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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 25 de Junho, de 2014

A balcanização do Iraque

Manlio Dinucci

A ofensiva do Emirado Islâmico no Iraque e o Levante (EIIL), no Iraque, não surpreendeu aos Estados Unidos, pela razão simples de que os comandantes históricos dessa força yihadista já eram oficialmente aliados da OTAN na Líbia.

Apesar de todos os exageros retóricos de Washington, a ofensiva do Emirado Islâmico no Iraque e o Levante no território iraquiano faz parte da estratégia tendente a esfacelar o Iraque, aprovada pelo Senado americano, em 2007, e como resultado de uma proposta de Joe Biden.

Se aquilo afirmado em Washington fosse certo – que a ofensiva iraquiana do EIIL, também conhecido em árabe como Daesh, realmente surpreendeu aos Estados Unidos – o presidente Obama teria que demitir imediatamente todos os dirigentes da comunidade de inteligência dos Estados Unidos, à que pertencem a CIA e as inúmeras agências federais que se dedicam à espionagem e à execução de operações secretas americanas em escala mundial.

Mas, não há dúvidas de que, pelo contrário, esses dirigentes receberam, em privado, as felicitações do presidente. O EIIL é, em realidade, uma ferramenta da estratégia americana de destruição dos Estados, mediante guerras secretas. Vários de seus chefes provêm das formações islâmicas líbias que, inicialmente classificadas como terroristas, foram armadas, treinadas e financiadas pelos serviços secretos dos Estados Unidos para derrubar Muammar al-Gaddafi.

E é o próprio EIIL que vem confirmá-lo, ao comemorar a morte de dois de seus comandantes líbios. Trata-se de Abu Abdullah al-Libi, quem combateu na Líbia antes de sua morte na Síria – em 22 de setembro de 2013 – às mãos de um grupo rival; e Abu Dajana, quem também lutou na Líbia e morreu na Síria, em 8 de fevereiro de 2014, durante um enfrentamento com um grupo de Al-Qaeda, que anteriormente tinha sido seu aliado.

Quando se iniciou a guerra secreta pela derrocada do presidente Bashar al-Assad inúmeros combatentes que se encontravam na Líbia chegaram à Síria, onde se uniram a outros, a maioria dos quais não eram sírios mas provinham do Afeganistão, Bósnia-Herzegóvina e Tchechênia, entre outros países. Foi precisamente na Síria onde o EIIL ganhou grande parte de sua força. E foi também na Síria onde os "rebeldes", infiltrados nesse país, a partir da Turquia e a Jordânia, receberam carregamentos de armas, provenientes também da Croácia, através de uma rede organizada pela CIA (rede cuja existência foi, inclusive, documentada em uma reportagem do The New York Times.

Acaso é possível que a CIA e as demais agências americanas – que dispõem de uma muito vasta rede de espiões, de eficazes drones e de satélites militares – não soubessem que o EIIL estava preparando uma ofensiva de grande envergadura contra Bagdad, ofensiva muito precedida por uma série de atentados? É evidente que não podiam ignorá-lo. Então por que Washington não deu o alarme antes do início desta ofensiva? Porque seu objetivo estratégico não era defender o Estado iraquiano a não ser controlá-lo.

Depois de ter esbanjado mais de US$ 800 bilhões nas operações militares da segunda guerra do Iraque, Estados Unidos vê agora como a China está cada vez mais presente no Iraque. China está comprando perto da metade da produção petroleira iraquiana, em pleno aumento, e está fazendo grandes investimentos na sua indústria de extração.

E ainda há mais. Em fevereiro, durante a visita do ministro chinês das Relações Exteriores, os governos da China e o Iraque assinaram em Bagdad vários acordos para a entrega de equipamento militar chinês ao governo iraquiano. Em maio, o premiê iraquiano Nuri al-Maliki participou da Conferência de Interação e Medidas de Confiança na Ásia (CICA, siglas em inglês) realizada em Xangai, na qual também participou o presidente do Irã, Hassan Rohani. É bom lembrar, também, que em novembro de 2013, o governo de al-Maliki desafiou o embargo americano ao Irã, ao assinar com Teerã um acordo para a compra de armamento iraniano por uma quantia total de US$ 195 milhões.

É nesse palco que se produz a ofensiva do EIIL, que incendeia o Iraque recorrendo ao material altamente inflamável, que encontra na rivalidade entre sunitas e xiítas, uma rivalidade que a política de al-Maliki acrescentou. Isto permite aos Estados Unidos reativar sua estratégia destinada a conseguir o controle do Iraque.

Diante deste panorama, não podemos perder de vista o plano que o atual vice-presidente norte-americano Joe Biden apresentou ao Senado, em 2007, plano que prevê a descentralização do Iraque em três regiões autônomas: curda, sunita e xiíta, com um governo central limitado a Bagdad. Noutras palavras, o desmembramento do Iraque. (Extraído da Rede Voltaire)
 

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