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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 23 de Abril, de 2014

O Ártico também pode ser destruído

Joaquín Rivery Tur

O gelo que se desprende de um bloco central pode ser um bom espetáculo para um fotógrafo ou um turista, mas com certeza é um sinal de catástrofe. O gelo se reduz dia após dia. No Ártico, na Antártida, nas geleiras da montanha, em todos lados.

 A revista Science tem prestígio bem ganho. Os que escrevem para ela são verdadeiros especialistas nos temas que tratam, e no seu último número se alarma, se preocupa, porque a redução das calotas pode condenar o polo Norte ao desaparecimento, embora ninguém saiba em quanto tempo.

 Eric Post, professor de Biologia da Universidade Estatal da Pensilvânia, recém afirmou que “em breve poderia ser coisa do passado”.

 A pesquisa indica que os ursos polares e certo tipo de focas, que parem em cavernas sob a neve, perdem muitos filhotes quando essas grutas desabam, devido às prematuras chuvas da primavera.

 Essas espécies poderiam estar condenadas à extinção. De fato, existem relatórios sobre animais e latitudes mis meridionais, como o zorro vermelho, que estão invadindo zonas antes mais frias. Os ursos brancos veem seu tamanho reduzido.

 Pernte esta situação, a Casa Branca não age. O governo norte-americano emite gases ao entorno, quase como desejando a destruição do planeta.

 Um estudo internacional deste cientista e professor adverte acerca das consequências sofridas por plantas, animais, insetos e seres humanos, em decorrência da mudança climática. O aquecimento reduziu em 45 mil quilômetros quadrados por ano as camadas estacionais de gelo no verão ártico, nos últimos 20 a 30 anos.

 Os especialistas chegaram a uma conclusão catastrófica: “É difícil prognosticar o que vai acontecer se os prognósticos se cumprem e se as temperaturas aumentam 6 graus mais neste século”.

 O estudo enfatiza no dano à biodiversidade, mas também eis o outro perigo que se estende ao planeta todo: o derretimento dos gelos faria aumentar o nível dos oceanos e os efeitos deste fenômeno vão afetar, nomeadamente, os países insulares e costeiros.

 Segundo o Ecoportal.net, as temperaturas do Ártico atingiram, nos últimos dez anos, seus valores máximos desde há 2 mil anos, por causa dos gases que provocam o efeito estufa, revertendo a tendência para o arrefecimento natural, que deveria durar quatro milênios mais.

 Para David Schneider, do Centro Nacional dos Estados Unidos para a Pesquisa Atmosférica, o Ártico é “o lugar onde se pode ver o que está acontecendo com o sistema climático e como o resto da terra continuará ou poderia continuar”.

 Isso é no norte. Na Antártida enxergamos os mesmos perigos, aumentando os riscos, devido a que essa é a zona mais castigada pelo buraco da camada de ozônio.

 Do continente antártico desprendem-se cada vez mais enormes blocos de gelo, cujo tamanho real não se pode apreciar na superfície, mas a causa é a mesma: o aquecimento do clima.

 O cientista explicou que a plataforma Wilkins experimentou uma fratura significativa em 1998, quando tinha quase 20 quilômetros de comprimento e 250 metros de profundidade. Em 2008 houve outro colapso, que a reduziu para 2,7 quilômetros de comprimento uma sorte de ponte que se havia formado.

 A navegação pelo extremo austral não será a mesma e assim foi constatado em 23 de novembro de 2007 pelo cruzeiro Explorer, que naufragou no estreito de Bransfield após colidir com um iceberg. No navio viajavam 100 passageiros e 54 tripulantes, os quais, felizmente, foram resgatados ilesos.

 René Preller, chefe de expedições turísticas antárticas do Chile, com 31 anos de experiência inclusive no Ártico, contou que em 1978 haviam dois navios que faziam cruzeiros com 100 passageiros cada um, e em 2008-2009 o número mal chegou a 43.

 As estimativas do aumento do nível dos oceanos, com o derretimento das calotas de gelo dos dois polos da terra variam segundo diferentes especialistas. O relatório elaborado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática, em 2007 expressou que o nível do oceano poderia aumentar entre 19 e 59 centímetros para finais do século. Porém, vários cientistas consideraram, num encontro efetuado na Dinamarca, que o nível dos oceanos poderia aumentar mais um metro, embora se mantenham baixas as emissões de gases poluentes em todo mundo.

 Se com o nível anterior previsto as afetações principais as sofreriam as ilhas e zonas baixas continentais do Pacífico e o Índico, caso o nível das águas atingir um metro, muitas zonas do continente americano também seriam afetadas, como algumas ilhas do Caribe, zonas litorâneas do Golfo do México, a zona de Nova York e Flórida, Guiana e Equador e outras.

 Um estudo patrocinado pelo Banco Mundial expressa que as Guianas, as ilhas Bahamas, Belize e Jamaica são os lugares mais expostos.

 Segundo muitos cientistas, citados pela BBC, ainda estamos em tempo de aliviar os possíveis efeitos dum aumento do nível dos oceanos, mas os empresários não estão interessados nas consequências, mas sim nos lucros.

Aliás, existe o perigo das geleiras, cujos ciclos de derretimento dão lugar a riachos e rios nas zonas montanhosas, com uma importância vital para a alimentação dos seres humanos, pois essas correntes dão de beber, e dão água para a irrigação agrícola e até para a indústria.

Por causa do aquecimento do clima, as geleiras estão em processo de rápido desaparecimento, fenômeno que se pode observar claramente na cordilheira andina e nos Alpes europeus, mas do qual não escapa nem sequer o Himalaia, sendo preciso considerar que estas massas congeladas armazenam milhares de toneladas de água doce que se têm formado ao longo de milênios.

 

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