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I N T E R N A C I O N A I S

Havana, 22 de Julho, de 2014

Cem dias sem sucessos
para primeiro-ministro francês

Carmen Esquivel Sarría

NO início de julho, o primeiro-ministro francês, Manuel Valls, completou os primeiros cem dias no cargo, sem resultados específicos no seu programa: reduzir o desemprego e aumentar o crescimento econômico.

Valls foi indicado para o cargo pelo presidente, François Hollande, depois da derrota do governamental Partido Socialista (PS) nas eleições municipais de 23 e 30 de março.

Hollande encarregou Valls, que até esse momento era o ministro do Interior, a formação de um gabinete "reduzido e de combate" para deixar atrás o pesadelo sofrido nas urnas, onde o PS perdeu 151 cidades, passando ao segundo plano, atrás da União por um Movimento Popular (UMP- conservadora) e seus aliados.

Em seu primeiro discurso, o chefe do governo prometeu reativar a economia, reduzir o índice de greves e reduzir o déficit fiscal.

"Qualquer ação do governo deve estar encaminhada a esses homens e mulheres que sofrem, que têm medo do desemprego", disse.

Contudo, a última informação do Ministério do Trabalho mostra um incremento constante desse flagelo, que já afeta quase 3,39 milhões de pessoas.

Se somamos todas as categorias, isto é, aqueles que trabalham tempo parcial ou com salários reduzidos, o número poderia atingir os 5 milhões, cifra jamais vista no país.

Quanto ao PIB, tanto o Instituto Nacional de Estatísticas, como o Fundo Monetário Internacional, prognosticam um incremento de apenas 0,7%, três décimas abaixo das estimativas do governo.

O primeiro-ministro defende como via para relançar a economia a aplicação de um grupo de reformas, onde é incluído o Pacto de Responsabilidade, anunciado pelo presidente Hollande no início do ano.

Na essência, o plano prevê um drástico corte de 50 bilhões de euros na despesa pública para 2017, quando termina a atual administração.

Desse dinheiro, 30 bilhões servirão para financiar isenções fiscais ao setor privado, em troca de novas fontes de trabalho e investir mais no país.

Com o resto se buscará o equilíbrio das finanças públicas e a redução do déficit fiscal para menos de 3% do PIB, como exige a União Europeia.

Este programa provocou críticas de dirigentes políticos, inclusive dentro do PS, bem como dos grêmios, que o consideram um presente aos donos, sem exigir garantias em troca.

De fato, a principal central sindical do país, a Confederação Geral do Trabalho, e outras agrupações como Força Operária, Solidários e a Federação Sindical Unitária rejeitam a política econômica e social do executivo, os cortes do orçamento, as vantagens fiscais outorgadas aos empresários, o aumento dos anos de cotação dos assalariados para terem direito a uma pensão completa, entre outras medidas.

"A austeridade representa um risco para o bem-estar social, para a economia e inclusive para a democracia", disse o máximo dirigente de Força Operária, Jean-Claude Mailly.

Durante os últimos três meses, o governo tem enfrentado várias greves, entre elas a dos ferroviários contra um plano de privatização do setor, e agora a dos trabalhadores temporais do espetáculo, que se opõem ao corte dos subsídios.

Por seu lado, o Partido Socialista depois da derrota nas eleições municipais, também sofreu um revés nas eleições para o Parlamento Europeu, onde passou do segundo ao terceiro lugar, atrás da Frente Nacional (extrema direita) e da conservadora UMP.

Os analistas atribuem estes resultados ao descontentamento da cidadania com os partidos tradicionais e à continuação das políticas de ajuste aplicadas na União Europeia, com o fim de enfrentar a crise iniciada em 2008.

Cem dias depois de sua chegada ao Palácio de Matignon (sede do governo), Valls ainda é o melhor ministro do executivo, se bem sua popularidade despencou em mais de 15%.

Relativamente ao seu desempenho, uma pesquisa publicada pelo portal Francetv info assinala que uma ampla maioria de franceses desestima os resultados de sua gestão.

Perguntados sobre se o primeiro-ministro tem tido sucesso em seus primeiros cem dias, 76,2% responderam que não; 19,3 disseram o contrário e 4,5 não se pronunciaram. (Excertos extraídos da PL)
 

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