas contra as costas e embarcações pesqueiras cubanas. Tem sido dirigente de organizações terroristas como RECE (Representação Cubana do Exílio), CORU, criada por Orlando Bosch e Luis Posada Carriles, com as quais cometeu o crime contra o avião cubano em Barbados, em 1976, entre outras.

Tonito, e isso está muito bem documentado nos dossiês do FBI, dirigiu ações terroristas contra representações diplomáticas da Colômbia, México e o consulado da França em Miami.

Por que o arquiteto Rafael Huguet, ligado a estes setores do "ativismo" diz que tem medo deste homem, caso for posto em liberdade provisória?

Tanto Tamayo como Huguet sabem que "estes ativistas do exílio" agem de acordo aos códigos da máfia e existem muitas histórias em Miami de ajustes de conta.

Tonito Calatayud irá tranquilo para sua casa. A juíza do circuito de Miami-Dade, Maria Elena Verde, indicou que ele não constituía risco de fuga, mas deixou claro que não pode ter contato com seus acusadores — nem sequer poderá mencioná-los em nenhum programa de rádio — e impôs condições estritas para deixá-lo em liberdade.

Seria preciso ver o que diz de tudo isto o atual prefeito de Miami, "Tomasito", advogado, jornalista e joalheiro.

Tomás Pedro Regalado Valdés, também foi membro da CIA, amigo de "Tonito" em quase todas as organizações contrarrevolucionárias e terroristas do exílio, desde Abdala, Brigada 2506, Alpha 66 e CORU, até a Fundação Nacional Cubano-Americana (FNCA).

Foi secretário da imprensa no Plano Torriente, no início da década de 70, chamado assim por seu executor em nome da CIA, José Elías de La Torriente, que foi assassinado em sua casa por "vendettas" entre estes grupos e que, como disse o porta-voz da polícia, naquela época, "na morte do senhor Torriente há tantos indícios como cubanos há em Miami".

"Tomasito" esteve ligado estreitamente aos principais dirigentes das organizações chamadas anticastristas, participando do roubo de parte dos fundos arrecadados.

Outro vínculo importante com Tonito Calatayud é que Regalado tem sido um dos responsáveis pela intolerância nos meios de comunicação de Miami. É bem conhecido que entre todas estas personagens existe uma espécie de "irmandade". Por isso assombra a falsidade noticiosa nesses artigo intitulado "Detenção de conhecido ativista do exílio".
 

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