Presos Políticos do Império| MIAMI 5      

     

Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 29 de Abril, de 2014

Armas químicas, retorna a manipulação contra a Síria

Waldo Mendiluza

SÍRIA está enfrentando uma nova cruzada do Ocidente e seus aliados, acerca do emprego de armas químicas no conflito, justamente quando está perto de cumprir seu compromisso de destruir ou extrair do país esses apetrechos bélicos.

 As notícias correm em uníssono. Damasco tirou ou extraiu dessa nação do Levante mais de 90% das substâncias perigosas e retornam aos grandes órgãos da mídia os discursos ameaçadores, que atribuem ao governo o emprego, por parte de suas tropas, de gás cloro em vários recantos do país.

 Trata-se de um cenário que não é novo, pois no ano passado, Estados Unidos anunciaram uma intervenção militar na Síria, após terem acusado o governo do presidente Bashar al Assad de empregar esse gás contra os civis, apesar de carecerem provas de tais fatos.

 Uma iniciativa russa e a decisão de Damasco de aderir à Convenção de Armas Químicas frustraram a aventura bélica e provocou a aprovação de uma resolução do Conselho de segurança das Nações Unidas, que pôs como data topo o dia 30 de junho de 2014 para a desmontagem dos gases perigosos.

 Segundo o embaixador sírio na ONU, Bashar Jaafari, a nova campanha procura, além do mais, afetar o processo eleitoral em andamento nesse país árabe, onde extremistas e mercenários apoiados com abundantes recursos estrangeiros procuram derrubar Al Assad, desde 2011, na trilha das intenções de mudar o regime, promovidas por Washington e seus aliados.

 “Rejeitamos categoricamente o emprego das armas químicas e as recentes alegações do emprego de gás cloro por parte das tropas sírias ou grupos afiliados”, advertiu o diplomata na véspera de um encontro com a imprensa, após uma reunião do Conselho.

 O órgão de 15 membros escutou, às portas fechadas, um relatório da perita holandesa Sigrid Kaag, coordenadora da Missão Conjunta da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) e da ONU, para supervisionar a desmontagem dos aparelhos.

 Kaag reconheceu os avanços no campo, apesar das condições de insegurança próprias do conflito e da atuação dos terroristas, os quais atacaram comboios que transportam substâncias químicas e instalações do porto de Latakia, onde são embarcados os agentes que depois serão neutralizados no alto mar.

 “Não só se verificou um sólido avanço como também há indicações bem claras do compromisso governamental de respeitar e cumprir o prazo estabelecido (30 de junho), a não ser que, naturalmente, continuem os ataques terroristas aos comboios”, indicou Jaafari.

 Nos últimos dias, funcionários, diplomatas e meios de imprensa ocidentais trouxeram à baila o tema do suposto emprego de armas químicas pela Síria.

 O Departamento do Estado norte-americano assegurou que investiga casos denunciados pelos extremistas e lançou a advertência — mediante a porta-voz Jen Psaki — de que “o emprego de qualquer agente tóxico, com a intenção de provocar morte ou danos, é uma clara violação da Convenção”.

 Washington manteve um estreito acompanhamento do processo de destruição das armas químicas na Síria e aproveitou, nos começos de ano, os atrasos no cronograma de extração para ameaçar Damasco.

 As autoridades dessa nação atribuem a demora nas operações que devem ser feitas no porto de Lakatia aos ataques terroristas e a dificuldades logísticas, situações enfrentadas com sucesso, a julgar pelos avanços das últimas semanas e às próprias declarações da Missão Conjunta OPAG/ONU.

 Acabando o ano 2013, uma equipe de cientistas atuando às ordens das Nações Unidas verificou o emprego de substâncias químicas na Síria, mas não acusou nenhum das partes envolvidas no conflito.

 Segundo os especialistas, recolheram-se evidências “claras e convincentes” do emprego do gás Sarin em Ghouta, em 21 de agosto, assim como elementos que indicam o provável uso de armas químicas em Khan al Asar, Jobar, Saraqueb e Ashrafiah Sahnaya, embora sem ter podido verificá-lo, diante da falta de provas determinantes.

 Na hora do relatório, Rússia asseverou que os artefatos letais foram uma provocação para propiciar a intervenção militar estadunidense nesse país árabe.

 As denúncias feitas na véspera por Jaafari colocam mais uma vez na mesa o emprego de campanhas contra as armas químicas, com um salva-vidas para aqueles que veem com preocupação os triunfos militares do exército sírio e a determinação soberana de Damasco de realizar eleições no dia 3 de junho. (PL)
 

IMPRIMIR ESTE MATERIAL


Diretor Geral: Pelayo Terry Cuervo. Diretor Editorial: Gustavo Becerra Estorino
HOSPEDAGEM: Teledatos-Cubaweb. Havana
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/

  Inglês | Francês | Espanhol | Alemão | Italiano | Só TEXTO
Só TEXTO / Assinatura jornal impreso

© Copyright. 1996-2013. Todos os direitos reservados. GRANMA INTERNACIONAL/ EDICAO DIGITAL

Subir